Dia Nacional da Consciência Negra

Ao dia 20 de Novembro de 1695, morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, fundado por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pleno Brasil Colonial, os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e uma forma coletiva de preservação e manutenção da cultura africana, em nosso país. Devido à luta pela liberdade de seu povo, Zumbi ficou eternizado como o principal personagem histórico na luta dos negros pela liberdade. Mais de três séculos depois, o Projeto Lei número 10.639, de 9 de janeiro de 2003, estabeleceu o dia em que se comemora a morte de Zumbi como o Dia Nacional da Consciência Negra. Mas consciência tem cor? Nem todos são a favor da comemoração de um Dia Nacional da Consciência Negra. Afinal, um país que pretende superar o racismo precisa entender que consciência não tem cor – é branca, negra, parda, índia, amarela. Alguns setores da sociedade consideram as iniciativas relacionadas à chamada "consciência negra" separatistas. Segundo eles, tais ações têm natureza segregadora e promovem um preconceito ao contrário, ao exigir cotas para os negros em universidades ou em concursos públicos, em nome de uma suposta retratação histórica. Já que ninguém, em sã consciência, aprovaria o uso de expressões como: orgulho branco, festa branca, música branca, beleza branca ou consciência branca, por servirem de estímulo ao preconceito e ao racismo, por que alguém teria o direito de pronunciar termos como: orgulho negro, festa negra, música negra, beleza negra ou consciência negra? Em primeiro lugar, é preciso dizer que o Dia Nacional da Consciência Negra, com todas as lutas por ele representadas e nele celebradas, não tem absolutamente nada a ver com a cor da consciência do brasileiro, mas com a cor da História do nosso país. O Dia, celebrado em mais de duzentos municípios brasileiros, procura resgatar a memória histórica do brasileiro. A história do Brasil não foi escrita apenas pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes e líderes militares brancos não são os nossos únicos heróis nacionais. Zumbi dos Palmares se ergue como uma bandeira da luta pelo respeito à inestimável contribuição dos negros para a formação da identidade nacional. A história de Zumbi nos lembra que a Abolição não resultou da generosidade de uma princesa branca ou dos abolicionistas que simpatizavam com a causa dos negros. Antes, veio em decorrência da luta corajosa e incansável de líderes negros, que não aceitaram se submeter a uma condição subumana, em função de uma suposta inferioridade de sua raça e cor. Em segundo lugar, deve-se considerar o racismo como um inimigo presente, vivo e culturalmente importante, e não como um inimigo vencido. A desigualdade de direitos e oportunidades, proveniente de uma cultura racista, ainda é onipresente em toda a extensão do território nacional. O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, um documento de mais de 215 páginas e quase uma centena de gráficos, revela a enorme desigualdade que há entre os brancos e os negros brasileiros. Como explicar que um país em que negros e pardos correspondem à metade da população, tem 90% de brancos no Congresso? Por qual razão os empregadores brasileiros contratam apenas 12% de negros em suas empresas? E por que os negros ocupam menos de 10% dos cargos de gerentes de empresa, num país tão colorido? O Dia Nacional da Consciência Negra é uma ocasião propícia para refletir sobre estas e sobre outras inumeráveis questões. Daí a sua importância. Consciência não tem cor. É verdade. Mas a História tem cor. Aliás, tem cores. Nossa História não é só branca. É negra, é parda, é vermelha, é amarela. Assim é a História de toda a humanidade. Zumbi dos Palmares, Martin Luther King Jr., Nelson Mandela e Barack Obama são apenas alguns exemplos disso. Além do mais, a desigualdade no Brasil também tem cor. E isso não é um problema só dos negros do Brasil. É um problema do Brasil – esse país que é de todos, inclusive dos negros. Portanto, o dia 20 de Novembro não é simplesmente o Dia Nacional da Consciência Negra. É o Dia Nacional da Consciência Humana, Histórica e Social. É o Dia daqueles que sabem que a causa negra não é a causa dos negros, mas da Humanidade.
Escrito por Léo Barbosa às 14h03
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A garota do vestido pink

