Tratos e contratos para toda a vida

 

Todo relacionamento é feito de acordos. Isto é, se queremos construir qualquer tipo de relação com outra pessoa, precisamos estabelecer convenções, tratados e pactos com ela, devidamente costurados pela combinação das nossas vontades e motivados por um objetivo em comum: o bem estar de ambos. É assim que funciona nas relações de trabalho, nas amizades, na família e, sobretudo, na relação a dois.

O casamento, por exemplo, é como uma "conta conjunta", em que tanto o marido como a esposa devem regularmente efetuar "depósitos" e "saques", conforme o necessário. Traduzindo: ambos precisam assumir igualmente a responsabilidade de investir na relação: tempo, dinheiro, atenção, cuidado, dedicação, afeto, devoção e amor sacrificial; ao mesmo tempo em que, conforme suas necessidades pessoais, usufruem todos estes benefícios proporcionados pela relação e pelo parceiro. Quando não existe equilíbrio na doação e no usufruto de todas estas coisas, a relação a dois fica fadada ao fracasso, e as pessoas envolvidas sentem-se frustradas e desiludidas.

Para alcançar este tipo de eqüidade relacional no casamento, é preciso estabelecer acordos prévios, que lidam com questões simples, mas muito importantes, sobre as quais se deve firmar pactos para toda a vida. Por exemplo: Que tipo de parceiros conjugais queremos ser? Como queremos tratar um ao outro? Como iremos resolver nossas diferenças? Como vamos nos relacionar com as famílias um do outro? Como iremos retribuir um ao outro as coisas boas e ruins que fizermos? Que lugar o trabalho e o dinheiro irão ocupar em nossa relação e em nossas vidas? Quantos filhos gostaríamos de ter? Como iremos educá-los e discipliná-los? Etc. etc. etc. A menos que estes e tantos outros assuntos sejam abertamente conversados e acordados, os votos matrimoniais firmados diante do juiz, das testemunhas e de Deus, se mostrarão frágeis demais para sustentar a relação entre os cônjuges, e ambos se sentirão cronicamente traídos e mau amados.



Escrito por Léo Barbosa às 11h33
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As marcas do verdadeiro arrependimento

Nem sempre é fácil descobrir se uma pessoa está realmente arrependida. Os seres humanos são especialistas na arte de dissimular. Demonstramos alegria, mesmo tristes. Fingimos contrição diante do problema de outrem, sem que suas dores nos incomodem de fato. Passamos a vida tentando transparecer simpatia, solicitude e sensibilidade, mesmo quando a única coisa que consegue despertar nosso real interesse é o nosso próprio bem estar. No teatro da vida, onde aprendemos atuar desde cedo, o "pecador arrependido" é só mais um dos personagens que arriscamos interpretar. Contudo, o arrependimento genuíno possui algumas marcas que dificilmente podem ser falsificadas. A Bíblia descreve pelo menos quatro atitudes que distinguem aqueles que realmente estão arrependidos, daqueles que apenas fingem estar. Vejamos quais são elas:

Confessar. Pessoas genuinamente arrependidas admitem que estão erradas. Assim como o doente precisa admitir os sintomas, para auxiliar o médico no processo de cura, o pecador precisa reconhecer sua culpa, antes de obter perdão. O escritor John Ortberg, diz que "precisamos confessar a fim de sermos curados e transformados". A razão porque muitas pessoas não conseguem se livrar da culpa e do domínio do pecado é, simplesmente, porque não têm coragem suficiente para confessar suas faltas e pedir socorro. O resultado é que elas se tornam escravas da culpa e da solidão. Pois, como escreveu o teólogo Dietrich Bonhoeffer: "Aquele que está sozinho em seus pecados, está completamente só".

Deixar. Pessoas genuinamente arrependidas se esforçam para abandonar o pecado. Ninguém pode se dizer arrependido, se não dá nenhuma demonstração de que está decidido a interromper imediatamente sua prática pecaminosa. Confessar um pecado, sem intenção alguma de abandoná-lo, é a mais pura hipocrisia. O escritor Lewis Smedes, pergunta: "Por que esperar que alguém leve a sério a sua confissão, a menos que você prometa não fazer de novo?" Os cristãos do passado odiavam o pecado, temiam cair em suas garras, fugiam dele, e lamentavam profundamente quando ficavam presos em suas armadilhas. Hoje, é comum encontrarmos cristãos que praticam sistematicamente pecados dos quais se dizem arrependidos.

Substituir. Pessoas genuinamente arrependidas substituem a prática pecaminosa, pela prática do bem. A Bíblia diz que abandonar o pecado é apenas metade do caminho por onde o verdadeiro arrependimento nos conduz. Uma pessoa genuinamente arrependida não só deixa o pecado, como também substitui a prática pecaminosa, por uma outra, que seja autenticamente cristã. O apóstolo Paulo diz que aquele que o pecador arrependido, deve: "abandonar a mentira e falar a verdade (...) o que furtava não furte mais; antes trabalhe (...) nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for últil para edificar os outros (...) livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam honestos e compassivos uns para com os outros" (Efésios 4.25-32). Segundo as Escrituras, não basta o pecador abandonar o pecado. Ele precisa cultivar a prática do bem.

Reparar. Pessoas genuinamente arrependidas procuram reparar as conseqüências dos erros que cometeram. É claro que nem sempre é possível fazer isso, mas todas as vezes que for possível, também será necessário fazê-lo. Quem se diz arrependido de ter furtado algo, mas se sente à vontade para continuar usufruindo do produto do roubo, está mentindo ou não conhece o verdadeiro significado da palavra arrependimento. Em Mateus 19, a Bíblia relata o encontro salvífico de Jesus e Zaqueu, um funcionário público corrupto que servia as forças opressoras do Império Romano. Este encontro provocou em Zaqueu um sincero arrependimento por seus atos de corrupção ativa e de improbidade financeira, que se traduziu no compromisso de dar metade dos seus bens aos pobres, e de restituir o dinheiro extorquido a todas as vítimas da sua desonestidade. O pastor Waldir Salum diz que: "Sempre que Deus o iluminar, você deve estar disposto a lidar com o seu pecado, qualquer que seja ele, não se importando com a sua imagem diante dos homens nem levando em conta o prejuízo".

