Discursos inconsistentes

Um dia desses, eu estava passando por uma rua do Centro de Guarulhos, quando me deparei com uma cena, no mínimo, inusitada. Vi meia dúzia de homens uniformizados descansando, ao lado de uma placa com os dizeres: "Atenção: homens trabalhando!". É provável que eles estivessem em horário de almoço ou esperassem por alguma ordem para começar o serviço. De qualquer forma, a atitude daqueles homens tornava a mensagem da placa absolutamente inconsistente.
A incoerência entre a mensagem e a atitude daqueles trabalhadores (ou "descansadores") me fez pensar na incoerência da maioria das mensagens que nós, cristãos, insistimos em proclamar ao mundo. Infelizmente, na maior parte do tempo, emitimos uma mensagem dupla, que também torna o nosso discurso inconsistente. Isto é, anunciamos algo com as nossas palavras, mas demonstramos o oposto com as nossas ações.
Como cristãos, defendemos valores como a honestidade, a pureza, a solidariedade e a autodisciplina. No entanto, nosso testemunho desmente contundentemente os nossos discursos. Na prática, recorremos à mentira para nos desviar de problemas ou de constrangimentos, alimentamos nossa mente com imagens, conversas e pensamentos tão impuros e imorais que fariam qualquer incrédulo ruborizar, escondemos dos necessitados os nossos abundantes recursos e, como crianças mimadas, somos incapazes de dizer "não" para nós mesmos.
Tenho a impressão de que a inconsistência crônica dos nossos discursos é o principal obstáculo para que o mundo creia na mensagem que pregamos. Precisamos urgentemente ser lembrados da solene advetência dos puritanos do século 17, que diziam: "aquilo que você faz fala tão alto, que ninguém consegue ouvir o que você diz". Não adianta pedirmos que o mundo ouça a nossa mensagem, quando a nossa prática diária não é coerente com ela. Pois muito mais do que ouvir aquilo que estamos dizendo, o mundo está de olho naquilo que estamos fazendo. E, de modo geral, as pessoas que nos cercam são perspicazes o suficiente para detectar a inconsistência dos nossos discursos.
Escrito por Léo Barbosa às 11h15
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De passagem

Conta-se que, ao viajar para um país do Oriente, um executivo de uma importante multinacional visitou um monge, tido como exemplo de espiritualidade. Ao entrar na choupana do velho, o executivo se deparou apenas com uma mesa, uma cama e uma cadeira, onde o monge estava assentado.
- Mestre, essas são todas as suas coisas? - perguntou o homem de negócios.
- Sim - respondeu o monge. E você, meu jovem, me responda: essas são todas as suas coisas? - disse isso, apontando para a valise que o executivo trazia consigo.
- Ora, eu só estou aqui de passagem, Mestre - disse o executivo.
- Eu também - respondeu o velho.
A verdade é que todos nós só estamos aqui de passagem. No entanto, temos uma forte tendência de acumular coisas e nos apegar a elas. Usamos toda a energia que temos para ganhar o máximo de dinheiro possível e, então, armazenamos o maior número de coisas que o nosso dinheiro pode comprar. Com uma facilidade incrível, fincamos aqui as estacas da nossa existência e construímos neste mundo todos os nossos castelos. Enquanto isso, deixamos as raízes da nossa alma se aprofundarem cada vez mais no solo árido da insaciável ganância que move a humanidade.
Buscamos segurança, conforto e satisfação na fortuna, na fama, no poder e no status, e acabamos nos esquecendo de que somos "estrangeiros e peregrinos no mundo" (1Pedro 2.11). Estamos aqui de passagem. E, quando a nossa passagem por aqui tiver chegado ao fim, não levaremos nenhuma das coisas a que hoje atribuímos valor.
Escrito por Léo Barbosa às 03h16
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Reinventado a roda