Já tem mais de 15 dias que ocorreu aquela barbárie na Uniban de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, mas continuo estupefato com o episódio. Não que eu seja um defensor de garotas como a Geisy. Aliás, nem a conheço, portanto não faço a menor idéia de como ela é. Também não sou um ativista pró-minissaias ou coisas do gênero. Meu assombro com o caso da Geisy e dos "universotários" da "Unitaleban" (como diria José "Macaco" Simão, colunista da Folha de S.Paulo) está relacionado à presença do preconceito, do machismo, do falso moralismo, da violência e da manipulação da verdade em um ambiente acadêmico, que deveria zelar pela liberdade, pela igualdade, pela tolerância, pela civilidade e pela imparcialidade. A violência de que a jovem Geisy foi vítima não deve ser tratada como o problema em si, mas como uma consequência funesta dos verdadeiros problemas, escondidos por trás da poeira levantada pela sua repercussão nos veículos de comunicação. Por trás de toda a algazarra "unibaniana", estão: 1. O mau e velho machismo. Os "universotários" da "Unitaleban" trataram a jovem do mesmo modo que a sociedade vem tratando a própria figura da mulher há séculos. Na balbúrdia ocorrida ali, ecoavam as roucas vozes do machismo, que esmaga desde sempre a sexualidade e a liberdade feminina, enquanto reafirma exagerada e inconsequentemente a sexualidade e a liberdade do homem. São os mesmos velhos fariseus do passado, prontos para apedrejar "mulheres adúlteras", enquanto deixam escapar homens de pior espécie. 2. A tão perniciosa hipocrisia. Certamente, boa parte dos jovens que se indignaram com a "semi-nudez" da garota do vestido pink não vê problema algum em consumir material pornográfico na Internet, fazer uso dos serviços de profissionais do sexo, aplaudir atrizes e cantoras que apelam para o erotismo e a sensualidade, e aumentar vertiginosamente o "ibope" da novela da Globo, quando a emissora explora a nudez de suas musas. Falso moralismo sempre existiu neste nosso mundo de aparências. O que me espanta é encontrá-lo entre moças e rapazes, perto dos 20 anos de idade, que tanto denunciam a flagrante hipocrisia das gerações anteriores. 3. A perigosa transferência de culpa. Arguidos sobre a algazarra promovida entre os muros da "Unitaleban", os "universotários" prontamente responsabilizaram a Geisy. "Ela teve o que merecia", era o discurso corrente entre os baderneiros. Isto é deslavada transferência de culpa - uma prática tão antiga quanto a humanidade (haja vista o episódio bíblico do jardim do Éden). Culpar o outro pelo nosso erro é uma das principais causas do esgarçamento do tecido social. Nossa sociedade está onde está, em parte, devido a esta mentalidade que culpa o governo pela sonegação do contribuinte, o chefe pela vadiagem do empregado, a esposa pela infidelidade do marido etc. Ao fim desta lista de desculpas esfarrapadas, homens ditos de bem sempre acabam culpando as mulheres que sofrem abuso sexual. Eles dizem: "Vestida daquele jeito, ela mereceu!" Para eles, o estuprador nunca é responsável, a mulher é que é culpada pela violência de que foi vítima. É "só tudo isto" que me assusta numa história tão bizarra como esta, protagonizada pela Geisy e pelos alunos e diretores da Uniban.
Escrito por Léo Barbosa às 14h24
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Eles querem casar na igreja

Esta semana, o padre italiano Alessandro Santoro, que casou um transexual de 64 anos, foi suspenso pela Igreja Católica. O arcebispado de Florença, responsável pela igreja de Piagge, comandada por Santoro, alegou que a celebração "foi realizada contrariando as disposições dadas diversas vezes por seus superiores". Não tenho nada contra os homossexuais. Pelo contrário, sou a favor de que eles desfrutem de seus plenos direitos civis, como quaisquer outros cidadãos. Aliás, é exatamente isso que eles são dentro da sociedade: cidadãos, com direitos e deveres comuns a todos os demais. Creio que os homossexuais devem ter o justo acesso aos benefícios previdenciários ou à herança de seus companheiros, caso estes morram. Concordo que qualquer discriminação, ofensa ou violência sofrida pelos homossexuais tem de ser criminalizada. Também acho que o artigo do Código Penal Militar que tipifica o homossexualismo como crime de pederastia precisa ser revisto e revogado. Mas o que ainda me deixa intrigado, pra não dizer indignado, é deparar-me com homossexuais que insistem em oficiar sua união civil por meio de cerimônias religiosas cristãs, judaicas ou muçulmanas. A razão é simples e lógica: estas três religiões condenam rigorosamente o homossexualismo. A Bíblia, a Torá e o Alcorão reprovam-no claramente, reputando-o como pecado de rebelião contra o projeto divino para a sexualidade humana. É óbvio que aqueles que não são cristãos, judeus ou muçulmanos não devem ser submetidos à moralidade pregada por estas religiões. Nesse caso, suas diferenças de opinião e até mesmo de opção sexual devem ser respeitadas. Quem não é assumidamente religioso não precisa viver como tal. Seria incoerente. Mas parece-me igualmente incoerente, alguém professar uma fé que condena a união entre pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo em que vive e assume sua homossexualidade. A meu ver, isso é uma atitude ilógica, hipócrita e esquizofrênica.
Escrito por Léo Barbosa às 21h02
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Eles pecam, mas eles rezam