Qualquer pessoa que não exibe estas marcas, demonstra um arrependimento artificial e insuficiente, e ainda se revela inapta para desfrutar de todos os benefícios da graça de Deus, disponíveis até mesmo aos piores pecadores, quando estes se arrependem sinceramente dos seus pecados.



Escrito por Léo Barbosa às 12h10
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O perdão não é para todos

Não existe pecado que Deus não perdoe! Graças a Deus! Contudo, há um tipo de pecador que não encontra acesso a esse perdão - aquele que não se arrepende. Não porque Deus não esteja disposto a perdoá-lo, mas simplesmente porque ele não enxerga a necessidade de buscar o perdão. Há uma infinidade de textos na Bíblia, que descrevem o coração benevolente de Deus, perdoando os mais vis pecadores. Mas todos esses textos impõem como condição - para obter acesso a esta benevolência - o arrependimento.

Em Provérbios 28.13, por exemplo, a Bíblia diz: "Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia". No Novo Testamento, a tônica continua a mesma. Em 1João 1.9, a Bíblia diz: "Se confessarmos os nossos pecados, ele [Deus] é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça". Em ambos os casos, fica evidente a necessidade de arrependimento. Em todas as situações em que Deus perdoa um pecador, o processo é sempre o mesmo: primeiro vem a ofensa, depois vem a consciência de pecado, seguida pelo arrependimento e confissão e, por último, o acesso ao perdão. Nunca o contrário.

Apesar disso, os crentes fazem muita confusão, quando se trata de praticar o perdão no âmbito de suas relações interpessoais. Já perdi a conta, por exemplo, de quantas vezes ouvi crentes contarem "testemunhos" de como agiram de modo "cristão", pedindo perdão àqueles que os haviam ofendido, por presumir que esta fosse uma exigência de Deus para eles. O que é um engano. Não há nenhuma passagem em toda a Bíblia que ensine o ofendido a pedir perdão ao ofensor, a menos que ele também tenha algum grau de culpa ou responsabilidade na situação que provocou a ofensa. Do contrário, aquele que sofreu a ofensa deve oferecer perdão, e não pedir perdão, àquele que o ofendeu. E, mesmo assim, não é em todos os casos que isso deve acontecer.

Jesus ensinou que: "Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão" (Mateus 18.15). O ofendido não tem o dever de perdoar compulsoriamente o ofensor, mas tem a obrigação de tentar conduzi-lo ao arrependimento, isto é, à admissão da culpa. A menos que isso ocorra, o acesso do pecador ao perdão fica interrompido por período indeterminado, até que este reconheça a natureza pecaminosa da sua ofensa e se arrependa. E, para conduzi-lo por esse caminho, o ofendido deve utilizar todos os meios possíveis, em nome do amor.

Reter o perdão também pode ser um gesto de amor. Pois oferecer perdão a quem não enxerga o próprio pecado, é aplainar o caminho que o conduzirá à sua própria ruína existencial. Perdoar o ofensor, enquanto ele não se arrepende, é o modo mais eficaz de encorajá-lo a permanecer no erro. Em muitos casos, o caminho para o arrependimento tem de passar pelos sombrios vales das conseqüências do pecado. E perdoar quem não vê a si mesmo como pecador, é poupá-lo dessas conseqüências. Isto é, oferecer perdão a um pecador obstinado não passa de um grande desserviço ao propósito que Deus tem de conduzi-lo ao arrependimento e à cura. Fazer isso, em nome de Jesus, é pretender ser mais cristão que o próprio Cristo.



Escrito por Léo Barbosa às 09h54
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Uma religião de esperança

Alguém já disse que "viver é sofrer". E, de certa forma, é verdade. Nascemos envoltos no sofrimento. E esse é só o começo de uma longa trajetória pontuada pela dor. A vida é repleta de dolorosas despedidas. Nossos relacionamentos acabam, perdemos pessoas a quem amamos e somos frustrados por nossas próprias limitações. Vivemos em um mundo afligido pelo mal. Forças hostis rugem contra nós e somos constantemente ameaçados pelo caos. Estamos cercados pelas injustiças da vida, pelas catástrofes naturais e pela perversidade do homem, enquanto a própria morte acena para nós.

Não é sem razão que tantas pessoas considerem a vida absolutamente sem sentido. No final das contas, até as nossas mais nobres aspirações perdem o significado. Como escreveu o sábio rei Salomão, a busca pelo dinheiro, pelo prazer, pela boa fama e pelo sucesso não passa de uma corrida desesperada "atrás do vento".

Neste oceano de desordem, o Cristianismo desponta como a única resposta possível para os anseios da humanidade. Só o Cristianismo consegue dar respostas, encontrar sentido e oferecer esperança para o caos da existência. Para os cristãos, o sofrimento é fruto da flagrante rebelião do homem, contra Deus - da criatura, contra o Criador. Na teologia cristã, a História só faz sentido, porque por trás e por baixo dela, existe um Deus Onipotente, que rege cada cena, para cumprir o Seu plano. Segundo as promessas do Cristianismo, chegará o dia em que Deus varrerá definitivamente o mal da face da Terra, e revelará o Supremo Bem, para o qual tudo o que existe foi criado. Tudo isso é que faz do Cristianismo uma extraordinária religião de esperança.