Ontem à tarde, eu atendi uma representante comercial de um ministério reconhecido mundialmente por oferecer ferramentas que estimulam o crescimento das igrejas. Durante alguns minutos, ela tentou me persuadir a comprar um pacote de programas e estratégias infalíveis para o crescimento da igreja onde trabalho. Entre os "produtos" ofertados por ela, estavam: um programa de multiplicação de crentes, por meio de células (ou grupos pequenos), um kit para o treinamento de líderes de estudos bíblicos em casa, uma série de ferramentas para a evangelização através de cultos nos lares e um conjunto de propósitos que devem orientar todos os programas de uma igreja local.
De modo geral, não havia nada errado com os "artigos" que a jovem consultora de telemarketing religioso insistia em me vender. Ao contrário, seus "produtos" me pareceram consideravelmente úteis, práticos e até mesmo bíblicos. Só havia um problema: todas aquelas "modernas" estratégias, cuidadosamente elaboradas pelos mais respeitados especialistas norte-americanos em crescimento de igreja, já vêm sendo largamente utilizadas pela minha denominação - a Assembléia de Deus - há quase um século. Ou seja, o que os experts em administração eclesiástica estão tentando fazer nada mais é do que reinventar a roda.
A Assembléia de Deus - maior denominação evangélica do país, com cerca de 8 milhões de fiéis - cresceu vertiginosamente devido a alguns fatores, que até hoje vinham sendo sistematicamente negligenciados pelos "especialistas" em crescimento de igreja.
Um dos principais fatores que contribuíram para o crescimento da Assembléia de Deus em nosso país foi a rede de pequenos grupos (ou grupos de afinidade), formados pelas classes das escolas bíblicas dominicais, pelos cultos nos lares ou pelos chamados departamentos das igrejas locais (como: crianças, adolescentes, senhoras, madrigais, grupos de gestos, etc.). Esses grupos favoreceram muito o pleno desenvolvimento da unidade e da mutualidade entre os seus membros.
Outro fator que contribuiu bastante para o crescimento da Assembléia de Deus foi a histórica ênfase que a igreja deu ao ministério dos leigos, isto é, à atividade ministerial de homens e mulheres que, mesmo sem formação teológica, se dispunham, entre outras coisas, a evangelizar, a ensinar a Bíblia, a discipular os novos crentes, a visitar os doentes e a instruir as crianças, dividindo com seus pastores e líderes a pesada responsabilidade do ministério.
Além desses fatores, há que se considerar também os cultos nos lares, utilizados durante décadas como a principal ferramenta de evangelização da Assembléia de Deus. O crescimento impressionante da denominação, se deve acima de tudo aos chamados "pontos de pregação", isto é, aos cultos realizados nos lares de pessoas que abriam voluntariamente as portas de suas casas e convidavam vizinhos, amigos e parentes para ouvir a pregação do evangelho. Foi nesses lares que a maior denominação do país se formou. Os pequenos pontos de pregação funcionaram como multiplicadores de crentes, e milhares deles, inclusive, acabaram se transformando em igrejas fortes e organizadas.
Definitivamente, nós não precisamos embarcar em todos esses modismos teológicos, que se apresentam, invariavelmente, como a "última palavra" em crescimento de igreja, mas que, na verdade, apenas repetem fórmulas já conhecidas, embalando-as com uma capa de modernidade.
Escrito por Léo Barbosa às 02h23
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Comunidade de barro

Se não tivéssemos acesso à Bíblia, seríamos tentados a imaginar que a igreja do Novo Testamento era uma igreja ideal, que desconhecia as dificuldades e as frustrações que experimentamos hoje, enquanto nos esforçamos para viver em comunidade. Em Atos 2.42-47, por exemplo, a primeira igreja de Jerusalém é descrita como uma família marcada pela unidade, pela submissão à autoridade dos apóstolos, pelo amor fraternal, pela solidariedade e pela alegria.
No entanto, o retrato que os autores do Novo Testamento fazem da igreja primitiva, costuma ser bem menos romântico do que a imagem que construímos das primeiras comunidades cristãs.
A própria igreja de Jerusalém, cujos membros apresentavam uma disposição fora do comum para repartir suas posses com os irmãos mais necessitados, também foi palco da ganância, do materialismo e da hipocrisia daqueles que tentavam se aproveitar de sua atmosfera fraternal. Outro exemplo é a igreja de Corinto, constantemente atormentada por divisões, imoralidades, problemas interpessoais, injustiças sociais e pelo oportunismo dos que usavam seus dons espirituais para obter privilégios. Nos escritos de Paulo há indícios, inclusive, de que a própria relação entre os apóstolos não era tão serena como gostamos de imaginar.
Resumindo, a exemplo do que acontece em nossos dias, as igrejas do primeiro século também tinham problemas com a mentira, com a inveja, com o pecado, com a má administração do dinheiro, com a insubmissão, com a propagação de heresias, com a imoralidade e com o charlatanismo daqueles que buscavam manipular a fé e a boa vontade alheias.
Relembrar essas dificuldades que os primeiros cristãos enfrentaram é um exercício que alimenta a minha esperança e renova o meu amor pela igreja. Afinal, se esses irmãos do passado conseguiram alcançar o mundo com a mensagem da cruz de Cristo, apesar de todas as suas dificuldades, nós também podemos tocar o nosso mundo, com o poder do evangelho de Jesus. Pois, apesar de sermos uma comunidade frágil como o barro, somos portadores da própria vida de Deus, que por meio da Sua Palavra e do Seu Espírito decidiu habitar entre nós, fazendo da igreja o Seu corpo.
Escrito por Léo Barbosa às 02h53
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Por uma igreja mais solidária