Uma notícia inusitada chamou a atenção dos meios de comunicação esta semana: um assaltante armado se ajoelhou e rezou antes de roubar uma atendente de uma financeira em Indianápolis, nos Estados Unidos. É isso mesmo que você acabou de ler. Ele entrou no escritório, apresentou a arma, anunciou o assalto, pegou o dinheiro do caixa e o celular da atendente e, antes de partir com o produto do roubo, ajoelhou-se e orou com a funcionária do estabelecimento. Depois disso, fugiu. Mas não sem antes recomendar que ela continuasse orando por ele. É mole? Excesso de religiosidade não livra ninguém da influência do pecado. Sempre que pessoas religiosas são flagradas cometendo crimes ou imoralidades, surpreendemo-nos, como se o pecado e a religiosidade fossem coisas incompatíveis. Foi assim no caso do médico Roger Abdelmassih, católico fervoroso, acusado de abusar sexualmente de dezenas de pacientes. E é assim todas as vezes que padres são acusados de pedofilia, pastores são pegos roubando, e rabinos são flagrados furtando gravatas em lojas de grife. Achamos que o simples fato de alguém professar uma fé religiosa torna-o imune à prática do pecado. Como se pessoas religiosas fossem automaticamente mais éticas que as não-religiosas. Engano. A experiência tem mostrado reiteradas vezes que a religiosidade, infelizmente, não protege ninguém do pecado. Independente da confissão de fé do indivíduo - se é protestante, católico, pentecostal, espírita, judeu, budista ou muçulmano - todos são igualmente passíveis de cometer crimes e imoralidades. Alguns deles, inclusive, são praticados exclusivamente no âmbito da religião, como é o caso dos padres que abusam de crianças e dos pastores que exploram os fiéis. Ao longo da história, a religião e o pecado deram as mãos muito mais vezes do que gostamos de admitir. Aliás, ninguém quer reconhecer isso, porque a imunidade à influência do mal é o principal "produto" que as religiões oferecem a seus adeptos. Comprovadamente, isso nunca funcionou muito bem. A verdade é que as igrejas, sinagogas e mesquitas continuam cheias, e o pecado segue sem freios nem limites dentro de uma sociedade que é extremamente mística e religiosa. Como o PhD. Russell Shedd disse em um de seus sermões: "Pode-se encontrar dentro da igreja todo tipo de pecado que encontramos fora dela". É constrangedor, mas é a mais pura verdade. Siga-me no Twitter: http://twitter.com/leodasede
Escrito por Léo Barbosa às 17h14
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Nenê dá show de bola

Numa época em que boa parte dos crentes adora Mamom, o deus do dinheiro, o testemunho de um atleta cristão me deixou positivamente impressionado. Nenê, 27 anos, jogador de basquete da NBA e um dos atletas brasileiros mais bem pagos da história, declarou à imprensa que seus planos para o futuro são: se aposentar e dedicar-se à igreja de Cristo. Seu contrato atual é de nada menos que US$ 60 milhões, válido por seis temporadas. Mas esse dinheiro todo não é páreo para o seu amor por Jesus e seu interesse pelos perdidos. Sua mais forte ambição não é ganhar mais dinheiro do que já tem. Ele planeja dedicar-se ao ministério e usar o seu testemunho pessoal (o atleta lutou contra um câncer nos testículos, tem pouco tempo) para alcançar o maior número possível de pessoas descrentes. "Minha situação financeira é estável, por que eu ia querer mais dinheiro? Não sou louco por dinheiro e acho que posso fazer o melhor pela igreja", declarou o atleta. Mais uma vez, um atleta cristão dá um show de bola e deixa uma lição importantíssima para todos os pastores e crentes materialistas do nosso tempo: dinheiro não é tudo, palavras de quem tem. Estou no Twitter: https://twitter.com/leodasede
Escrito por Léo Barbosa às 16h46
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Dez razões para repudiar os telepastores da prosperidade

