A difícil arte de educar filhos

Os pais modernos morrem de medo de ser autoritários. Isso tem contribuído para que eles sejam perigosamente omissos, quando se trata de dizer "não" para os filhos ou quando há a necessidade de corrigi-los.
Diversos fatores têm tornado os pais cada vez mais omissos. Um deles é a educação extremamente rígida a que eles próprios foram submetidos durante a infância. Com medo de repetir os erros das gerações anteriores, os pais modernos caminharam para o extremo oposto. Além disso, a sua autoridade fica sensivelmente comprometida, quando os seus bons discursos são desmentidos pela sua má conduta. Há também o sentimento de culpa, proveniente da pouca atenção que os pais que trabalham fora e estudam dispensam aos filhos; e a esmagadora influência exercida por uma sociedade que está cada vez mais permissiva. O resultado é que os filhos de hoje estão crescendo cada vez mais indisciplinados e despreparados para lidar com os grandes desafios e as inevitáveis frustrações com que se depararão ao longo de suas vidas.
Davi é um exemplo clássico, nas Escrituras, de um pai que foi sistematicamente negligente na disciplina dos filhos. A sua poligamia (Davi teve pelo menos dez mulheres) impôs aos seus filhos um padrão familiar completamente desajustado e antibíblico. A excessiva carga de atividades que tinha de realizar como rei, o testemunho horrendo que deu ao ser culpado de adultério e assassinato, a falta de comunicação com os filhos e a proteção exagerada que estendia aos seus prediletos transformaram-no em um péssimo exemplo de pai.
Como resultado da sua paternidade negligente, Davi colheu os amargos frutos da rebelião e da ingratidão dos seus próprios filhos. Um deles, Amnom, violentou sua meia-irmã, Tamar (2Samuel 13.1-22). Absalão, outro filho de Davi, vingou a vergonha de Tamar, assassinando Amnom (2Samuel 13.23-38). Mais tarde, uma conspiração engendrada por Absalão, seduziu boa parte dos súditos de Davi, deflagrou a pior crise dos quarenta anos do seu reinado, e culminou na trágica execução de Absalão (2Samuel 15 a 18). Outro filho de Davi, Adonias, também foi submetido a uma educação indulgente. A Bíblia diz que "seu pai nunca o havia contrariado" (1Reis 1.6). Essa permissividade resultou na rebelião de Adonias e, finalmente, na morte de mais esse filho.
Obviamente, ser pai está longe de ser uma tarefa fácil. Mas os pais modernos precisam entender urgentemente que, às vezes, é preciso impor com firmeza a sua autoridade sobre os filhos, ensiná-los a ouvir "não", quando o "não" for a melhor resposta, e discipliná-los, sem violência nem excessos. Caso não comecem imediatamente a fazer isso, seus filhos jamais estarão preparados para a vida real, e eles próprios não terão cumprido a sua principal responsabilidade como pais: a de educar os seus filhos, do mesmo modo que Deus educa os Dele.
Escrito por Léo Barbosa às 18h59
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Muito além dos osbtáculos

Obstáculo é aquilo que enxergamos, quando tiramos os nossos olhos de Cristo. Admito que Jesus nunca prometeu uma carreira tranqüila aos Seus discípulos. Mas a verdade é que evitaríamos muitas complicações, se fixássemos mais o nosso olhar Naquele que é o autor e consumador da nossa fé, e menos nas dificuldades com que nos deparamos ao longo da vida. A exemplo do que aconteceu com Pedro - o discípulo que quase morreu afogado por prestar mais atenção na tempestade do que em Jesus - todas as vezes que deixamos de olhar para Cristo, e começamos a prestar demasiada atenção nos obstáculos, corremos um sério risco de submergir nas águas da incredulidade e do desespero.
Quando permitimos, por exemplo, que a situação econômica do país e o alto índice de desemprego nos assustem, somos tentados a duvidar da invariável capacidade que Deus tem de suprir cada uma das nossas nossas reais necessidades. Quando nos concentramos demais nas nossas próprias limitações físicas, morais ou psicológicas e enveredamos pelos sombrios e solitários caminhos da autopiedade, nos esquecemos de que a principal "especialidade" de Deus é transformar homens miseráveis, em verdadeiros heróis da fé, especialmente capacitados para realizar a Sua vontade e fazer avançar o Seu reino. Quando não conseguimos nos desvencilhar do fardo da culpa, e deixamos que Satanás nos acuse de pecados dos quais já nos arrependemos, perdemos de vista a maravilhosa graça de Deus, para a qual não existe obstáculo intransponível, e para a qual pecado algum jamais será imperdoável.
Portanto, todas as vezes que formos defrontados com barreiras aparentemente insuperáveis, basta que ergamos os olhos acima delas, para enxergarmos a Deus, cujos propósitos são infalíveis e que, indubitavelmente, nos conduzirá para um lugar seguro, muito além dos obstáculos.
Escrito por Léo Barbosa às 21h47
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Quando não há milagres