Escrito por Léo Barbosa às 01h30
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À espera do par ideal

Não é de hoje que muitas mulheres vivem à espera de um príncipe encantado. Ele não precisa necessariamente vir montado em um cavalo branco, mas também é melhor que não apareça em forma de sapo. Na verdade, a maioria dos solteiros - homens e mulheres - ainda espera encontrar alguém a quem valha a pena chamar de "par ideal". Como se pares ideais de fato existissem.

Entre os cristãos evangélicos, por exemplo, desenvolveu-se o mito das "Rebecas" e dos "Isaques" encantados, por quem muitos "encalhados" insistem em esperar. Há, ainda hoje, muitos cristãos que esperam surgir em seu caminho a pessoa ideal, feita sob medida, e com quem devem namorar, noivar e casar, seguros de estarem fazendo a vontade de Deus. O tal mito procura apoio na história do Isaque original, filho de Abraão, para quem o próprio Deus escolheu e preparou a noiva - a tal Rebeca (Gênesis 24).

O único problema desse mito é que não há nenhum outro registro, nas Escrituras, de um casamento "arranjado" diretamente por Deus. De modo geral, a Bíblia conta a história de pessoas que se uniram porque se apaixonaram ou porque foram prometidas em casamento por suas famílias. A história de Isaque e Rebeca é uma exceção, e não uma regra. Outro fator importante, do qual as pessoas às vezes se esquecem, é que Isaque foi filho de uma promessa que Deus fez a Abraão. Ele também foi um dos patriarcas da nação de Israel e um dos antepassados mais proeminentes de Jesus Cristo. Tudo isso torna a sua história singular e irrepetível.

Afinal, por que tantos cristãos insistem em esperar que Deus lhes prepare e aponte com quem eles devem se casar? Engana-se quem acredita que suas motivações sejam o puro fervor espiritual ou o medo sadio de desagradar a Deus. Ao contrário, suas razões são - na maioria das vezes - puramente egoístas. O que esses cristãos têm, sim, é um paralisante medo de errar e de se machucar. Além disso, acreditam que empurrar a escolha para Deus seja o melhor caminho para se desviar dos problemas e encontrar a tão sonhada felicidade. Eles se esquecem que Isaque e Rebeca, como qualquer outro casal, também enfrentaram sérios problemas em seu casamento. E a família que constituíram era tão "desajustada" como as famílias que conhecemos hoje, apesar de terem sido escolhidos um para o outro, pelo próprio Deus.

Portanto, os cristãos solteiros precisam despertar para a realidade de que repousa sobre eles próprios a responsabilidade de escolher com quem querem começar um relacionamento, que irá durar o resto de suas vidas. Esta é uma escolha importantíssima! E se quisermos realmente construir um relacionamento feliz, saudável e duradouro, devemos nos guiar pelos princípios espirituais revelados por Deus, na Bíblia Sagrada. Esperar que Deus coloque uma setinha vermelha piscando sobre a cabeça do nosso príncipe ou princesa encantada é correr, desnecessariamente, um grande risco de acabar ficando sozinho ou, o que é bem pior, de ser laçado pelo primeiro "sapo" oportunista que aparecer na nossa frente.



Escrito por Léo Barbosa às 11h16
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Culto à moribundice espiritual

Ando meio enfastiado com o crescente número de cristãos que vêm prestando um verdadeiro culto à moribundice espiritual. Entendo que os crentes não são perfeitos, e sim perfeitamente perdoados. Entretanto, usar esta verdade para justificar uma vida de pecado, é uma das maiores incoerências de quem ainda não conseguiu compreender plenamente o Evangelho de Jesus Cristo.

Obviamente, não somos perfeitos. A Bíblia diz que todo cristão vive sob uma perene tensão entre duas naturezas que habitam o seu interior - a natureza divina, que é o próprio Cristo vivendo nele, por meio do Espírito Santo; e a sua própria personalidade, que o apóstolo Paulo chama de "carne", isto é, a natureza pecaminosa, que se recusa a submeter-se à Lei de Deus, nos impedindo de agradá-lo perfeitamente.

Mas somos perfeitamente perdoados. A mesma Bíblia que denuncia o nosso pecado, também nos aponta para a maravilhosa graça de Deus. Paulo diz que "onde aumentou o pecado, transbordou a graça". Uma das frases mais proferidas por Jesus, em seu ministério, foi: "Os teus pecados estão perdoados". Não há pecado que Deus não perdoe. Todas as vezes que trouxermos a Ele as nossas culpas, encontraremos a Sua graça e o Seu perdão, disponíveis a nós, por causa do sacrifício de Cristo, na cruz.

No entanto, não se deve beber o veneno do pecado no cálice da graça de Deus. Tenho visto muitos cristãos usando a liberdade que a graça lhes oferece, para dar ocasião à carne. Eles insistem tanto em ostentar suas próprias mazelas espirituais, que fazem o pecado parecer virtude. O seu conformismo em relação à condição espiritual miserável em que vivem, faz a santidade parecer uma fantasia distante e irrealizável. Eles parecem não ter aprendido ainda que o Cristianismo bíblico não nos oferece apenas perdão para as nossas culpas, mas também libertação do domínio do pecado sobre as nossas vidas. Esses moribundos espirituais assumidos precisam urgentemente enxergar em Cristo, não apenas um compassivo Salvador, capaz de salvá-los, mas também um poderoso Senhor, ao qual deveriam pelo menos tentar se submeter.



Escrito por Léo Barbosa às 11h28
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Por trás do muro da lei

Eu sempre fiz coro com os cristãos que comemoram a libertação do legalismo. Jamais tive receio de denunciar os abusos dos líderes que torcem as Escrituras e colocam sobre os ombros dos membros de suas igrejas um jugo que eles mesmos nunca tiveram a intenção de carregar. Meus internautas mais fiéis sabem quantas vezes eu já usei este espaço para apontar os perigos do legalismo religioso, seus principais erros teológicos e as conseqüências trágicas produzidas pelos exageros do fanatismo.

