Fazendo a escolha certa I

De todas as decisões que temos de tomar ao longo da vida, escolher a pessoa com quem vamos nos casar, é, sem dúvida, uma das mais importantes. Isso porque a qualidade da nossa vida dependerá bastante da pessoa com quem escolhemos dividi-la. É certo que uma escolha boa não dá garantida de felicidade plena, mas é, com certeza, um fundamento sólido sobre o qual podemos construi-la. Por outro lado, um casamento ruim, inevitavelmente, acaba trazendo infelicidade, conflitos, frustrações e um extremo desgaste emocional.

Contudo, curiosamente, a Bíblia fala bem pouco sobre este tipo de escolha. Jesus deu sua aprovação do casamento e Paulo fez o mesmo, mas nenhum deles nos deixou alguma pista sobre como devemos escolher com quem iremos nos casar. É bem provável que o silêncio bíblico revele o fato de que, na época em que a Bíblia foi escrita, a escolha do cônjuge não era responsabilidade direta dos envolvidos. Em alguns casos, inclusive, o noivo não via sequer o rosto da noiva, até que ficavam juntos na noite de núpcias.

Hoje, a história é bem diferente! Todos nós temos a chance de escolher com quem iremos passar o resto de nossas vidas. Portanto, é preciso pensar muito bem em como vamos fazer nossa escolha. Há muitas coisas que se considerar antes de dizer "sim". No artigo de hoje, eu vou dar três conselhos pra quem quer acertar o alvo na hora de escolher um parceiro pra toda a vida. São eles:

Primeiro: Não se apresse! Um dos erros mais freqüentes que os casais cometem é se casar depressa demais. Uma pesquisa da Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, estabelece uma forte correlação entre namoros longos e casamentos satisfatórios. Mas há também uma correlação igualmente forte entre namoros breves e casamentos frustrados. Antes de decidir pelo casamento, temos de esperar a poeira da paixão cega abaixar. Pois nesta primeira fase do namoro é muito fácil enganar e ser enganado no relacionamento a dois.

Segundo: Amadureça primeiro! Outro erro muito comum que as pessoas cometem é encerrar o processo de seleção do parceiro, antes de terem amadurecido o suficiente para fazer a opção mais acertada. A maioria das pessoas com menos de 18 anos está engajada no processo de individuação, que é aquela fase da vida em que temos de responder a perguntas do tipo: Quem sou eu realmente, quando estou separado da minha família ou da minha turma? Quais as coisas realmente importantes para mim? A qual profissão devo me dedicar? Creio realmente em Deus, ou estou seguindo a religião dos meus pais? As chances para um casamento feliz são muito maiores quando primeiro se descobre quem é, e só depois se casa.

Terceiro: Não se case para se livrar da infelicidade! Muitos solteiros acabam se casando apenas para fugir do tédio, escapar de um contexto familiar desajustado, vencer a solidão, ou para se livrar das desilusões da infância, achando que o casamento irá recompensá-los por todos os seus problemas. Qualquer pessoa que esteja procurando um cônjuge que lhe dê a vida que ela nunca teve, tem grandes chances de transformar seu casamento em uma completa decepção. Isso, porque optam pelo casamento para ser felizes, e não para fazer o outro feliz, como deveria ser.

Amanhã eu vou dar mais quatro conselhos para aqueles que já sabem que um casamento feliz não é o tipo de coisa que cai do céu sobre qualquer pessoa. Ao contrário, para desfrutarmos de todos os privilégios e delícias da vida a dois, precisamos reconhecer que é preciso manter o olho bem aberto e colocar a cabeça no lugar, antes que nos enfiemos em um caminho sem volta, do qual nos arrependeremos amargamente.



Escrito por Léo Barbosa às 03h09
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Se ele não nos livrar

A vida nem sempre anda como nós esperamos. Algumas vezes, mesmo quando fazemos tudo do jeito certo e seguimos à risca o script da Escritura, as coisas não funcionam tão bem quanto gostaríamos. Todos nós conhecemos pais exemplares, que amargaram a gratidão e a rebeldia dos seus filhos; cônjuges que, apesar de serem fiéis, dedicados e carinhosos, foram vítimas da infidelidade do parceiro; ou empregados competentes e subordinados, que foram despedidos injustamente ou foram passados pra trás por um colega de trabalho mesquinho e ambicioso.

As histórias dos personagens bíblicos não são diferentes. Há uma lista interminável de homens e mulheres de Deus que, mesmo depois de fazerem tudo do jeito certo, viram sua sorte mudar e foram arremessados contra as impiedosas rochas da desilusão e do desapontamento. Abel, por exemplo, depois de ter agradado a Deus com a sua oferta, foi violentamente assassinado pelo próprio irmão. José do Egito tinha um caráter aparentemente impecável, mas foi sistematicamente traído por aqueles que o cercavam, até ser jogado no calabouço frio e úmido da mais cruel injustiça. Jó foi apontado por Deus como o homem mais justo do mundo, mas mesmo assim sua vida foi devastada por uma série de tragédias que fariam qualquer um de nós desistir da fé.