O a fauna evangélica que aparece todos os sábados na TV brasileira está cada vez mais distante da verdadeira mensagem cristã. Sinceramente, não aguento mais assistir a esses pastores mal-intencionados que vendem a bênção de Deus por dinheiro (no programa que vi, um boleto de R$ 900,00, solicitado pelo telefone, garante a bênção do telefiel). Quando é que os evangélicos sérios deste país irão se unir para denunciar os estelionatários da fé, que são uma vergonha para o evangelho de Jesus Cristo?
Não tenho nenhuma pretensão de despertar desafetos entre os adeptos dessa "nova teologia", mas apresento aqui DEZ RAZÕES porque eu detesto estes charlatões da prosperidade: 1 - Oferecem um péssimo testemunho diante dos incrédulos. Ou vai me dizer que você nunca se sentiu envergonhado por saber que seus colegas descrentes abriram a Época ou a Veja no final de semana e viram mais uma série de denúncias contra os telepastores mais conhecidos do país? Eu, particularmente, morro de vergonha por causa destes pastores picaretas. 2 - Dão a entender que o favor divino tem preço. Por R$ 900,00 você pode comprar a sua bênção. O pior de tudo é que quem não tem dinheiro para fazer essa "oferta voluntária" ou esse "ato de fé", como eles dizem, não tem a menor chance de se abençoado por Deus. Ao pobre só resta assistir à prosperidade alheia. 3 - Ensinam os crentes a amar o dinheiro. Estamos diante da primeira geração brasileira de cristãos evangélicos materialistas. Eles amam mais o dinheiro do que a Deus, e estão dispostos a qualquer coisa para prosperar. Compram arcas ungidas, óleos abençoados, água energizada pelo apóstolo etc. Não se ama mais a Deus pelo que Ele é, mas pelo que Ele pode dar àqueles que fazem as campanhas certas. Enquanto isso, a Bíblia continua dizendo: "o amor ao dinheiro é a origem de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos" (1Tm 6.10). 4 - Exploram pessoas sem nenhuma instrução bíblico-teológica. As principais vítimas desses pastores são neófitos biblicamente analfabetos, dispostos a aceitar qualquer interpretação da Bíblia que for oferecida a eles. Muitos, aliás, são incapazes até mesmo de ler e compreender as Escrituras sozinhos, devido à falta de cultura e de acesso à educação e ao letramento. 5 - Pescam em aquário alheio. Os tais telepastores procuram atrair crentes de outras igrejas para as suas "reuniões da prosperidade". Ao invés de evangelizar aqueles que estão realmente perdidos, preferem fazer proselitismo entre os que já professam a fé cristã e que, por isso, já estão predispostos a pagar dízimos e dar ofertas. 6 - Sugerem que o principal problema do homem é a pobreza. Com isso, contradizem a Bíblia, que diz que o coração do problema do homem é o PECADO. A pobreza é apenas um dos incontáveis reflexos do desajuste espiritual do homem, que vive longe de Deus e em desobediência à sua Palavra. Por trás da pobreza está o pecado da exploração, a injustiça social, o descaso dos governantes e a corrupção de uma sociedade que há muito abandonou Deus. 7 - Dizem que a prosperidade é resultado direto da nossa fidelidade a Deus. Por mais bizarra que esta afirmação seja, é nisso que acredita boa parte dos evangélicos de hoje. Se isso fosse verdade, os primeiros discípulos de Jesus Cristo deveriam ser reputados como cristãos infiéis, pois morreram pobres, e foram perseguidos e desprezados pela sociedade. De outro lado, os políticos corruptos do nosso país e os atletas, que ganham milhões de euros e dólares para gastar em orgias e extravagâncias, deveriam ser considerados os melhores "amigos de Deus", devido à enorme riqueza que possuem. 8 - Usam o dinheiro do povo de Deus para ficar cada vez mais ricos. Pastores com mansões imponentes em belos pontos turísticos, contas milionárias em paraísos fiscais, jatinhos e carros importados deveriam despertar a indignação de uma igreja constituída predominantemente por pessoas das camadas mais pobres da população. Curiosamente, os gurus da prosperidade não se incomodam de ostentar sua riqueza, enquanto milhões de fiéis são assolados pela fome e vivem na mais completa miséria. 9 - Ridicularizam quem prega o evangelho autêntico, chamando-os de "escribas e fariseus". Os telepastores da prosperidade são tão pretensiosos, que chegam a dizer que aqueles que os criticam são os mesmos que condenaram Jesus à morte de cruz. Colocar-se no lugar de Jesus e chamar seus críticos de inimigos de Deus é um subterfúgio ridículo de quem tenta evitar o confronto direto, porque sabe que a sua teologia não se sustenta biblicamente. 10 - Afastam a igreja da sua verdadeira missão, que é fazer discípulos de todas as nações. É para isso que a igreja existe: para proclamar o Evangelho e levar um número cada vez maior de pessoas a seguir Jesus e obedecer à sua Palavra. Infelizmente, esta missão foi substituída por outra, muito mais atraente em uma cultura consumista como a nossa. Ficar rico a qualquer custo é o propósito áureo de boa parte dos cristãos evangélicos do nosso tempo. Por dinheiro, eles oram, jejuam, fazem campanhas, leem livros e participam de seminários. Pelos perdidos, eles não fazem basicamente nada.
Escrito por Léo Barbosa às 14h56
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Uma mistura explosiva

Quando tragédias, como a que ocorreu ontem em Santo André, acontecem, os céticos gostam de perguntar: "Onde está Deus?" A fé religiosa é questionada - pra não dizer ridicularizada - e os postulados da fé cristã são postos à prova por uma série de argumentos a favor da ideia de que estamos aqui sozinhos e, portanto, precisamos nos virar como pudermos, sem fé, sem esperança, sem Deus. Aindão serão investigadas as causas da explosão da loja que vendia e, segundo suspeita-se, fabricava clandestinamente fogos de artifício num bairro residencial do ABC. Mas uma coisa é certa: a tragédia que matou pelo menos duas pessoas e deixou feridas ou desabrigadas outras dezenas delas foi provocada por uma mistura explosiva de negligência, irregularidades, corrupção e descaso das autoridades. Se havia, à vista de todos e há tanto tempo, um estabelecimento comercial que funcionava como loja e fábrica de material explosivo e que punha em risco a vida de centenas de vizinhos, clientes e transeuntes, é porque havia: um comerciante inescrupuloso, consumidores irresponsáveis, fiscais corruptos e autoridades incompetentes e omissas. Cada peça desta engrenagem assassina foi posta e mantida no seu devido lugar por seres humanos como você e eu, e a máquina toda vinha funcionando muito bem lubrificada pelo pecado de uma sociedade que vive como se Deus estivesse morto. Certamente, há uma série de perguntas muito pertinentes a serem feitas num momento como este, a começar da mais importante delas: Onde está o homem? Até onde a ganância, o descaso e a irresponsabilidade humana nos levarão? De nada adianta, numa hora assim, erguer os punhos contra Deus, como quem diz: "Onde o Senhor está?" Parece-me muito mais conveniente ouvir de Deus aquela velha pergunta feita no Jardim do Éden: "Adão, onde VOCÊ está?"
Escrito por Léo Barbosa às 09h31
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Verdadeira adoração