Dez anos atrás, quando demos os primeiros passos para derrubar o muro do legalismo que embaraçava o avanço da nossa igreja, eu era um dos entusiastas que empunhavam suas marretas. Minha paixão pela Verdade e minha luta para libertar a igreja do religiosismo vazio e dos usos e costumes, que tanto oprimem nossos irmãos, não diminuíram nada de lá pra cá. Mas aprendi algumas lições importantes no meio caminho.

Aprendi que, quando derrubamos o tal muro, nos deparamos com um outro, muito maior do que ele. Todos os que celebram a libertação da Lei de Moisés, precisam se submeter voluntariamente à Lei do Amor. Livrar-se dos usos e costumes de uma denominação, por exemplo, não nos confere nenhuma licença para cultivar um estilo de vida mais frouxo moralmente. Pelo contrário, a Lei do Amor é muito mais restritiva, implacável e austera que qualquer tipo de legalismo religioso. Aprendi também que não vale a pena lutar contra o legalismo, se essa luta for motivada simplesmente pelo desejo de se ver livre de suas exigências. É preciso mais do que isso para legitimar nossa busca pela liberdade. Nossa motivação deve ser nosso amor por Cristo e por Sua igreja, e não a perigosa e egoísta paixão que nutrimos por nós mesmos. Não é errado lutar pela liberdade. Mas precisamos nos perguntar constantemente por quem estamos lutando. Se for por nós mesmos, a melhor coisa a fazer é depor as armas e buscar a paz.



Escrito por Léo Barbosa às 00h32
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Entre a mudança e a unidade

Uma das principais fontes de desentendimento entre os cristãos, é a sua atitude ante as mudanças pelas quais suas igrejas passam. Ao longo dos seus 105 longos anos de história, por exemplo, a Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Brasil sofreu diversas mudanças em sua teologia, sua liturgia e, principalmente, nos usos e costumes por ela adotados. Obviamente, essas mudanças sempre provocarão debates acirrados entre seus membros - como acontece em qualquer instituição, seja ela religiosa ou não.

Boa parte das mudanças experimentadas pela nossa igreja está relacionada aos seus usos e costumes. Por exemplo, houve um tempo em que os homens eram obrigados a andar de chapéu, as mulheres não podiam andar com os cabelos soltos, aparelhos de rádio e TV eram terminantemente proibidos aos cristãos, e evitar filhos era considerado um pecado mortal. Mas, graças a Deus, tudo isso mudou! Aliás, a igreja continua mudando, e num ritmo cada vez mais acelerado.

Naturalmente, nem todos os membros da igreja são igualmente capazes de acompanhar essas mudanças. Portanto, aqueles que enxergam a necessidade de mudar, e que anseiam desfrutar dos benefícios que as mudanças podem trazer, precisam redobrar seus cuidados para não incorrer no grave pecado de amar mais esses benefícios do que seus próprios irmãos em Cristo. Aqueles que apóiam ou promovem mudanças - mesmo as mais necessárias - têm de ficar atentos para o risco que correm de fazer do processo de mudar um rolo compressor implacável, desumano e destrutivo, com o qual passam por cima daqueles por quem Cristo morreu. Despedaçar a unidade da igreja, é um preço alto demais para ser pago, por mudanças que podem esperar um pouco mais para acontecer, ou que precisam ser mais bem trabalhadas por aqueles que foram chamados para realizá-las.



Escrito por Léo Barbosa às 03h02
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O Judas que habita em mim

O Judas no sábado de aleluia, ilustração de Jean Baptiste Debret.

Sábado foi dia de malhar o Judas. O costume foi trazido pelos espanhóis e pelos portugueses para toda a América Latina, e ainda tem grande popularidade no interior do Brasil. Na malhação do Judas, bonecos que representam o discípulo que traiu Jesus são suspensos em postes e malhados a pauladas, explodidos, queimados, cuspidos, xingados, atropelados e até mesmo fuzilados pelos participantes.

A tradição folclórica de malhar o Judas ainda é uma das mais populares da Semana Santa, e exterioriza emoções de repúdio pela traição do discípulo que entregou Jesus aos seus inimigos, por trinta moedas de prata - o preço de um escravo comum, na época. Ao refletir sobre essa manifestação cultural, eu me pergunto se, de fato, nós temos o direito de malhar o Judas. Afinal, na prática, e com muito mais freqüência do que gostaríamos, temos nos comportado exatamente como o discípulo traidor.

Quem de nós, jamais traiu a Jesus, se associando deliberadamente com pessoas que vivem em flagrante desobediência a Cristo, do mesmo modo que Judas se uniu aos líderes religiosos que planejavam como iriam dar fim ao Senhor? Quem de nós nunca chamou de "desperdício" a oferta generosa de alguém que fora alcançado pela maravilhosa graça de Cristo, assim como Judas criticou a mulher que despejara sobre os pés de Jesus um perfume de altíssimo preço? Quem de nós não foi assaltado repetidas vezes pela mesma avareza que atormentara o coração do traidor? Quem de nós não desejou desesperadamente que o tempo voltasse, consumido pelo mesmo remorso que levou Judas a cometer suicídio? Quem de nós nunca desprezou o chamado do Senhor e, ao invés de segui-lo, tomou o caminho do próprio egoísmo, do amor ao dinheiro ou da inveja, exatamente como fez Judas - o discípulo escolhido por Cristo? Ou ainda, quem de nós não permitiu - consciente ou inconscientemente - que Satanás envenenasse o seu coração, com o conta-gotas de suas mentiras, assim como o coração de Judas foi, aos poucos, sendo cheio dos próprios desígnios de Satanás?

Nunca me senti tão à vontade assim para malhar Judas, o discípulo traidor. A razão é, até certo ponto, bem simples: os meus pecados estão sempre apontando diante de mim para o pior de todos os inimigos com os quais Cristo ainda se vê obrigado a lutar todos os dias - o Judas que habita em mim.