Faz algum tempo, uma grande igreja evangélica da Zona Norte de São Paulo solicitou os serviços de alguns jovens missionários, especializados em pregar o evangelho em grandes centros urbanos. Esses missionários foram convocados para treinar os membros daquela igreja que estivessem interessados em evangelizar os usuários de uma estação do Metrô, que ficava perto dali. Depois de algumas semanas de treinamento, foram formadas equipes de evangelismo que passaram a abordar pessoalmente os passageiros do Metrô. Resultado: imediatamente a igreja começou a colher os frutos do trabalho árduo desses irmãos.
A princípio, os líderes e os demais membros da igreja ficaram impressionados com a eficácia do novo ministério. Não havia um domingo sequer em que não eram apresentadas dezenas de pessoas ganhas para o evangelho ali, na estação. Mas não demorou muito para que problemas começassem a aparecer. Os novos convertidos alcançados no Metrô eram, em sua maioria, moradores de uma favela que ficava a cerca de 500 metros da igreja. Como a igreja era formada principalmente por pessoas de classe média e alta, o choque cultural e social começou a gerar desconforto em alguns membros influentes dentro da denominação. Muitos pais, por exemplo, não permitiam mais que os seus filhos participassem das atividades do ministério infantil, com receio de que a proximidade com as crianças da favela fosse, em alguma medida, comprometer o bem estar deles.
O descontentamento daquela "elite dominante", logo se refletiu na diminuição da freqüência aos cultos e, conseqüentemente, na queda significativa da arrecadação semanal. Finalmente, a pressão dos mais abastados levou os líderes da igreja a "resolver" o problema, construindo um pequeno salão de cultos no meio da favela de onde vinham aquelas "pessoas inconvenientes". Um obreiro foi designado para dirigir a nova igreja e, finalmente, os antigos membros puderam respirar aliviados num ambiente mesquinho e anticristão, pervertido pelo preconceito e pelo egoísmo daqueles que ainda não descobriram que a nossa diversidade não precisa desconstruir a nossa unidade, e que as nossas diferenças sociais poderiam ser sensivelmente amenizadas, se colocássemos em prática o amor cristão, e nos tornássemos uma igreja um pouco mais solidária.
Escrito por Léo Barbosa às 02h23
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Corruptos, graças a Deus!

A CPI dos Sanguessugas divulgou ontem os nomes dos 57 parlamentares acusados de envolvimento no esquema de corrupção, que superfaturava a compra de ambulâncias para as prefeituras de diversos Estados do país. Além de superfaturar em até 110% o valor das ambulâncias, os veículos eram entregues sem os equipamentos necessários para realizar os atendimentos de emergência. No total, desde 2001, a empresa responsável pela entrega das ambulâncias movimentou cerca de R$ 110 milhões e entregou cerca de 1.000 veículos.
Em um país corrupto como o Brasil, não é de se espantar que 57 políticos inescrupulosos estejam assaltando os cofres do Estado e fraudando a saúde pública, motivados pelo egoísmo estúpido e pela ambição incontrolável que reinam soberanos no cenário político nacional. Mas é de se lamentar que, dos 57 parlamentares investigados, 19 pertençam à bancada evangélica, eleitos em nome de Deus, por crentes das mais diversas denominações cristãs, que ainda acreditam que a melhor maneira de "cristianizar" a sociedade e ganhar o mundo inteiro para Jesus é elegendo um número cada vez maior de políticos evangélicos.
Temos de compreender, de uma vez por todas, que não é preciso de um mandato para cumprir o mandado deixado por Jesus aos seus discípulos. Pois, segundo Ele mesmo disse: "O meu reino não é deste mundo (...) o meu reino não é daqui" (João 18.36).
Definitivamente, a política não é a maneira mais eficiente de sinalizar o reino de Deus entre os homens. Ao contrário, se quisermos refletir os valores desse reino e o caráter do nosso Rei no mundo em que vivemos, temos de exibir em nossa vida as virtudes que marcaram a vida e o ministério do nosso Senhor. A saber: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio. É isso que deveria distinguir os cristãos, de todos os outros cidadãos do planeta, independente de serem garis ou senadores da República. Como disse Jesus: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mateus 5.16).
Escrito por Léo Barbosa às 02h37
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A falência do ensino bíblico