A vida nem sempre segue como gostaríamos. Esperamos a cura, e somos golpeados pelo luto. Imaginamos ter superado um velho pecado secreto, só para cairmos novamente, logo em seguida. Voltamos animados depois de uma entrevista de emprego, mas a semana termina e o telefone não toca. Gravidezes são interrompidas espontaneamente, pacientes são desenganados pelos médicos, cônjuges são traídos, profissionais dedicados são despedidos e pastores são descartados. Quando ficamos frente à frente com situações assim, temos alguma esperança de que Deus, a qualquer momento, vire a mesa. No entanto, na maioria das vezes, não conseguimos encontrá-lo nem percebê-lo, em meio às ondas da adversidade. Oramos, e não obtemos respostas.
Nessas horas, é praticamente impossível não se sentir desapontado com Deus. Sabemos que Ele tem poder para mudar a nossa sorte, num segundo. Mas essa certeza, ao contrário de resolver o nosso problema, complica-o ainda mais. Afinal, por que Ele não põe fim à nossa dor, já que é Onipotente? Por que Ele simplesmente não ouve a nossa oração e faz um daqueles milagres, que está tão acostumado a realizar? Por que Ele, pelo menos, não nos dá um sinal visível da Sua presença e do Seu cuidado, ao invés de permitir que nos sintamos completamente frustrados e abandonados?
Há um enorme exército de cristãos piedosos que, em algum momento das suas vidas, se sentiram exatamente assim. Eles foram provados, sem saber ao certo porque. Alguns deles atravessaram o vale da aflição, sem o apoio de nenhum amigo sequer. Outros foram reputados como incrédulos e infiéis. E há também aqueles que jamais conseguiram refazer suas vidas, depois de uma grande tragédia. Mas, curiosamente, são justamente esses homens e mulheres de Deus que mais intensamente inspiram a minha devoção a Cristo. Pois suas histórias são para mim uma grande lição de fé. Com eles, eu aprendo que: "Ter fé quando não há milagres, é um milagre muito maior, do que ter fé para operar milagres".
Escrito por Léo Barbosa às 01h15
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De olho no pecado alheio

"Sou humano. E nada do que é humano, me é estranho". Esta frase é geralmente atribuída a Sêneca, o filósofo e escritor estóico, que vivia em Roma nos dias de Jesus Cristo. Eu tento me lembrar dela, sempre que me sinto decepcionado com alguém. Faço isso, porque a decepção é o mais sutil e dissimulado de todos os tipos de hipocrisia. Sempre que nos mostramos surpresos com uma falha de caráter ou uma incorreção na vida de alguém, estamos, na verdade, tentando negar que há em nós, em alguma medida, um considerável potencial para desenvolvermos o mesmo defeito e cometermos o mesmo pecado.
Nenhum de nós, em seu perfeito juízo, teria a coragem de se autodeclarar "sem pecado". Contudo, na maior parte do tempo, agimos como se não tivéssemos nenhuma dificuldade em driblar as tentações e viver segundo a vontade de Deus. Que bom, se fosse verdade! Mas não é. Em uma das suas cartas, João, discípulo de Jesus, declarou: "se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos" (1João 1.8). Mas, no fundo, é exatamente isso o que tentamos fazer, quando demonstramos um desapontamento exagerado, diante do pecado alheio. Quão facilmente farejamos o egoísmo, o materialismo, a sensualidade, a imprudência, a preguiça, o orgulho, e tantos outros pecados na vida dos nossos irmãos. Por outro lado, como é difícil enxergarmos estas mesmas mazelas em nosso próprio coração e reconhecê-las em nossa própria conduta diária.
Quando percebo que estou, consciente ou inconscientemente, dissimulando uma excessiva indignação ante o pecado de algum dos meus irmãos, sei muito bem a qual remédio recorrer. Nessas horas, não preciso de nenhum versículo bíblico para me advertir (se bem que existem muitos), também não preciso de uma longa sessão de oração e penitência, tampouco preciso de um irmão que seja maduro o suficiente para detectar e denunciar a minha sutil hipocrisia. Preciso apenas de um espelho, que me obrigue a lembrar quem sou e o que sou capaz de fazer. Um simples olhar honesto e sereno para dentro de mim mesmo, me constrange a amar o irmão que caiu, debruçar-me sobre as feridas purulentas do seu pecado e atender ao chamado de Paulo, para que levemos os fardos pesados uns dos outros e restauremos os pecadores com um espírito de doçura, mansidão e amor fraternal (Gálatas 6.1,2).
Escrito por Léo Barbosa às 22h54
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A morte não é o fim