Discute-se muito em que consiste a verdadeira adoração. Na verdade, a maioria das discussões se dá no campo da forma, do estilo, do ritmo e da linguagem utilizada nos louvores entoados no culto público. Mas o cerne da questão não está relacionado a estes assuntos. Em se tratando do tema adoração, o que realmente tem importância para Deus é a qualidade dos adoradores. Numa conversa com uma mulher samaritana, Jesus disse que o Pai procura adoradores. O tema da conversa entre os dois foi justamente a adoração. A mulher estava preocupadíssima com as questões exteriores que circundam o assunto. Ela queria saber qual a forma, o local e a tradição religiosa que melhor propiciavam a verdadeira adoração. Neste aspecto, ela se parece muito com os religiosos do nosso tempo. Eles estão sempre dispostos a travar discussões intermináveis sobre quais ritmos, instrumentos, lugares, expressões corporais e trajes podem ou não podem estar presentes no culto a Deus. Ao responder às perguntas da mulher samaritana, Jesus redirecionou-a para aquilo que realmente importa para Deus: o estado do coração. É no coração, e não no palco, que acontece a verdadeira adoração. É o coração que Deus sonda, à procura de verdadeiros adoradores. A teologia da adoração apresentada por Jesus à mulher samaritana dizia basicamente uma coisa: "Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24). As implicações do que Jesus disse são bastante óbvias. Primeira: para Deus, a adoração é muito mais interior que exterior. Ela existe essencialmente no coração do indivíduo que se aproxima de Deus. Adorar Deus "em espírito" significa basicamente adorá-lo interiormente. Noutra ocasião, Jesus criticou duramente a adoração que é só exterior. Citando o profeta Isaías, Ele disse: "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". O resultado de tal incoerência é este: "Em vão me adoram" (Mateus 15.8-9). Segunda: para Deus, a adoração tem muito mais a ver com o modo como se vive, do que com a forma como se canta. Aliás, nossas canções e orações só fazem sentido, quando acompanhadas por um tipo de vida que agrada a Deus. Se a nossa vida não glorifica a Deus, nosso culto certamente não o fará. Adorar a Deus "em verdade" está relacionado a isso. É preciso adorá-lo inspirado e alicerçado na verdade da sua Palavra, mas também é preciso adorá-lo em obediência a ela. Temos de viver e andar na verdade, para que a nossa adoração faça sentido. As verdades que cantamos precisam ser demonstradas na prática em nosso viver diário. Só verdadeiros adoradores podem produzir verdadeira adoração. Adorar a Deus tem de ser, antes e acima de tudo, uma atitude interior e coerente com nosso estilo de vida. Se não entendermos isso, aquilo que nós gostamos de chamar "adoração", Deus continuará chamando "encenação". Vamos continuar cantando, levantando as mãos, batendo palmas e sacudindo o corpo. Mas, para Deus, isso será mera coreografia.
Escrito por Léo Barbosa às 08h13
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Não existe evangelho sem cruz