O ensino bíblico está em crise. A tendência quase onipresente de substituir a pregação bíblica por testemunhos de "celebridades", shows de música gospel e conjuntos de dança dão prova viva disso. Outras evidências de que a igreja está mergulhada em uma das mais profundas crises do ensino bíblico de toda a sua história são: a falência quase generalizada das escolas bíblicas dominicais, a freqüência cada vez menor nos cultos voltados para o ensino e o pouco tempo reservado para a pregação durante na liturgia dominical de muitas igrejas. Estes são apenas alguns dos inúmeros exemplos que poderíamos citar. Mas como, afinal, essa crise se instalou na igreja cristã moderna? Os quatro principais fatores que contribuíram para a falência do ensino bíblico são:
A crise da credibilidade. Vivemos na geração da contestação. Há alguns anos, quando uma autoridade eclesiástica anunciava algo em nome de Deus, pouquíssimas pessoas tinham a ousadia de questionar. Hoje em dia, as coisas não funcionam mais assim. Os cristãos de hoje não se satisfazem mais com as afirmações dos seus líderes, a menos que estas venham acompanhadas de explicações consistentes. Além disso, a dificuldade que os líderes atuais apresentam de colocar em prática, em suas próprias vidas, os mesmos princípios bíblicos que ensinam a suas igrejas é um fator que, infelizmente, acaba desautorizando a sua pregação.
A crise da competência. Outro ponto é que a escassez de pessoas interessadas em servir no ministério de ensino bíblico contribui para que obreiros que não têm vocação nem competência para ensinar terminem em cima de um púlpito, diante de um auditório faminto pela genuína exposição da Palavra. O resultado é que milhares (ou talvez milhões) de crentes são submetidos, todos os domingos, a uma verdadeira sessão de tortura, enquanto ouvem pregações inúteis e intermináveis.
A crise do preparo. Apenas o talento e a vocação não podem fazer muito por um pregador despreparado. Se os pastores e professores não assumirem a responsabilidade de estudar profundamente e se preparar arduamente para ensinar bem a Palavra, haverá pouca esperança de que, no futuro, o ensino bíblico seja devidamente valorizado pelos crentes.
A crise da utilidade. Mesmo que um obreiro seja aprovado nos testes da credibilidade, da competência e do preparo, se ele não ensinar algo reconhecidamente útil e relevante para os seus ouvintes, tanto a confiança que os irmãos depositam nele, como as habilidades que ele tem para pregar e o tempo gasto por ele na preparação do seu sermão não terão proveito algum para a igreja de Cristo.
Escrito por Léo Barbosa às 02h57
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Desculpe, qualquer coisa

"Desculpe, qualquer coisa". Com certeza, você já disse e ouviu essa frase milhares de vezes ao longo da vida. Mas você já parou pra pensar o que exatamente ela significa? Nada! Isso mesmo. Quando dizemos isso, não estamos querendo dizer absolutamente nada. Ao proferir essa frase, estamos dando uma prova cabal de que não admitimos ter feito nada errado, que a outra pessoa não tem razão alguma para se sentir ofendida ou magoada, que não estamos nada arrependidos do que fizemos e, portanto, não temos a menor intenção de corrigir o nosso comportamento ou reparar alguma possível conseqüência do mesmo.
Mas a verdade é que, se quisermos realmente que os nossos relacionamentos superem os erros que, vez ou outra, acabamos cometendo, temos de excluir a frase "desculpe, qualquer coisa" do nosso repertório. No lugar dela, devemos nomear os nossos pecados, dizendo, sem rodeios: "Me perdoe por ter agido de modo grosseiro ontem à tarde, na mesa do café". Ou então: "Eu peço perdão por ter deixado você constrangida na frente das suas amigas". Ofensas como essas, não podem ser chamadas de "qualquer coisa".
A menos que confessemos as nossas faltas, de modo direto e sem evasivas, o processo de cura e reconciliação, de que os nossos relacionamentos tão freqüentemente necessitam, continuará muito mais lento e doloroso do que precisaria ser. Por isso, se você sabe que está em falta com alguém, deixe a vergonha de lado, engula o orgulho, procure essa pessoa o quanto antes, nomeie todas as ofensas das quais você reconhece ser o culpado e, então, peça o tal perdão de que você tanto carece, para fazer seus relacionamentos darem certo de verdade.
Escrito por Léo Barbosa às 01h10
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Uma família de verdade