No último domingo, a vida de uma das mais amadas anciãs da nossa igreja foi inesperadamente ceifada. Quando a morte vem cobrar a dívida de alguém próximo a nós, somos surpreendidos por um turbilhão de sentimentos e emoções. A lâmina fria da saudade corta o nosso coração, enquanto somos assaltados por uma mistura de dor, medo, impotência, culpa e remorso.
Mas sempre que uma pessoa querida parte, procuro conforto em uma das lembranças recorrentes, que trago da infância. Nós éramos crianças, e gostávamos de brincar até altas horas da noite, no andar inferior da nossa casa, enquanto nossos pais se ocupavam das tarefas domésticas. Depois do jantar havia panelas, louças e talheres para lavar, secar e guardar. Cozinha para varrer, camas para arrumar, e roupas para recolher do varal, passar e guardar. Enquanto nossos pais cuidavam disso, ficávamos distraídos com nossas brincadeiras de criança.
Quando o papai percebia que já estava ficando tarde, ele calçava as suas sandálias havaianas, e descia a escada da sala, que dava exatamente no cômodo onde ficávamos. Ao descer aqueles degraus de madeira, era comum ele se deparar com um dos seus filhos já tomado pelo sono. Esse era o primeiro a ser escolhido pelo papai. Ele agachava-se, tomava-o nos braços, subia a escada, e o levava para o quarto. É claro que nós não tínhamos a menor intenção de nos despedir. Mas tínhamos boas razões para confiar no papai.
Primeiro, porque sabíamos que ele nos amava e sempre fazia o que era melhor para nós. Por isso, quando o víamos descendo as escadas da sala de estar, não sentíamos medo algum. Estávamos mais que seguros. Segundo, porque por mais que não quiséssemos dormir, sabíamos que era necessário. Já havíamos nos divertido bastante e ele sabia a hora exata de nos fazer parar. Terceiro, porque descobrimos que subir aquelas escadas, nos braços do nosso pai, não punha fim às nossas brincadeiras. Nossas despedidas não eram definitivas.
Hoje, quando nosso Pai Celestial "calça as Sua sandálias havaianas", desce as escadas dos céus, e vem recolher um dos nossos irmãos, eu me sinto seguro por saber que tudo o que Ele faz é sempre visando o melhor, mesmo quando não podemos ver ou compreender isso. Sou confortado pela certeza de que a morte nos leva para os Seus braços, onde há total segurança e perfeito descanso. E sou fortalecido pela certeza de que, para aqueles que crêem, a morte jamais será o fim.
Escrito por Léo Barbosa às 22h06
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A teologia da faixa amarela

Na luta contra o pecado, os cristãos já lançaram mão das mais variadas estratégias. Ao longo da História da igreja, homens e mulheres piedosos tentaram vencer suas tentações por meio de penitências cruciantes, que visavam mortificar a carne com seus instintos pecaminosos; outros cristãos optaram pelo total isolamento, em conventos e monastérios, para onde tentavam fugir da influência de satanás e do mundo; outra tendência consistia em cercar-se de proibições rigorosas, que impunham a abstinência de prazeres e bens materiais, visando suprimir os desejos da carne e favorecer o aperfeiçoamento moral e espiritual.
De modo geral, essas estratégias demonstravam o real interesse que muitos cristãos do passado tinham de não se deixar corromper pela imoralidade que permeava a sociedade, e o desejo sincero de agradar a Deus e viver para Ele somente. No entanto, a Bíblia, a História e a nossa própria experiência cristã nos advertem quanto à completa ineficácia desses métodos. Mesmo em meio às mais severas sessões de auto-flagelação, os cristãos não conseguiam reprimir seus instintos carnais. Mesmo enclausurados, eram atormentados por seus pecados, dentro das celas dos mosteiros. Mesmo protegidos pelas mais rigorosas restrições, não conseguiam reunir forças para driblar ou vencer as tentações.
No que diz respeito à luta contra o pecado, a lógica do legalismo religioso é relativamente simples. Seus adeptos recorrem a uma estratégia que poderíamos chamar de Teologia da Faixa Amarela. Seu objetivo é criar obstáculos que impeçam os cristãos de se expor a "situações de risco", que apresentem alguma forma de tentação. Para fugir do pecado da lascívia, por exemplo, os legalistas optam por cobrir o corpo das mulheres, dos pés à cabeça. Para evitar o ócio, proíbe-se toda e qualquer atividade de lazer ou descanso que pareça extravagante ou desnecessária. O problema é que todas as vezes que os cristãos usaram as armas do legalismo religioso para lutar contra o pecado, o resultado foi o mesmo: a mais completa derrota. Por mais que o zelo religioso obsessivo de alguns cristãos tenha, de fato, "aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo", do ponto de vista bíblico, suas regras "não têm valor algum para refrear os impulsos da carne" (Colossenses 2.23). Ou seja, todas as vezes que tentarmos vencer as tentações, com as armas do legalismo, sairemos frustrados e derrotados.
Escrito por Léo Barbosa às 16h29
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Nossos falsos defeitos

Você já percebeu como temos o hábito de esconder os nossos defeitos? Essa tendência serve para os defeitos físicos, emocionais, morais ou espirituais. Gostamos de parecer mais belos, mais saudáveis, mais equilibrados, mais íntegros e mais piedosos do que realmente somos. Mesmo quando fingimos confessar os nossos pecados, não temos coragem suficiente para apontar para aqueles que realmente embaraçam a nossa caminhada cristã e comprometem o nosso testemunho.
Já notou como nós mentimos, quando temos de falar sobre os nossos próprios defeitos? Geralmente usamos a velha estratégia de apontar alguma das nossas "virtudes" prediletas, e chamá-la de "defeito". Dizemos, por exemplo, que o nosso "pior defeito" é: amar incondicionalmente as pessoas, confiar demais nos amigos, ser excessivamente justo ou perfeccionista, não saber mentir, não guardar rancor... e outras coisas do gênero que, aliás, jamais poderiam ser listadas como defeitos. Nunca vi os cristãos dizerem abertamente que são viciados em pornografia, que foram fisgados pelo materialismo, que sofrem tentações homossexuais, que não conseguem amar os seus filhos, que não sabem perdoar ou que alimentam mágoas antigas do próprio cônjuge.
De modo geral, sempre que usamos a nossa velha lista de "falsos defeitos", temos um único objetivo: desviar a atenção das outras pessoas dos nossos verdadeiros defeitos. Ainda não conheci muitas pessoas honestas o suficiente para apontar suas piores falhas de caráter e, humildemente, confessá-las aos irmãos, demonstrando um real interesse em livrar-se delas. No entanto, não tenho dúvida de que o dia em que tivermos a coragem de confessar uns aos outros os nossos pecados, como a Bíblia nos manda fazer, teremos muito mais facilidade para vencê-los em nossa experiência diária. Além do mais, estou certo de que só quando tirarmos as nossas máscaras e agirmos de modo transparente uns com os outros, estaremos verdadeiramente aptos para nos ajudar mutuamente a superar as fraquezas, vencer o pecado e nos tornar mais parecidos com Jesus Cristo. Enquanto isso não acontece, ficamos brincando de falar a verdade.
Escrito por Léo Barbosa às 02h35
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Onde estava Deus?