Escrito por Léo Barbosa às 01h26
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Verdades inabaláveis sobre a Semana Santa

Em plena Semana Santa, corremos o risco de esquecer completamente aquilo que deveríamos rememorar e comemorar na Páscoa - a morte de Cristo. Nenhum outro evento, ocupa espaço maior nas narrativas bíblicas, do que a crucificação. Os evangelhos são crônicas da morte de Cristo, que nos dizem Quem Ele era, o que ensinou, e porque razão morreu. Os eventos que compõem o cenário da Semana Santa comunicam verdades inabaláveis, que dão forma e vida à nossa fé em Jesus Cristo, o nosso Cordeiro Pascal. Hoje, eu gostaria de escrever apenas sobre três dessas verdades:

Jesus é o Rei dos miseráveis. O Domingo de Ramos, como é conhecido, é o registro da "entrada triunfal" de Jesus em Jerusalém, uma semana antes da sua ressurreição. Porém, ao contrário dos desfiles dos grandes heróis militares ou políticos do seu tempo, que se assentavam em carruagens douradas, puxadas por garanhões devidamente ataviados, seguidos por soldados com armaduras reluzentes, e que traziam os estandartes capturados dos exércitos inimigos; a procissão de Jesus era formada por miseráveis, cegos, coxos, paralíticos, leprosos, crianças e pobres camponeses do interior da Palestina. Sua procissão era o retrato do Seu reino. Um reino de miseráveis, de marginalizados e de preteridos, a quem o mundo odiou, mas que encontraram nos braços de Cristo, a segurança do indestrutível amor de Deus.

Não existe evangelho, sem a cruz. É impossível ler o Novo Testamento, sem enxergar a centralidade da cruz de Cristo. Ela está fincada no centro dos quatro evangelhos. A teologia do apóstolo Paulo repousa integralmente sobre o Cristo crucificado. O batismo simboliza a nossa identificação com o Cristo da cruz. Na ceia do Senhor, os cristãos celebram a Sua morte, enquanto aguardam ansiosamente a Sua vinda. A cruz de Cristo dividiu a História ao meio - a História do mundo, e a história da vida de cada um que se abriga em sua sombra. A cruz é o lugar onde o amor e a justiça de Deus se encontram, se costuram e redesenham o Universo, com as tintas da graça. Não existe alegria duradoura, sem a cruz. Não existe esperança verdadeira, sem o calvário. Celebrar a Páscoa, é celebrar a morte substitutiva Daquele que suportou a cruz pelos nossos pecados, e sofreu a mais injusta pena de morte, para nos dar gratuitamente o maravilhoso direito à vida.

A morte não é o fim. Enquanto o Messias, crucificado, descia ao vale da sombra da morte, o silêncio de Deus assombrava o coração daqueles que O haviam seguido. Porém, a história do Deus Encarnado não terminou na cruz. O sepulcro não pode prendê-lo. As garras da morte não conseguiram detê-lo. Ao terceiro dia, no Domingo que mudou a História, a morte foi vencida, e o dom da vida prevaleceu sobre ela. O túmulo vazio declara que Cristo venceu definitivamente a morte, e fez do Seu triunfo, a nossa vitória. Na cruz, obtivemos o perdão de todos os pecados. No túmulo vazio, temos a garantia de que os nossos fracassos não são definitivos, as nossas tragédias não serão a última palavra no livro da nossa história, e a morte não será nunca mais sinônimo de fim.



Escrito por Léo Barbosa às 12h02
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A verdadeira espiritualidade, segundo Jesus

Na oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus, Deus nos ofereceu o mais belo, mais profundo e, ao mesmo tempo, mais prático modelo de espiritualidade que o homem pode experimentar. Segundo Jesus, a verdadeira espiritualidade não tem absolutamente nenhuma relação com a obediência às exigências irracionais de qualquer igreja, com a observação de uma agenda religiosa intensa, com a demonstração de dons espirituais espetaculares, nem com boa saúde física ou prosperidade material.

Do ponto de vista do Mestre, a verdadeira espiritualidade nasce de um relacionamento íntimo e pessoal com Deus. Não com o "deus" sisudo e sem graça do legalismo religioso nem com a energia cósmica impessoal dos esotéricos, mas com o Deus Pai, cujo amor incondicional é capaz de cobrir uma montanha de pecados. O Deus Pai que não é meu nem seu, mas nosso. E que nos une a todos pelos laços da maravilhosa graça revelada na cruz.

Para Jesus, essa espiritualidade é fruto da consciência de que o Nosso Pai está nos céus e de que, portanto, nosso verdadeiro lar não é aqui. E de que devemos entregar a Ele o controle sobre nossas vidas, para que a Sua vontade prevaleça sobre as nossas vontades, e assim o Seu reino seja estabelecido definitivamente em nossos corações.

Pessoas genuinamente espirituais têm convicção de que Aquele que conhece as suas necessidades, tem prazer em suprir-nos conforme a Sua vontade e generosidade. Admitem que não são impecáveis, mas aprenderam a buscar o perdão, todos os dias, nos braços do Pai. Descobriram que o mundo não é um inofensivo parque de diversões, mas um cruel campo de batalha, onde os tentáculos do Mal tentam a todo instante nos subtrair a alegria de amar e servir a Deus, acima de todas as coisas.

Uma espiritualidade assim não se esconde por trás de terços, pirâmides, cristais energéticos, meditações transcendentais, exercícios de autoflagelação ou longos jejuns. Ela está relacionada às tarefas mais práticas e comuns do dia-a-dia. Ela converte o profano em sagrado, e se aplica ao modo como nos relacionamos com o próximo, como lidamos com nossas próprias ansiedades, como nos comportamos no mundo e como nos opomos às forças escravizadoras, que oprimem política, econômica, social e espiritualmente nossos semelhantes. Essa é a única espiritualidade que, segundo Jesus, é capaz de transformar nossas vidas e colocar novamente em ordem tudo o que o pecado transformou em caos.