Com o que se parece a sua família? Com uma escola de relacionamentos, onde as pessoas são preparadas para viver em sociedade e, no futuro, construir suas próprias famílias? Com um abrigo contra a tempestade, para onde todos desejam correr quando o tempo fica ruim? Ou com uma equipe olímpica, em que todos trabalham juntos visando o que é melhor para o time?
Infelizmente, essas figuras não refletem a realidade de muitas famílias modernas. Há famílias que se parecem mais com uma casa do terror, uma fábrica de neuroses ou um campo de concentração, do que com um lar de verdade. Na melhor das hipóteses, a maioria das famílias de hoje se assemelha mais a um albergue, onde as pessoas voltam todas as noites, apenas para dormir.
O aumento dos índices de divórcio, o envolvimento cada vez mais precoce dos jovens com o álcool, com o sexo e com as drogas, a violência doméstica, a incidência cada vez mais comum do adultério e do homossexualismo e os milhões de abortos praticados todos os anos, são apenas alguns dos resultados inevitáveis que a sociedade vem colhendo da perigosa crise em que as famílias modernas estão mergulhadas.
Estou convencido de que ainda há esperança para a família. Mas, certamente, o caminho para a cura é longo e difícil. E aqueles que desejam trilhá-lo, têm de estar dispostos a correr riscos e se doar completamente. Mas, sobretudo, precisam assumir a responsabilidade de se tornar bons exemplos do que significa: amar a Deus acima de tudo, trabalhar duro para o bem comum, aprender continuamente, comunicar-se honestamente, resolver conflitos, arrepender-se sinceramente, perdoar incansavelmente, servir indistintamente a todos, sobreviver aos dias maus e fazer o máximo de esforço para se divertir muito e ser feliz de verdade. Só aqueles que têm coragem para abraçar todos esses desafios, são capazes de construir uma família de verdade.
Escrito por Léo Barbosa às 02h37
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De herói a vilão
  
Que ele é um dos mais talentosos jogadores de futebol de todos os tempos, não há quem discorde. Sua habilidade e visão de jogo o transformaram no maior ídolo da história do futebol francês. É óbvio que eu estou falando de Zinedine Yazid Zidane, ou simplesmente Zizou, para os fãs. O craque, que havia abandonado a seleção francesa após a eliminação na Eurocopa, atendeu aos apelos de toda uma nação, e decidiu vestir mais uma vez a camisa da França, antes de abandonar definitivamente o futebol.
Contudo, o que deveria ser uma memorável despedida, se transformou em uma verdadeira tragédia nacional, e frustrou a expectativa de milhões de torcedores que sonhavam em ver a sua Seleção conquistando o segundo título mundial. No segundo tempo da prorrogação contra a Itália, Zidane foi expulso, depois de acertar uma cabeçada no peito do italiano Materazzi, após um breve bate-boca com o jogador. Enxotado do campo, Zizou teve de abandonar a faixa de capitão e o sonho de encerrar a carreira de maneira gloriosa, faturando mais uma Copa do Mundo.
Além do vexame, fica a amarga lição. Nas palavras do sábio Salomão: "Assim como a mosca morta produz mau cheiro e estraga o perfume, também um pouco de insensatez pesa mais que a sabedoria e a honra" (Eclesiastes 10.1). Trocando em miúdos: É preciso muito menos para arruinar algo, do que para construi-lo. E essa verdade não é válida apenas para a carreira de atletas de renome, como Zidane, mas para a vida de qualquer pessoa, e sob qualquer circunstância.
Assim como um minúsculo inseto pode estragar dezenas de litros de um perfume caríssimo, as escolhas ruins que fazemos acabam pondo a perder tudo aquilo que nos esforçamos tanto para alcançar. Um flagrante de infidelidade conjugal, por exemplo, pode mandar pelo ralo décadas de um casamento feliz. Um pequeno desvio de verba em uma empresa é suficiente para arruinar uma carreira de vinte ou trinta anos, pontuada pela mais absoluta competência e pela total dedicação. Uma conduta sexual inadequada provoca danos irreparáveis até mesmo em um ministério de mais de meio século.
Por isso, da próxima vez que você for tentado a negociar algum princípio moral, com a ilusão de que irá lucrar alguma coisa com isso, lembre-se de que - a exemplo do que aconteceu ontem à tarde com Zinedine Zidane, que passou de herói a vilão em poucos segundos - há infinitos exemplos de prêmios que foram perdidos e de bons começos que foram estragados, por um único gesto de imprudência.
Escrito por Léo Barbosa às 02h51
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A difícil arte de esperar