Um falso evangelho tem ameaçado a teologia e o testemunho da igreja evangélica brasileira nas duas últimas décadas. As “boas novas” desse evangelho não dizem respeito à reconciliação com Deus e com o próximo, à redenção da alma ou à vida regenerada que glorifica Cristo. Tal evangelho faz tudo girar em torno do homem e de suas supostas necessidades e substitui o anseio pela glória celestial por um desejo insaciável pela glória deste mundo, que se resume em riqueza, prazer, poder e sucesso. O problema fundamental desse falso evangelho é a ausência da cruz. A cruz está no centro da mensagem cristã. Ela é prenunciada em todo o Antigo Testamento, desde a maldição proferida por Deus contra a serpente (Gn 3.15) e do primeiro animal morto no Éden (Gn 3.21). Ela é encenada nos rituais de expiação prescritos em Levítico e pode-se vislumbrá-la nas profecias de Isaías acerca do Messias sofredor (Is 53). A realidade e os efeitos da cruz são dramatizados nas celebrações da ceia e do batismo. Ela foi o assunto da conversa entre Jesus, Moisés e Elias, no monte da transfiguração (Lc 9.31). E era sobre o Cristo da cruz que o apóstolo Paulo pregava e escrevia incansavelmente (1Co 1.23; 2.2). A cruz de Cristo é também a nossa. Jesus disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Vivemos em um “mundo que não diz não a nada”, como disse Francis Schaeffer. Mas somos convocados a dizer não a nós mesmos e a tomar a nossa própria cruz. Carregar a cruz é meter-se num caminho só de ida, rumo à própria morte. Seguir Jesus é entregar-se completamente aos seus cuidados. É deixar que ele decida o que é melhor para nós o tempo todo. É morrer para o mundo, ao invés de esperar conforto e popularidade. A cruz é o único caminho para a glória. Ela não é a última palavra sobre a vida de um cristão, assim como não foi a última palavra sobre a vida de Cristo. Depois da cruz e dos sofrimentos por ela infligidos, Cristo foi ressuscitado e exaltado (Fp 2.9). De igual modo, os sofrimentos dos cristãos “não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8.18). Por isso, tomar a cruz não é abrir mão da felicidade, mas é recusar-se a trocar a verdadeira felicidade, pelas imitações baratas de um mundo sem Deus. Sem cruz não há cristianismo nem salvação. Não existe evangelho sem cruz. Portanto, qualquer ensino que ofereça a glória sem anunciar a cruz deve ser “amaldiçoado” (Gl 1.8-9). Qualquer tentativa de afastar-nos da cruz deve ser reconhecida imediatamente como uma estratégia de Satanás para impedir-nos de desfrutar a maravilhosa salvação, disponível ao homem unicamente por meio da cruz de Cristo (Mc 8.31-33). Siga-me no Twitter: http://twitter.com/leodasede
Escrito por Léo Barbosa às 22h51
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XX - O sofrimento dos que creem terá um fim

Como vimos, o sofrimento não esteve sempre presente no mundo. Ele tem sua origem no pecado humano. Quando decidiram se rebelar contra Deus e desobedecer sua vontade, nossos primeiros pais abriram as portas do universo para a dor - não só a humana, mas a cósmica. Como resultado, todas as gerações e povos que viveram depois de Adão e Eva experimentaram alguma forma de sofrimento, independentemente de raça, credo, idade, sexo ou condição social. O sofrimento se impõe aos seres humanos, desde o nascimento. Mesmo aqueles que creem em Jesus Cristo e o servem conhecem de perto o sofrimento. Algumas vezes, aliás, eles sofrem ainda em maior intensidade que os incrédulos, pois vivem em um mundo que está em franca rebelião contra Deus e, consequentemente, contra seus filhos e filhas. Sendo assim, qual a esperança dos cristãos, ante a universalidade e implacabilidade do sofrimento? Em que difere o sofrimento dos cristãos e o dos não cristãos? É verdade que os cristãos também são surpreendidos pelo sofrimento muitas vezes. No entanto, eles têm a certeza de que o seu sofrimento - seja ele qual for - terá um fim. A Palavra de Deus diz: "Ele (Deus) enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Ap 21.4). Um dia Deus dará um basta a toda forma de sofrimento e injustiça presentes hoje no mundo. Ele cuidará, Pessoalmente, de cada um de seus filhos e filhas. A maior esperança dos cristãos não é conquistar o sucesso, comprar uma casa própria, um carro novo, ganhar na Mega Sena ou coisa que o valha. Os falsos evangelhos que prometem todas essas coisas simplesmente desconsidera a maior de todas as promessas da Bíblia: a eternidade. Ao prometerem uma versão terrena (e empobrecida) do céu, antes da eternidade, os telepastores de hoje roubam dos seus fiéis a mais bendita de todas as esperanças acalentadas pela Palavra de Deus. E, ao fazer isso, tornam a vida dos crentes tão miserável quanto a de qualquer ateu ou agnóstico.
Escrito por Léo Barbosa às 15h28
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IX - Podemos vencer o sofrimento

Ao contrário do que muitos cristãos modernos pensam, vencer o sofrimento não é o mesmo que desviar-se dele. Pelo contrário, a verdadeira vitória está em atravessá-lo sem perder a fé.
Como já vimos, o sofrimento é uma experiência humana universal. Ninguém está livre dele - homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, ricos, pobres, brancos, negros, vez ou outra, são inevitavelmente afligidos pelo sofrimento. No entanto, isso não quer dizer que serão necessariamente derrotados por ele.
Como cristãos, podemos ser pressionados, perseguidos ou abatidos, mas não precisamos ficar desanimados, desesperados ou ser destruídos, pois nunca seremos abandonados por Deus (2Coríntios 4.7-9). Portanto, também não devemos abandoná-lo.
Paulo diz que temos boas razões para não desanimar, mesmo em meio ao sofrimento. Ele diz:
“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimento leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.” (2Coríntios 4.16-17)
A nossa vitória está em atravessar “o vale da sombra da morte”, sem perder a esperança, sem perder de vista que o Bom Pastor está conosco no vale, e atravessa-o conosco, enquanto sua vara e seu cajado nos consolam e protegem.
Quando perdemos isso de vista estamos desperdiçando o sofrimento, e abrindo mão de todos os benefícios provenientes dele. Nem preciso repeti-los aqui, pois vimos falando sobre alguns destes benefícios ao longo dos últimos textos postados no blog.
Que Deus nos ajude a entender que felicidade não é ausência de sofrimento, mas é a preservação da esperança, mesmo em meio ao sofrimento – essa bendita esperança que lança luz sobre o sofrimento e norteia a nossa vida, enquanto o sofrimento não vai embora.
Escrito por Léo Barbosa às 16h05
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VIII - O sofrimento destrói o orgulho