Onde estava Deus, quando aquelas dezenas de pessoas inocentes perderam suas vidas nos atentados do último final de semana, em São Paulo? Antes que coloquemos em xeque o amor e o cuidado de Deus, dirigidos às vítimas da violência e da crueldade do PCC, seria bom darmos atenção ao que a Bíblia diz sobre como Deus vê e como Ele reage a atentados como os que acabamos de assistir.
Depois que o primeiro casal - Adão e Eva - decidiu se emancipar, e seguir sua vida longe do Criador, a injustiça e a maldade se assenhorearam da história deles e de seus descendentes. Gênesis, o livro das origens, descreve como a maldade se multiplicou e contaminou todas as relações entre os homens, fazendo com que a terra se enchesse de violência e corrupção. "O SENHOR viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o SENHOR arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração" (Gênesis 6.5,6).
Segundo a Escritura, Deus jamais fica impassível diante de atentados como os que São Paulo sofreu nos últimos quatro dias. A perversidade do homem não aflige somente os seus semelhantes, mas também rasga o coração de Deus. A narrativa de Gênesis 6 a 9 nos oferece alguns vislumbres de como Deus tratará a injustiça e a violência presentes no mundo de hoje. Vejamos o que a Bíblia diz sobre o assunto: 1) Deus se entristece profundamente com a maldade do coração do homem; 2) mas em meio à impiedade, Deus sempre procura homens e mulheres justos, a fim de por meio destes revelar Sua justiça e Sua bondade; 3) Deus não permitirá que o mal prossiga impune perpetuamente, antes o julgará e dará um fim definitivo a ele; e 4) finalmente, Deus desmanchará o presente cenário de horror que nos cerca, e recomeçará a história, a partir daqueles que são justificados, por depositar sua fé Nele.
Até que isso aconteça, a dor, a injustiça e a maldade são inevitáveis. No entanto, estamos seguros de que Aquele que entregou o Seu único Filho à morte, para oferecer perdão a todos quantos desejam ser perdoados, permanece no controle absoluto da história. Se ainda queremos saber onde estava Deus, quando aquelas dezenas de pessoas inocentes perderam suas vidas nos atentados do último final de semana, em São Paulo, a resposta é: no mesmo lugar em que Ele estava quando o Seu próprio Filho foi morto na cruz, como uma vítima inocente da crueldade e da violência dos homens - assentado em Seu sublime trono, dirigindo cada lance da história, a fim de promover a Sua própria glória e o bem maior daqueles que O amam e que foram chamados de acordo com o Seu propósito.
Escrito por Léo Barbosa às 11h48
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O PCC e a Lei da Semeadura

"O Estado de São Paulo está colhendo o que plantou". Esta foi a conclusão do delegado André Luiz Martins Di Rissio Barbosa, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), depois de um final de semana de terror no Estado, que deixou um saldo de mais de cento e vinte mortos, em cerca de duzentos e cinqüenta ataques e rebeliões em mais de oitenta unidades prisionais paulistas.
Em meio ao caos, as autoridades se perguntam quais fatores transformaram São Paulo em uma verdadeira capital do terror. Segundo se sabe, a situação caótica da qual os cidadãos do maior e mais populoso Estado do Brasil se tornaram reféns, começou com a transferência de oito líderes do PCC - facção que controla o crime organizado em São Paulo - para um presídio de segurança máxima, no interior do Estado.
Mas a verdade é que há muitos outros fatores, bem mais profundos e sistêmicos, que contribuíram para que esse caos se instalasse no Estado de São Paulo. Alguns desses fatores são: o pouco caso das autoridades ante as urgentes necessidades do país; a corrupção nos altos escalões do governo e da polícia; a falta de investimentos em educação e segurança; o oportunismo de políticos, que tentam fazer do terror e da miséria um palanque eleitoral; e a falta de planejamento e de estratégia do comando das polícias Civil e Militar. Soma-se a esse quadro, um conjunto de outros fatores mais sutis, mas igualmente perniciosos. São elementos que permeiam a malha social, e que estão presentes em instituições muito mais próximas dos cidadãos comuns. Vou citar apenas alguns deles: o enfraquecimento das famílias, incapazes de defender seus filhos do vício e da violência; a verdadeira apologia que se faz do uso de drogas, nas letras de músicas de bandas de rock e de reggae, e nas festas raves que arrastam multidões de jovens para a cultura do vício; a absoluta permissividade e a total ausência de disciplina no processo de educação das crianças, dos adolescentes e dos jovens cidadãos do nosso país; e, por último - mas não menos importante - está o materialismo e o individualismo reinantes na cultura ocidental, que impedem qualquer manifestação de real interesse pelas necessidades dos nossos semelhantes e, conseqüentemente, de qualquer exercício de solidariedade para com aqueles que sofrem com a pobreza e com a violência que afligem o nosso país.
Seguramente, podemos concluir que o delegado André Di Rissio, estava corretíssimo ao dizer que São Paulo está apenas "colhendo o que plantou". Na verdade, estamos sentindo na pele a dinâmica da implacável "lei da semeadura". Como escreveu o apóstolo Paulo: "O que o homem semear, isso também colherá" (Gálatas 6.7). Trocando em miúdos, a despeito de todos os esforços feitos para que não acreditemos nisso, a verdade é que o pecado sempre manda a conta. O homem é absolutamente livre para decidir o que fazer, mas jamais conseguirá escapar das conseqüências daquilo que fez.
Escrito por Léo Barbosa às 13h15
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Os defeitos das mães