Em 31 Maio de 2003, três pessoas morreram e outras vinte e cinco ficaram feridas no show de rock "Unidos pela Paz", realizado no Jokcey Clube do Paraná, em Curitiba. A causa da tragédia foi a demora dos organizadores em abrir os portões que davam acesso ao local onde as bandas estavam começando a se apresentar. A multidão de fãs que estavam do lado de fora não conseguiu esperar e, no empurra-empurra, três adolescentes morreram pisoteados.
Jim Cymbala, pastor de uma igreja em Nova Iorque (EUA), diz que: "A parte mais difícil da fé geralmente é esperar". Por outro lado, saber esperar é também parte essencial da fé. Segundo a Bíblia, "a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" (Hebreus 11.1). Todas as vezes que não conseguimos esperar, tentamos resolver sozinhos as situações que exigem intervenção divina, e damos demonstrações explícitas da nossa completa falta de fé. Além disso, sempre que decidimos agir, quando é hora de esperar, os resultados são trágicos. Nos machucamos, derrubamos portões, passamos por cima daqueles que estão à nossa volta, ferimos pessoas indefesas e, o que é pior, corremos sérios riscos de nos afastar da vontade de Deus para a nossa vida.
É óbvio que ninguém gosta de esperar, pois consideramos a espera um tempo perdido. Por isso detestamos filas longas, salas de espera e sinais vermelhos. No entanto, precisamos aprender, urgentemente, que há muitas coisas importantes que podemos fazer, enquanto esperamos por uma ação divina.
Primeiro, podemos começar olhando para o nosso passado, com as lentes da gratidão. Longos períodos de espera são oportunidades inigualáveis de relembrarmos os grandes feitos de Deus, em nossa história de vida. Fazer isso nos ajuda a depositar nossa confiança em Deus novamente, reconhecendo Seu infinito amor e sua providência infalível.
Enquanto esperamos, também devemos aprender a abrir mão do controle, e entregá-lo ao único Deus soberano, cujo relógio dificilmente se ajusta ao nosso. Durante esse processo de entrega, podemos nos oferecer a Ele, para o serviço do bem, independente das circunstâncias em que nos encontramos.
Por último, enquanto esperamos, é preciso ser honesto o suficiente para admitir que pode haver algo errado em nós. Geralmente, Deus nos faz esperar, porque ainda não estamos prontos. Portanto, temos de aproveitar o tempo de espera, para examinar a nós mesmos, nos arrepender dos nossos maus procedimentos, buscar o perdão divino e consertar imediatamente quaisquer setores da nossa vida que estejam em desacordo com a vontade de Deus. Agindo assim, nossas esperas serão muito mais produtivas, e alcançarão o seu principal propósito, que é nos moldar conforme a imagem e a semelhança de Jesus Cristo, cuja vinda esperamos ansiosamente.
Escrito por Léo Barbosa às 02h43
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Amigo é coisa pra se guardar...