Escrito por Léo Barbosa às 02h59
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Casar pra quê?

Estatísticas recentes indicam que há cerca de 14 milhões de famílias desintegradas pela separação e pelo divórcio, em nosso país. Considerando os mais de 200 mil divórcios que acontecem todos os anos no Brasil, especialistas dizem que, em menos de 20 anos, a chamada "família nuclear" (marido, mulher e filhos de um único casamento) já será minoria. A estimativa é que, de cada quatro casamentos realizados hoje, um resulte em divórcio e o outro em separação.

É claro que não era para ser assim. O casamento não é uma invenção humana, como sugerem alguns teóricos, mas sim uma instituição divina. E, se foi Deus quem instituiu o casamento, é obvio que Ele o fez com alguns propósitos em mente. Podemos vislumbrar esses propósitos no registro da celebração da primeira união conjugal da História, no Jardim do Éden. Nessa passagem (Gênesis 1.26 - 2.25), Deus revelou muito claramente quais eram suas intenções para o casamento.

Primeiro propósito. O casamento foi instituído por Deus, para refletir a própria natureza divina. O autor bíblico diz que "Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gênesis 1.27). O Cristianismo confessa a fé num Deus Trinitário, isto é, que é essencialmente UM único Deus, mas que existe na forma de TRÊS pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, o Deus da Bíblia é um Deus Relacional. A dinâmica dos relacionamentos interpessoais é parte essencial da própria natureza divina. Portanto, ao se unir em casamento com um dos seus semelhantes, o homem está refletindo um dos aspectos mais sublimes do caráter do Deus Triúno, que é a busca constante pela harmonia, pela intimidade e pela mutualidade.

Segundo propósito. O casamento foi instituído por Deus, para espalhar a Sua glória no Universo criado. Em Gênesis 1.28, Deus abençoou o primeiro casal, com a seguinte ordem: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra!" Deus queria ver a Sua própria natureza refletida, por meio do homem, em toda a Criação. Seu plano eterno era que o homem espalhasse a imagem e a semelhança da Sua glória, através da reprodução sexuada, dentro de uma união exclusiva e permanente entre um homem e uma mulher.

Terceiro propósito. O casamento foi instituído por Deus, para erradicar definitivamente a solidão. Em uma das declarações mais animadoras de toda a Bíblia (sobretudo para os solteiros), Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gênesis 2.18). Deus sonhou o casamento para resgatar Adão da profunda solidão em que sua alma se encontrava, antes que Eva, o seu par, aparecesse bem diante de seus olhos.

A menos que o homem e a mulher descubram e experimentem cada um dos propósitos que Deus estabeleceu para o casamento, eles jamais conseguirão colher plenamente todos os benefícios disponíveis àqueles que se entregam à maravilhosa aventura da vida a dois. Como fazer isso? Ah... isso é um assunto para um próximo texto.



Escrito por Léo Barbosa às 03h51
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Nossas escolhas ruins...

Dizem que a vida é feita de escolhas. É verdade. A todo instante temos de tomar decisões que afetam nossa própria história e a de quem amamos. Temos de escolher como iremos reagir às intempéries, às oportunidades, às pessoas que estão à nossa volta, aos nossos próprios anseios e aspirações, e às nossas limitações físicas, sociais e emocionais. Temos de decidir o que faremos com o passado e como construiremos o futuro. Às vezes temos de escolher entre o bom e o ruim - estas são escolhas relativamente fáceis. Outras vezes, temos de escolher entre o bom e o melhor - o que pode ser bem mais complicado. Em meio a todos esses nossos dilemas, devemos estar certos de uma coisa: não existe quem não tenha feito algumas escolhas erradas. E, se a vida é mesmo feita de escolhas, ela também é o resultado de nossas escolhas ruins.

Como qualquer outro mortal, eu também já fiquei paralisado pelo medo. Ante algumas bifurcações da vida, também morri de medo de fazer a opção errada. Temi desagradar a Deus. E também temi quebrar a cara. Para ser honesto, na maioria das vezes meu segundo medo foi maior que o primeiro. Apesar dos medos e das intermináveis e insones noites no vale da indecisão, e mesmo tendo ponderado incansavelmente sobre os prós e contras de cada opção diante de mim, ainda assim, já cometi tantos erros quanto minha miopia existencial e minha natureza pecaminosa me levaram a cometer.

Entre erros e acertos, aprendi algumas lições. A primeira e mais importante delas é que: Deus não é apenas um ótimo guia, Ele é também um excelente reparador. Não existe beco-sem-saída de onde Ele não possa nos tirar. Outra lição é que: Deus é capaz de usar até mesmo as nossas escolhas ruins, para realizar o Seu plano eterno em nossa vida. Somos míopes... Ele vê além. Somos falhos... Ele corrige tudo. Somos fracos... Ele nos ampara. A terceira lição é que: Todas as nossas escolhas produzem conseqüências. Lidar com elas é um desafio que exige humildade, boa vontade e um certo grau de maturidade. Por último, é preciso reconhecer que: Temos de nos esforçar ao máximo para transformar algumas escolhas ruins que fizemos no passado, em escolhas certas para o presente. Isso dá trabalho, mas algumas vezes é perfeitamente possível. Nem sempre acertamos logo de cara, por isso é preciso dedicação para reparar nossos erros. Isso pode levar algum tempo, e sempre exigirá nossa total confiança e dependência em Deus.



Escrito por Léo Barbosa às 02h24
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Quando Deus usa um traidor

Um documento trazendo o ponto de vista de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Cristo foi publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos pela revista National Geographic.