Pior do que sofrer, é atravessar o sofrimento sem extrair dele alguma experiência. E, de todas as experiências que depreendemos do sofrimento, nenhuma tem efeito mais devastador sobre o nosso orgulho do que a experiência da dependência. Desde que a serpente do Paraíso convenceu os nossos primeiros pais a tomarem o fruto proibido, para dele obterem alguma espécie de emancipação - como se a paternidade soberana de Deus fosse algo de que devessem se alforriar - os seres humanos têm verdadeira obsessão pela autonomia, isto é, pelo direito e pela capacidade de se governarem por si mesmos, moral e intelectualmente desligados do seu Criador.
Com a natureza pecaminosa que herdamos de Adão e Eva, também sofremos a influência de tal obsessão. Acreditamos na falácia de Satanás. Aquela mentira destilada pela antiga serpente, há milênios, é uma das principais energias que movem a sociedade e o homem moderno. Isto é, o desejo de conduzir-se a si mesmo, submetendo-se apenas aos ditames da própria consciência, a despeito de quaisquer regras, avisos ou ordens divinas, ainda é a mais grave moléstia do coração do homem.
Portanto, não é nada surpreendente que Deus tão freqüentemente se utilize do sofrimento, como instrumento de remoção do nosso orgulho e como limitador para o nosso enganoso senso de independência ou autonomia. Quando Deus nos coloca em um leito de hospital, por exemplo, sob os cuidados intensivos de estranhos, dos quais dependemos totalmente, inclusive, para nos mover, nos higienizar ou para o alívio da nossa dor, descobrimos que o nosso sentimento de onipotência é absolutamente proporcional à nossa real impotência.
Não! Não somos Deuses! E não há nada que exponha mais claramente esta verdade do que o sofrimento infligido a nós por forças que, implacavelmente, se sobrepõem à nossa. Não é sem razão que o apóstolo Paulo se deu conta da importância do sofrimento, como sinalizador de nossa total dependência de Deus e de sua graça, e como moderador do nosso orgulho espiritual. Após orar por três vezes, para que Deus o livrasse de um "espinho na carne" pelo qual era continuamente atormentado, Paulo obteve a seguinte resposta de Deus: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2Coríntios 12.9). A conclusão a que o próprio apóstolo chegou, após tal episódio, foi esta: "Para impedir que eu me exaltasse (...) foi me dado um espinho na carne" (v. 7).
Escrito por Léo Barbosa às 11h22
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VII - O sofrimento tem uma função didática

Deus é justo. A vida, nem sempre. O fato é que boa parte dos sofrimentos que nos sobrevém ao longo da vida é inexplicável e injustificável. Às vezes, estamos sofrendo sem que tenhamos feito nada para merecer isso. Nessas horas, por mais que examinemos a nós mesmos, chegaremos à conclusão de que aquilo que nos faz sofrer é absolutamente injusto. Mas mesmo nesses casos, é possível extrair benefícios do sofrimento, ao considerarmos a sua função didática.
Veja o que Paulo tem a dizer sobre o assunto: "Bendito seja o Deus (...) que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações" (2Coríntios 1.3,4). Segundo o autor, um dos benefícios práticos do sofrimento é que o próprio Deus nos consola no meio da dor, nos tornando aptos a consolar outros. O sofrimento tem esse efeito benéfico de nos tornar mais sensíveis à aflição alheia. Após sofrermos, desenvolvemos uma habilidade especial de nos colocar no lugar de quem sofre e, então, lhe comunicar as lições que Deus ministrou pessoalmente a nós.
Mas Deus não nos ensina apenas por meio do sofrimento injusto. Mesmo quando sofremos as conseqüências dos nossos próprios erros e pecados, Deus não desiste de nós. Ele continua a nos ensinar lições sobre a Sua justiça, a Sua misericórdia e a Sua vontade. O salmista Davi aprendeu muito bem essa lição. Ele disse: "O castigo que tu me deste foi muito bom para mim; só assim aprendi a pôr em prática os teus mandamentos" (Salmo 119.71). Nesse sentido, os sofrimentos que nos sobrevém quando nos desviamos da vontade de Deus também têm uma função didática. Muito mais do que simplesmente nos punir, quando fazemos algo errado, o que Deus pretende de fato é nos ensinar os benefícios de acolhermos e de praticarmos todos os Seus mandamentos.
Portanto, da próxima vez que estivermos sofrendo, justa ou injustamente, devemos nos perguntar que lições Deus pode estar querendo nos transmitir por meio da dor. É bem verdade que nem sempre encontraremos respostas para a pergunta: "Por que estamos sofrendo?" Mas se fizermos a pergunta certa, sempre obteremos respostas. Que tal começarmos por estas perguntas: "Para que estamos sofrendo?" ou "O que Deus deseja me ensinar por meio do sofrimento?"
Escrito por Léo Barbosa às 11h42
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VI - Podemos ser gratos, mesmo em meio ao sofrimento