Quem foi que disse que as mães não têm defeito? É claro que elas têm! E alguns deles, inclusive, são bem difíceis de aturar. Quer ver bons exemplos disso? Então, preste atenção:
Vamos começar com um defeito dos mais desagradáveis: as mães nunca são só nossas! Você já percebeu isso? Nós sempre temos de dividi-las com outras pessoas. Eu, por exemplo, que sou o caçula entre sete irmãos, nunca pude desfrutar o benefício da exclusividade. Quando vim ao mundo, já tinha de disputar sua atenção com meia dúzia de irmãos. Mas, além deles, sempre aparecem aqueles órfãos de plantão, cronicamente carentes, que não podem ver uma mãe dando sopa, que a adotam para si, e começam a chamá-la de mãe também. Daí, temos de dividir nossas mães com todo mundo! Nossos irmãos, nossos amigos e, pasme você, até com nossos próprios pais! No fundo, no fundo, eles não passam de "filhos" mais velhos... que também exigem cuidado, carinho, atenção e amor, que deveriam ser exclusivamente nossos.
Outro defeito das mães, é que elas são extremamente previsíveis! Já reparou como, com as mães, não existem surpresas? Nós sempre sabemos exatamente o que elas vão fazer. Por exemplo: as mães sempre perdoam! Esquecemos a data do seu aniversário. Elas perdoam. Nós dizemos algo que não deveríamos. Elas perdoam. Nós descumprimos uma promessa. Elas perdoam. Nós as deixamos tristes e aborrecidas. Mas elas, ainda assim, insistem em nos perdoar. E não é só isso. Elas sempre perguntam as mesmas coisas: Já comeu? Está levando blusa? Está tudo bem? Volta pra jantar? Ah! Como elas são previsíveis!
Mas o pior de todos os defeitos que as mães podem ter (e esteja certo de que a sua também tem), é que elas não são para sempre! Ah! Toda mãe tinha de ser para sempre! Elas não poderiam jamais ter o direito de partir. De jeito nenhum! Acho que todas as mães deveriam viver pelo menos cento e oitenta anos. Elas tinham de ver os nossos filhos crescerem. E, depois disso, elas deveriam ver os filhos dos nossos filhos. E, então, os netos dos nossos netos! Elas deveriam ser obrigadas a permanecer por perto, desde a maternidade, nossos primeiros passos, nosso primeiro dia de aula, nossa primeira desilusão amorosa, nossa formatura, nosso primeiro emprego, nosso casamento, nosso primeiro filho, a solidão da nossa velhice e o dia da nossa partida. Elas tinham de ser terminantemente proibidas de partir antes de nós! Mas elas partem. E esse é o seu pior defeito.
Apesar desses defeitos todos, ou melhor, por causa deles, demonstrar nosso carinho e atenção por nossas mães, todo segundo domingo de maio, é o mínimo que podemos fazer por essas mulheres tão especiais e maravilhosas, que têm feito o mesmo por nós, todos os dias do ano, incansavelmente, ao longo de toda nossa vida! Afinal, elas merecem muito mais do que apenas um dia no calendário... elas merecem todos!
Esta é a homenagem do Blog do Léo, especial para todas as mães que passarem por aqui. Um feliz Dia das Mães para todas vocês! E se você quiser deixar uma homenagem para uma mãe especial, deixe o seu comentário.
Escrito por Léo Barbosa às 11h16
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A vida é injusta, mas Deus não

Milhares de pessoas são cruelmente assassinadas todos os dias. Nações inteiras são oprimidas e exploradas por líderes corruptos e inescrupulosos. Empregados mal remunerados sofrem o abuso de patrões mesquinhos e ambiciosos. Pais de família perdem a vida em acidentes provocados por motoristas alcoolizados. Crianças indefesas são molestadas sexualmente em todos os países do mundo. Inocentes são condenados à morte, enquanto criminosos são postos em liberdade. Definitivamente, a vida é injusta.
Mas antes que atribuamos qualquer culpa a Deus por isso, temos de lembrar que - ao contrário da vida - Ele é perfeitamente justo. Deus não tem nada a ver com o caos que se instalou no Universo. Ao decidir dar as costas ao Deus da justiça, para seguir o caminho da impiedade e da maldade, o Homem deflagrou o processo que precipitou o mundo numa desordem, para a qual não encontra saída. Ao trocar o abraço terno do Criador, pelo assombro de uma vida longe Dele, o Homem escolheu voluntariamente se perder pelas vielas da injustiça, que produz sofrimento, e que - por sua vez - produz ainda mais injustiça.
Assim, o Homem estaria condenado perpetuamente às mazelas produzidas pela própria maldade, não fosse a compulsão que Deus tem por perdão e por reconciliação. Graças ao Seu amor redentor, Deus devolveu ao Homem a esperança de uma vida livre da injustiça e do sofrimento, e a certeza confortadora de que um dia tudo estará em ordem novamente. O dia em que, finalmente, "Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Apocalipse 21.4).
Escrito por Léo Barbosa às 02h28
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Quando o Rei visita seu povo