A revista National Geographic publicou ontem, pela primeira vez, uma tradução inglesa do Evangelho Segundo Judas, um documento datado entre os Séculos 3 e 4, escrito no dialeto copta, a antiga língua dos cristãos do Egito, e que foi descoberto na metade do Século 20. Esse documento tem provocado grande celeuma entre os cristãos de todo o mundo, por apresentar Judas Iscariotes como "um personagem benéfico, o favorito de Jesus, que teria colaborado com os seus planos de salvar a humanidade".

No Evangelho Segundo Judas, o discípulo que traiu a Jesus é apresentado como "o melhor discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo". Conforme esse documento, Judas não queria representar o papel de traidor, mas consentiu em fazê-lo depois de obter um conhecimento especial a respeito da necessidade da cruz no plano da redenção da humanidade. No entanto, preciso reconhecer que há, basicamente, três sérios problemas nessa infeliz teoria:

Primeiro. Esse evangelho, como tantos outros, foi rejeitado desde cedo pela Igreja Cristã, por diversas razões: não ter sido escrito de fato por um dos apóstolos ou por alguém ligado a eles, contradizer a própria doutrina cristã, conter exemplos e recomendações éticas reprováveis e conter narrativas especulativas e supersticiosas sobre Jesus Cristo.

Segundo. O Evangelho Segundo Judas contradiz abertamente os registros do Novo Testamento. Judas é apresentado na Bíblia como aquele "que veio a ser o traidor" de Jesus Cristo (Mateus 10.4; Marcos 3.19; Lucas 6.16; João 6.71, 12.4), e que deliberadamente o entregou aos seus inimigos (Mateus 26.14; Marcos 14.10), tendo sido induzido a isso pelo próprio Satanás (Lucas 22.3; João 13.2).

Terceiro. Essa teoria não leva em conta a soberania que Deus exerce até mesmo sobre as nossas escolhas ruins. Judas, por exemplo, escolheu trair a Jesus, o entregando - com um beijo - àqueles que o queriam assassinar. Contudo, Deus usou o seu deplorável e infame gesto, para levar ao fim o plano da redenção, por meio do qual Ele nos ofereceu o perdão, a remissão dos pecados e a possibilidade de uma reconciliação final com o Criador. O fato de o próprio Deus se utilizar da traição de Judas, para cumprir o Seu propósito eterno, não isenta o discípulo da responsabilidade pelo seu pecado.



Escrito por Léo Barbosa às 03h55
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Quando Deus diz não

Pertenço a uma geração que, infelizmente, não foi devidamente treinada para ouvir "não". É provável que a educação extremamente rígida a que nossos pais foram submetidos, tenha feito com que eles optassem por uma alternativa mais branda e flexível, mas não menos perigosa, na hora de educar os seus próprios filhos. O resultado desse processo é uma geração de crentes que não conseguem reagir com fé e firmeza de caráter, quando os céus dizem "não" às suas orações. No entanto, quer gostemos ou não, nem sempre Deus responderá "sim" aos desejos do nosso coração.

A Bíblia apresenta uma lista quase interminável de pessoas que ouviram Deus dizer "não". Cansados de esperar pelo cumprimento da promessa de que Deus lhes daria um filho, Abraão e Sara optaram por uma alternativa mais prática. Contudo, Deus lhes disse "não". José do Egito esperava encontrar um caminho mais curto para desfrutar das promessas divinas para a sua vida. Entretanto, Deus disse "não", e escolheu um caminho muito mais longo, solitário e doloroso. Quando Moisés achou que já estava pronto para libertar seus irmãos da cruel escravidão imposta pelos egípcios, Deus também lhe disse "não", e adiou os seus planos por exatos quarenta anos. O rei Davi, que desejou ardentemente agradar a Deus, construindo um templo em Jerusalém onde o seu nome seria continuamente exaltado, também provou o desgosto da frustração. Deus lhe disse "não", e transferiu a tarefa para o filho de Davi, Salomão. O apóstolo Paulo se viu terrivelmente afligido por um problema que ele chamou de mensageiro de Satanás, enviado para o atormentar. Depois de orar três vezes, para que Deus o livrasse da angustiante situação que enfrentava, Sua resposta também foi "não".

Quanto a nós, não importa o quanto amemos a Cristo, sejamos fiéis aos Seus preceitos ou nos esforcemos para agradá-lo. A verdade é que todos ouviremos Deus dizer "não" algumas vezes. E quando isso acontecer, devemos estar prontos para reagir com confiança, gratidão e uma total dependência de Deus. Afinal, mesmo quando Ele diz "não", esse é um gesto de amor Daquele que sabe exatamente quando o "sim" não é a melhor resposta.



Escrito por Léo Barbosa às 04h00
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Velhinhos, graças a Deus

"Como você está jovem! Nem aparenta a idade que tem?" Todos nós já falamos ou, pelo menos, já ouvimos frases desse tipo. Apesar de parecerem lisonjeiras, elas demonstram algo que nem sempre temos a coragem de admitir: Nós, simplesmente, detestamos a velhice! Prova disso, é o sucesso comercial dos caríssimos cosméticos "anti-idade", que oferecem a "fonte da juventude" para aqueles que desejam retardar o envelhecimento. O hábito de esconder a idade, a dificuldade de arrumar emprego na velhice, a segregação do idoso na família e na sociedade e o descaso das autoridades com essa fatia tão importante da população, são apenas alguns dos exemplos inequívocos de que não conseguimos identificar nem apreciar os benefícios da velhice.

Ninguém se sentiria elogiado, ao ouvir frases do tipo: "Você é um negro, com alma de branco!" ou "Apesar de pobre, você é bem honesto!" ou ainda "Para uma mulher, você é muito inteligente!", pois sabemos quão preconceituosas elas são. No entanto, quando falamos: "Você é velho, mas parece jovem", estamos demonstrando o mesmo tipo de preconceito e discriminação. Em outras palavras, estamos dizendo que ser velho é algo que se deve lamentar, e que a velhice é uma condição inferior de vida, se comparada com a juventude.