"Amigo é coisa pra se guardar". Quantos amigos você tem hoje? Poucas coisas na vida são tão importantes quanto a amizade. O único problema é que amigos de verdade são jóias cada vez mais raras.
Amigos de verdade, além de nos oferecer companhia, também estão dispostos a tirar a mão do bolso e repartir o pouco que têm conosco, quando estamos passando por algum aperto. Amigos de verdade não estão do nosso lado apenas nos momentos bons. Eles também nos acompanham quando passamos pelos vales frios e sombrios da vida. São eles que nos econtram nas salas de espera de hospitais ou na fila do seguro desemprego. Eles insistem em nos apoiar, mesmo quando não nos aprovam. Nos ajudam a levantar das cinzas, depois de sofrermos uma grande desilusão, e sempre nos fazem enxergar o lado bom de todas as coisas ruins que nos acontecem.
Amigos de verdade nos protegem do frio insuportável da solidão, da desesperança ou do ressentimento. Eles sopram as últimas brasas da fé que ameaçamos abandonar, e reaquecem as nossas esperanças. Amigos de verdade compram as nossas brigas. Eles jamais nos deixam apanhar sozinhos, mas resistem bravamente ao nosso lado.
Amigos de verdade sempre estão dispostos a reconstruir a amizade, depois dos estragos provocados pela turbulência de algum mal entendido. Eles sabem que, para que uma amizade sobreviva, é preciso perdoar e ser perdoado... sempre.
Pense de novo e responda: Quantos amigos desse tipo você tem hoje? Aliás, que tal começar respondendo uma outra pergunta: Quantas pessoas podem olhar para você, hoje, e chamá-lo de amigo?
Escrito por Léo Barbosa às 03h35
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Vidas desperdiçadas

A Bíblia está repleta de histórias de pessoas cuja vida poderia muito bem ser resumida em uma única palavra: DESPERDÍCIO. Adão e Eva, são fortes exemplos disso. Apesar de viverem em um mundo perfeito, terem uma saúde perfeita e desfrutarem de uma perfeita comunhão com Aquele que os havia criado, resolveram desobedecer ao único mandamento claramente expresso por Deus. Por desprezar a vida, deram lugar à morte, e por rejeitar a ordem, abriram caminho para o mais completo caos. Sansão é outro exemplo. O homem mais forte fisicamente que já existiu, mostrou ser também o mais fraco moralmente, a ponto de arruinar sua vida e pôr em risco toda uma geração, entregando-se repetidamente às mais desenfreadas paixões. Davi, o homem segundo o coração de Deus, foi o maior rei da História de Israel. No entanto, sua biografia foi perpetuamente manchada pelo adultério e pelo conseqüente assassinato que sentiu-se no direito de cometer. Além destes, temos também Salomão. A Bíblia o descreve como o homem mais sábio que já existiu. No entanto, curiosamente, Salomão demonstrou ser também o mais tolo. Casou-se com mil mulheres idólatras, que o induziram a trair a Deus, e a quebrar definitivamente a Aliança estabelecida por Ele, na Lei de Moisés.
No livro de Eclesiastes, Salomão apresenta um retrato vívido e cheio de sabedoria dos diversos caminhos que fizeram da sua vida um trágico desperdício. Em Eclesiastes, Salomão admite ter buscado o sentido da vida nas vias do conhecimento e da sabedoria, do prazer e do sucesso, do trabalho e das grandes realizações, da política e do exercício da solidariedade, da fortuna e da falsa segurança que ela transmite. Contudo, no fim da vida, Salomão descobriu que todos os seus empreendimentos não haviam passado de uma frenética e improdutiva corrida atrás do vento. "Tudo sem sentido! Sem sentido! Nada disso faz sentido!", concluiu Salomão.
Ao contemplar a biografia desses personagens bíblicos, sou instado por Deus a ponderar sobre o modo como tenho conduzido a minha própria vida. Sou constrangido a perguntar a mim mesmo se não tenho desperdiçado tudo aquilo que tão generosamente Ele tem derramado sobre mim. Tento descobrir se não estou me transformando, de alguma forma, na completa negação da fé que eu ainda insisto em professar.
Eu não sei ao certo quanto tempo mais Ele me concederá para fazer da minha vida, uma vida com propósitos. Se, hoje, Ele me convidasse para estar definitivamente ao Seu lado, é claro que eu responderia "sim". Afinal, não há nada que eu deseje mais, do que partir e estar com Ele para sempre. Contudo, é bem provável que Ele me dê alguns anos a mais por aqui - não me pergunte quantos. Portanto, tenho de orar todos os dias para que Ele não me permita fazer da maravilhosa vida com a qual fui graciosamente premiado, um desonroso e lastimável desperdício.
Escrito por Léo Barbosa às 02h37
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