Faz alguns anos, a rainha Elizabeth II visitou os EUA. Os repórteres se deleitaram em explicar toda a logística que envolveu a visita real. Foram 1.800 quilos de bagagem, incluindo dois trajes para cada ocasião, um traje para luto - no caso de alguém morrer, quarenta assentos de pelica branca para vasos sanitários, além de uma cabeleireira, dois camareiros e dezenas de atendentes pessoais. A rápida visita da realeza a um país estrangeiro custou nada menos do que US$ 20 milhões.
Que contraste com a história da encarnação. Quando o Príncipe do Reino dos Céus visitou a Terra, Ele não trouxe absolutamente nada que fizesse lembrar as riquezas celestiais. Antes, despiu-se dos atributos visíveis da Sua divindade (sem, em momento algum, deixar de ser Deus). Movido por Sua incontrolável paixão pelo Homem, o Filho de Deus "esvaziou-se a si mesmo", rompeu os limites da eternidade e nos visitou. Jesus Cristo abandonou os céus, por considerar Seu amor pelos homens maior do que Seu amor pelas glórias e louvores que cercavam o Seu trono celestial. Nem as mais belas riquezas do Reino, poderiam fazê-lo esquecer dos miseráveis pecadores, perdidos do lado de fora.
Deus se fez "um de nós"! A Divindade assumiu forma humana, ganhou cabelos, dentes, unhas e pele. Deus se escondeu na forma de um bebê - o Deus-Bebê! O milagre da encarnação permitiu que uma adolescente de 14 ou 15 anos trocasse as fraldas de Deus, o amamentasse e o colocasse para dormir, enquanto miríades de anjos assistiam atônitos o escândalo da visita real. Deus não apenas despiu-se das insígnias da Sua divindade, Ele também vestiu o avental de servo, e inclinou-se para lavar os pés dos discípulos - que logo iriam abandoná-lo, negá-lo e trai-lo covardemente. O Rei se transformou em escravo, pra que os escravos fossem livres, e reinassem com Ele eternamente. Como um condenado, entregou-se ao mais cruel de todos os castigos, em favor do Homem: a morte de Cruz. Humilhado, cuspido, esbofeteado, cruelmente torturado e executado. O Homem-Deus foi morto, como um escravo maldito.
Mas a história não terminou na página do Calvário. Deus foi além. A vida conquistou a morte. A graça anulou a culpa. O amor venceu, finalmente! Jesus Cristo ressuscitou! O Filho de Deus, ressurrecto, foi exaltado à mais alta posição. Seu nome, posto acima de todo nome. E, em breve, todo joelho terá de se dobrar diante Dele. Toda língua terá de confessar Sua glória e majestade para sempre. Só então, aqueles que voluntariamente o amaram, encontrarão descanso, alegria e paz... e estarão com Ele pelo resto da eternidade.
Escrito por Léo Barbosa às 02h29
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A incoerência dos cristãos desalmados

Era um domingo como outro qualquer, em Ballymena, uma pequena cidade da Irlanda do Norte. O jovem Michael McIlveen, de 15 anos, saiu para comprar uma pizza, perto da sua casa. No caminho, Michael foi atacado por um grupo de jovens protestantes. Bateram nele com bastões de beisebol, até que ele caísse no chão. Então, o jovem foi chutado repetidas vezes na cabeça. Machucado, Michael ainda conseguiu voltar andando para casa, mas desmaiou e foi levado para o hospital, onde acabou morrendo, ontem à noite. O mais chocante nessa história de horror, é o que motivou a morte do garoto: ele morreu, simplesmente por ser católico. Quatro homens e um adolescente foram presos devido à agressão, e descobriu-se que a morte do Michael teve motivos puramente religiosos.
Infelizmente, este não foi o único assassinato cometido em nome de Deus e da religião, naquele país. Ao longo dos últimos trezentos anos, milhares de pessoas foram mortas em conflitos religiosos na Irlanda do Norte, envolvendo católicos e protestantes. É claro que essas disputas são motivadas muito mais por questões políticas do que religiosas, e as suas raízes históricas remontam a conflitos ainda mais sangrentos e trágicos do que o infeliz episódio do domingo passado.
No entanto, é lamentável que pessoas que se autodenominam cristãs, sejam capazes de cometer atos tão cruéis e deploráveis, que negam escandalosamente o Cristo para o qual as suas irretocáveis confissões de fé apontam. Tanto os protestantes como os católicos da Irlanda do Norte demonstram não conhecer nada sobre o Cristo que pregava o amor a Deus e ao próximo, como sendo os dois maiores mandamentos da religião. O Cristo que era capaz repousar Suas mãos sobre os intocáveis, abraçar os miseráveis e estender o Seu perdão àqueles que haviam sido atirados à margem da sociedade. A história tem provado que muitos daqueles a quem chamamos de cristãos, são de fato bem mais parecidos com os carrascos ímpios, asquerosos e violentos que torturaram a Jesus, o açoitaram, cuspiram em sua face e o pregaram em uma horrenda cruz, do que com Aquele que abriu mão de todos os Seus direitos e, movido pelo mais divino dos sentimentos - o Amor - entregou Sua própria vida, para resgatar inclusive aqueles que o estavam matando. Estes homens fanáticos e desalmados deveriam receber qualquer outro título, menos o de cristãos.
Escrito por Léo Barbosa às 02h03
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Atraídos pelo sofrimento