A velhice é um processo natural, necessário e inevitável, pelo qual todo ser humano tem de passar pessoalmente, para alcançar o pleno potencial da evolução da vida. Com a velhice, vem o aparecimento das rugas, a perda progressiva da elasticidade da pele, a diminuição da força muscular, da agilidade, da mobilidade das articulações, a perda dos cabelos e da capacidade auditiva e visual, além das alterações da memória e da libido. Com ela surgem também a consciência da lenta aproximação do fim da vida, a aposentadoria e uma busca mais profunda pelo sentido da existência, já que o trabalho, a educação dos filhos e as expectativas para o futuro deixam de nortear o viver.

Temos de voltar a enxergar o velho com respeito e veneração, pois ele é uma rica fonte de experiência e detém um valioso saber acumulado ao longo dos anos. Sua vasta história de vida lhe ensinou as difíceis artes da prudência e da reflexão. Ao contrário do que pensamos, a velhice não representa a falência múltipla do potencial humano, e sim a máxima evolução possível da nossa humanidade. Trilhar o longo caminho da vida, deixa as suas marcas... na alma e no corpo. Marcas das quais deveríamos sentir orgulho, pois são elas que dizem quem somos e pelo que passamos. Justamente por isso, jamais deveríamos tentar escondê-las.



Escrito por Léo Barbosa às 04h23
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Como Deus nos vê

Cerca de R$ 30 mil foi a quantia que uma viúva recebeu do seguro de vida do marido, algumas semanas após ele sofrer um enfarte e falecer. Ela sabia que não seria fácil sustentar os filhos, um rapaz de 19 anos e uma adolescente de 17, já que nenhum dos três trabalhava fora. A única esperança da família seria investir corretamente o dinheiro da indenização.

Depois de exaustivas discussões sobre o assunto, o rapaz conseguiu convencer sua mãe de que ele próprio, como homem da casa, deveria administrar aquela pequena fortuna. Em pouco tempo, o jovem já havia investido todo o seguro de vida do pai em um "negócio da China", apresentado a ele por um conhecido que lhe propôs sociedade. Não demorou muito, e o rapaz descobriu que tinha sido passado para trás. Seu sócio dera um grande desfalque na pequena e recém-nascida empresa, fazendo com que, do dia para a noite, a família caísse nas mãos dos credores, sem nenhuma chance de reverter a situação.

Indignada com a irresponsabilidade do irmão, a jovem despejou sobre ele uma enxurrada de ofensas e jurou nunca mais lhe dirigir a palavra. Alguns minutos depois, sua mãe foi até o quarto onde ela estava, para lhe pedir que perdoasse os erros do irmão. A jovem insistia em dizer que ele era burro demais e que, por isso, ela o odiaria para sempre. Além disso, ela não se conformava com a facilidade que sua mãe tinha para perdoar os erros do filho. Ao final de uma longa conversa, sua mãe lhe disse, com a mesma ternura de sempre: "Sabe qual é a diferença entre nós duas, filha? É que quando você olha para o seu irmão, só consegue enxergar seus erros e conseqüências. Mas quando eu olho para ele, mesmo depois de ter desperdiçado tudo que o seu pai deixou para nós, só consigo enxergar meu filho, e nada mais".

Eu não sei bem o quanto você anda preocupado com o que as pessoas pensam e falam de você, ou como elas o enxergam. A verdade é que isso não faz tanta diferença. No final das contas, não importa se a única coisa que os outros conseguem enxergar em nós é um amontoado de burradas e desacertos. Não importa nem como nós vemos a nós mesmos, e sim como Deus nos vê. E, quanto a isso, podemos estar seguros de uma coisa: Haja o que houver, ainda assim Ele nos verá como Seus filhos. E, apesar de tudo, como um Pai, Ele sempre nos estenderá a Sua mão.



Escrito por Léo Barbosa às 03h55
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Errado é sempre o outro

Luana PiovaniEdilson Pereira de CarvalhoFábio Júnior e Serginho Groisman

Todos temos o hábito de ser condescendentes demais com nós mesmos, e intransigentes demais com os outros. Prova disso foram as discussões travadas entre o árbitro de futebol Edilson Pereira de Carvalho, a atriz Luana Piovani e o cantor Fábio Júnior, no programa Altas Horas, do último sábado, dirigido pelo apresentador Serginho Groisman. Todos - incluindo a platéia, o apresentador e os demais convidados - se uniram para pichar o árbitro, que foi banido do futebol no ano passado, após se envolver num esquema de manipulação dos resultados das partidas do Campeonato Brasileiro.

Luana Piovani parecia tão indignada com o pecado de Edilson, que nem deve ter se lembrado de que ela mesma já foi flagrada traindo o ex-namorado Rodrigo Santoro, num episódio que, segundo a atriz, não passou de "uma escorregada". O cantor Fábio Júnior, por sua vez, parecia inconformado com a possibilidade de Edilson ter manipulado os resultados de algumas partidas de futebol. Por alguns instantes, quase acreditei em sua defesa da moral e dos bons costumes. Até me dar conta de que invalidar um gol legítimo é um pecado bem menos grave que trocar de esposa cinco vezes. Aliás, esta é uma proeza da qual o cantor parece se orgulhar bastante.

Jesus proibiu terminantemente esse tipo de atitude hipócrita, de corrigir nos outros, falhas de caráter que nós mesmos ainda apresentamos. Ele disse: "Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?" (Mateus 7.3). Além disso, Jesus expôs publicamente os religiosos que haviam se profissionalizado na arte de condenar pecadores, dizendo: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela" (João 8.7).



Escrito por Léo Barbosa às 02h36
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