A Bíblia ensina que Deus está sempre administrando tudo soberanamente, assumindo pessoalmente a responsabilidade de conduzir a nossa história rumo ao alvo que Ele mesmo estabeleceu previamente para cada um de nós. "Deus age em todas as coisas", escreveu o apóstolo Paulo. No final das contas, mesmo as coisas ruins que nos acontecem acabam cumprindo papel importante nos planos de Deus para a nossa vida. O desemprego pode conduzir a uma dependência maior de Deus, uma enfermidade pode forjar a humildade em nosso caráter, uma decepção pode nos levar a confiar somente Nele, e por aí vai.
Tendo em vista a certeza de que Deus está sempre movendo a nossa história em direção à Sua boa, agradável e perfeita vontade, a despeito das tragédias que nos afligem ao longo da vida, já temos motivos suficientes para demonstrar gratidão, mesmo quando estamos afundando em um oceano de dores. Isso não quer dizer que ficamos felizes com as coisas ruins que nos acontecem nem que chamamos de "bom" aquilo que é "péssimo". Não comemoramos o desemprego nem celebramos a enfermidade. Não ficamos felizes, quando alguém trai a nossa confiança nem aplaudimos enquanto uma família é devastada pelo divórcio.
É claro que nós choramos, passamos noites insones e gritamos por socorro na hora da dor. Mas a diferença entre o nosso sofrimento e o sofrimento dos que não têm fé está justamente na confiança que depositamos em um Deus que pode tudo e que faz tudo visando o nosso bem. Cremos em um Deus que é o Senhor da História. Da História da humanidade e da nossa história. E é justamente por causa desta fé que podemos nos lançar nos braços de Deus em confiança e gratidão, fazendo coro com Jó, que em meio à calamidade que se abateu sobre sua vida, teve a capacidade de dizer: "Nu saí do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor" (Jó 1.21).
Escrito por Léo Barbosa às 11h18
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V - Quase todo sofrimento pode ser diminuído

Por que Deus permite que tragédias aconteçam? Qual o propósito divino para o sofrimento humano? O que Deus deseja ensinar aos seus filhos, por meio da dor? Estas e outras tantas perguntas a respeito dos infortúnios da vida têm estimulado a produção de inúmeras teorias (e "teologias") a respeito da problemática do sofrimento. Contudo, creio sinceramente que estas não são as perguntas mais importantes que se deve fazer ante a dor e a aflição alheia. Muito mais pertinente do que todas as questões acima, a pergunte que devemos responder é: "O que nós podemos fazer por quem sofre?"
Ao longo do último mês, assisti a inúmeras reportagens sobre o acidente envolvendo o vôo 3054 da TAM. Mas uma delas chamou minha atenção mais do que todas as outras. Dentro da área isolada, uma jovem com roupas comuns providenciava socorro às vítimas, correndo entre os bombeiros e policiais. Patrícia Siqueira é uma comissária de bordo que mora ao lado do terminal de cargas atingido pelo Airbus da TAM. Ela viu, da janela do seu apartamento, o momento da grande explosão. Enquanto todas as testemunhas da tragédia só conseguiam se perguntar: "o que é isto?" ou "por que isto foi acontecer?", a jovem agiu. "Foi tempo de eu dizer: 'minha nossa!', aí eu calcei o meu tênis, peguei minha luva e fui pra lá", descreveu ela. Poucos minutos depois, já estava envolvida no resgate. Patrícia foi responsável direta por encontrar o poço do elevador do prédio em chamas, o que possibilitou que os bombeiros salvassem algumas das pessoas que trabalhavam no prédio. Em meio a toda aquela tragédia, envolvendo dezenas de vítimas fatais e centenas de expectadores estupefatos, uma pessoa comum decidiu descruzar os braços e intervir, na tentativa de diminuir a dor de outrem.
Não é todos os que um Airbus da TAM invade o prédio dos nossos vizinhos. Mas todos os dias esbarramos em pessoas aflitas e desesperadas, que clamam (às vezes, silenciosamente) por socorro, esperando que alguém se incomode e decida intervir em suas histórias. Enquanto boa parte dos cristãos fica se debatendo em questões teológicas e filosóficas sobre a experiência, as causas e os propósitos do sofrimento humano, Deus e o mundo esperam que pelo menos alguns de nós simplesmente calcem seus tênis, peguem suas luvas e "corram para lá", ao encontro daqueles que sofrem, enquanto os experts no assunto "correm de lá", a fim de desenvolver novas teorias a respeito da dor. Que tipo de pessoa você tem sido?
Escrito por Léo Barbosa às 10h11
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