Para onde vamos nós, quando os nossos sonhos são despedaçados? Onde nos escondemos, quando somos surpreendidos pelos ventos gelados da desilusão, ou nossos corações são esmagados pela dor do luto? Como procuramos cura para as nossas feridas, quando quem amamos nos decepciona e trai a nossa confiança?
A resposta é a mesma, para qualquer uma destas perguntas. Quando coisas ruins nos acontecem, e somos surpreendidos pelas tempestades da vida, nossos assombros nos impelem para a prática da oração. Mesmo os cristãos mais preguiçosos, sentem-se motivados a orar, quando as coisas vão mal e quando perdem o controle sobre suas próprias vidas e seus destinos.
As orações são as barricadas que nos protegem, enquanto estamos no front da pior batalha. Elas são o abrigo que não nos deixa sucumbir sob os escombros da desilusão. Nossas orações são as principais responsáveis por manter nosso equilíbrio emocional, e preservar a nossa saúde física e a nossa fé intactas, quando somos sacudidos pelos ventos da angústia e do desespero.
Em vista de todas estas coisas, somos obrigados a reconhecer que a principal utilidade do sofrimento e da dor é nos atrair para os braços de Deus. Quando Ele deseja chamar a nossa atenção, ou nos trazer mais uma vez para perto Dele, o sofrimento é o mais eficaz dos Seus instrumentos. Quando os céus sentem saudades da voz das nossas súplicas e das orações melodiosas que atravessavam as nossas madrugadas, os anjos são obrigados a permitir que a dor bata à nossa porta. Em Sua infinita bondade, Deus sussurra ao nosso ouvido, por meio do Seu Espírito; fala conosco, através da Sua Palavra; e, quando necessário, utiliza o sofrimento para gritar o nosso nome no meio da escuridão que tenta nos separar Dele. Por isso, até mesmo quando somos surpreendidos pela dor, temos de reconhecer que ela não passa de mais uma das providências amorosas do Nosso Pai Celestial, que deseja ardentemente a nossa companhia.
Escrito por Léo Barbosa às 10h37
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Como tratar a nossa auto-estima

Temos de admitir: somos todos uns egocêntricos inveterados. Achamos que o nosso próprio eu é o centro do Universo, e que o mundo todo gira em torno de nós. A bem da verdade, nenhuma outra paixão consegue ser tão arrebatadora quanto aquela que nutrimos secretamente por nós mesmos. Jesus sabia que, no final das contas, todos nós somos loucamente apaixonados por nós mesmos. O Seu principal apelo era: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me" (Lucas 9.23).
Curiosamente, ainda há quem defenda a idéia de que o problema fundamental do ser humano é a sua baixa auto-estima, e que a fonte de todas as suas angústias e frustrações é o baixo nível da estima que ele nutre por si mesmo. A psicóloga jungiana, Rosemeire Zago, define auto-estima, como "a opinião e o sentimento que cada um tem por si mesmo". Para ela, o amor-próprio "é a cura para todas as nossas dificuldades e sofrimentos". Mas o que pessoas como ela parecem desconsiderar é que, a exemplo do jovem Narciso - personagem da mitologia clássica que se apaixonou pela própria imagem refletida num lago - o homem é consumido por um interesse exagerado e uma paixão incontrolável por si mesmo.
Mesmo quando uma pessoa diz odiar a si mesma - por ser pobre, feia, fraca ou insignificante - ela está na verdade dando uma prova inequívoca do seu elevado amor-próprio. Afinal, se ela realmente se odiasse, não veria problema algum em viver numa condição inferior e desfavorável. Decerto ela não odeia a si mesma, mas odeia a pobreza, a feiúra, a fraqueza e a insignificância às quais se vê injustamente aprisionada. Neste caso, ao invés de curá-la da sua frustração, o seu amor-próprio potencializa as suas dores e amplia significativamente os males provocados pelos seus problemas.
Portanto, o caminho para a cura da personalidade do homem não está na consciência do seu valor pessoal, do seu respeito e da sua admiração por si mesmo. O homem precisa, na verdade, reajustar as lentes com as quais enxerga a si mesmo. Como disse o apóstolo Paulo: "Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu" (Romanos 12.3). Só então, o homem poderá erguer os seus olhos para Deus e para os seus semelhantes, e se entregar a estes com amor sacrificial e serviço desinteressado. Fazendo isto, o homem terá finalmente encontrado o sentido da vida e terá cumprido o pleno propósito para o qual foi originalmente designado. Nas palavras de Jesus: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento (...) Ame o seu próximo como a si mesmo" (Mateus 22.37-39).
Escrito por Léo Barbosa às 02h10
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Males que vêm para o bem

"Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?" Esta pergunta já foi reformulada uma infinidade de vezes, por um sem número de pessoas, de todas as formas e em todos os idiomas. Contudo, as respostas mais razoáveis e confortadoras ainda são aquelas oferecidas pela Bíblia Sagrada.
Em Romanos 8.28, o apóstolo Paulo diz: "Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito". Ao longo de todos os séculos da Era Cristã, estas palavras se constituíram em uma fonte inesgotável de consolo e de esperança, a qual os cristãos recorreram todas as vezes que foram surpreendidos pelo sofrimento. Segundo elas, se amamos sinceramente a Deus, até as coisas ruins que nos acontecem, se convertem em coisas boas. Isto é, se colocamos Deus e a Sua vontade em primeiro lugar em nossas vidas, acima inclusive de nós mesmos e dos nossos próprios interesses, até as circunstâncias mais adversas se transformam em caminhos que nos conduzem a um bem maior. Isso inclui o desemprego prolongado, a febre que nos põe de cama, a infidelidade do cônjuge, a perseguição do chefe, as nossas características físicas e emocionais, o nosso extrato bancário, o nosso estado civil e, por mais estranho que pareça, até os nossos próprios erros e pecados. Não que estas coisas sejam boas em si mesmas - é claro que não são! Mas Deus age por meio delas, e as usa como instrumentos infalíveis na construção do nosso bem.
Que "bem" é esse, afinal? Já ouvi pessoas que interpretam mal estas palavras, prometerem que: "se roubarem o seu carro velho, Deus vai te dar um novo... se você for mandado embora do emprego, Deus preparará um ainda melhor para você". Ah! Que bom se as coisas funcionassem assim! Mas não funcionam. Quando Paulo diz que Deus age em todas as coisas para o nosso "bem", ele certamente não está se referindo a isso. Ele está pensando no supremo bem, desejado por Deus aos seres humanos, isto é, que eles sejam "conformes à imagem de seu Filho" - como o próprio texto explica, no versículo seguinte. Isso quer dizer que o emprego melhor, a cura, o casamento, a reconstrução da família e o alívio da pressão no trabalho podem jamais vir. Porque, em última análise, nós não precisamos de nenhuma dessas coisas. O que nós precisamos mesmo é de um coração como o de Cristo.
Precisamos do Seu amor, transbordando em nossos corações; da Sua alegria, a despeito das circunstâncias; da Sua paz em nossas relações interpessoais, da Sua paciência, nas adversidades; da Sua benignidade, diante dos nossos inimigos; da Sua bondade, para socorrermos os aflitos à nossa volta; da Sua fidelidade, para honrarmos os nossos compromissos; da Sua mansidão, para quando as coisas não saírem como planejamos; e do Seu domínio próprio, para quando recebermos propostas "irrecusáveis", mas que não agradam a Deus. Se, para forjar o caráter de Cristo em nós, Deus tiver de permitir que coisas ruins nos aconteçam, certamente elas virão. Mas virão sempre para o nosso bem.
Escrito por Léo Barbosa às 01h51
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Nossa luta interior

Desde o Jardim do Éden, os seres humanos perderam a capacidade de ser inteiros. Quando o primeiro casal decidiu tomar o fruto da árvore proibida e desobedecer deliberadamente a uma ordem expressa do Criador, perdemos o direito de escolher livremente entre o bem e o mal, o certo e o errado.
"Miserável homem que sou!", foi o grito desesperado do apóstolo Paulo, ao descobrir que não havia dentro de si nada que pudesse admirar e chamar "bom". No capítulo 7 da sua carta Aos Romanos, Paulo descreveu a trágica desventura de desejar agradar a Deus e, ao mesmo tempo, carregar uma natureza que vive em constante rebelião contra Ele. Nas palavras do apóstolo: "No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros" (Romanos 7.22,23).
Somos partidos ao meio. Somos formados por duas metades, que se contradizem e se opõem incansavelmente. Metade de nós firma compromissos nobres com Deus e com o próximo, enquanto a outra, obstinadamente, trai a si mesma e a seus próprios valores. Parte de nós anseia por desfrutar uma comunhão íntima e pessoal com Deus, ao passo que a outra se recusa a orar ou a inclinar-se silenciosamente para ouvir Sua voz. Enquanto a metade da qual nos orgulhamos deseja se doar àqueles que sofrem injustamente, e socorrê-los em suas necessidades, escondemos em nossos corações deleites secretos e infames com a tragédia alheia.
Fingir que não vivemos este drama e que não enxergamos a nossa própria miséria, não passa de um ato de cinismo e hipocrisia, pecados tão comuns entre os religiosos do nosso tempo. Nos entregar àquela parte de nós que se opõe a Deus e à Sua Lei, é o caminho mais curto para a tragédia pessoal e a morte de todos os nossos mais belos sonhos. Nossa única saída, é negar a nós mesmos, deixando que a cruz de Cristo trate diariamente a nossa velha natureza corrompida, e tomar a firme resolução de seguir a Cristo, mesmo quando isso for uma tarefa humilhante e desconfortável. Esta é a única opção para aqueles que desejam vencer sua luta interior e refletir plenamente a imagem e a semelhança do Deus que nos criou justamente para este propósito.
Escrito por Léo Barbosa às 10h36
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