Poderíamos incluir nesta lista os nomes de Davi, de Isaías, de Jeremias, de Oséias, de Daniel, dos discípulos, de Estevão, do apóstolo Paulo e de muitos outros. Mas a história de três personagens bíblicos em especial ilustra muito bem como devemos reagir, quando a vida dá errado, mesmo depois de fazermos tudo do jeito certo. São eles: Hananias, Misael e Azarias, também conhecidos como: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

Os primeiros capítulos do livro de Daniel contam a história destes três jovens judeus, que foram levados cativos para um país distante, onde foram lançados em uma fornalha extraordinariamente quente, por se recusar a prestar culto a outra pessoa, além do único Deus de Israel. Os três rapazes decidiram em seus corações que não abririam mão de sua fidelidade a Deus, mesmo que suas vidas estivessem em risco. E, justamente por causa disso, foram amarrados e atirados em um forno tamanho-família, para que morressem queimados diante do povo.

No final da história, Deus tratou de salvá-los pessoalmente do fogo, e andou tranqüilamente com os três jovens dentro da fornalha ardente, sem que nada acontecesse a eles. No entanto, maior do que o próprio milagre realizado por Deus para livrá-los da morte, foi a fé que eles revelaram ter no Senhor, quando foram ameaçados pelo rei inimigo, Nabucodonosor, de serem executados por não se dobrarem diante de outro ser, que não fosse o Deus ao qual adoravam. Suas palavras são, ainda hoje, uma rica fonte de inspiração e de motivação para aqueles que, apesar de buscar agradar a Deus e obedecer a Seus estatutos, passam por circunstâncias difíceis e inexplicáveis. Eles disseram:

"Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer" (Daniel 3.16-18). A resposta deles ao rei inimigo é uma das mais belas afirmações da total confiança na soberania divina e do amor destemido e sacrificial que Deus espera encontrar em Seus filhos, independente das circunstâncias que estiverem atravessando.



Escrito por Léo Barbosa às 03h25
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Ser santo pra quê?

Se somos salvos pela graça somente, por que devemos nos preocupar em fazer o que é certo? Uma das verdades mais importantes do Novo Testamento é a de que os cristãos "são salvos pela graça, por meio da fé (...) não por obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8,9). Em vista disso, muitos cristãos se perguntam por que temos de viver em santidade, já que as nossas boas obras não carimbam o nosso passaporte para o céu?

A Bíblia apresenta diversas razões porque devemos praticar a justiça e abandonar a impiedade. Vejamos algumas delas:

A primeira razão é que Deus quer que sejamos santos. O apóstolo Paulo diz que "a vontade de Deus é que vocês sejam santificados" (1Tessalonicenses 4.3). Isso, por si só, já deveria ser motivo suficiente para buscarmos incansavelmente a santidade, por causa daquele que tanto nos amou, ao ponto de entregar o Seu próprio Filho por nós.

Outra razão, é que nós fomos criados por Deus para refletir o Seu caráter. Pedro diz que "assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem" (1Pedro 1.15). Isto é, se somos filhos de um Deus justo e reto, nossas vidas também têm de exibir as marcas da justiça e da retidão.

Além disso, o maior de todos os mandamentos, segundo Jesus, é: "Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento" (Mateus 22.37). E, com certeza, amar a Deus inclui viver para agradá-lo. Se é verdade que "ele nos amou primeiro" (1João 4.19), isso é o mínimo que se pode esperar de nós.

Se todas estas razões ainda não fossem suficientes, poderíamos nos lembrar que a santidade é o caminho para a felicidade. O Salmo 1.1 diz: "Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores". O Salmo 119.1,2 diz: "Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis (...) Como são felizes os que obedecem os seus estatutos e de todo o coração o buscam!" Não há nenhuma passagem bíblica que peça para os cristãos escolherem entre a felicidade e a santidade. Ao contrário, segundo as Escrituras, ou nós temos as duas, ou não podemos ter nenhuma. Como afirma o escritor J. I. Packer: "Não existe verdadeira felicidade, sem santidade, nem neste mundo, nem na eternidade".

Portanto, como cristãos, nós não buscamos a santidade a fim de ganharmos o céu. Antes, nos esforçamos para alcançar uma vida santa, justamente porque já ganhamos o céu. E porque a própria vida de Deus foi derramada em nosso coração, nos capacitando para viver em santidade. Além do mais, a santificação não é fruto do nosso esforço próprio, mas sim uma obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão.



Escrito por Léo Barbosa às 03h48
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O pão nosso e o materialismo cristão

No século passado, o mundo assistiu ao surgimento da primeira geração de cristãos evangélicos materialistas. As igrejas que mais cresceram, na segunda metade do Século 20, foram as que prometeram o céu na terra e convenceram seus fiéis de que a fé lhes assegurava o direito de ter bastante dinheiro no bolso, boa saúde e muito sucesso.

Obviamente, não é pecado ser rico ou ter saúde, no entanto, a busca frenética dos cristãos pela prosperidade material não encontra nenhum respaldo no evangelho de Jesus. Na oração do Pai Nosso, por exemplo, Jesus ensinou seus discípulos a apresentar a Deus suas necessidades, dizendo: "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia" (Mateus 6.11). Estas palavras de Jesus nos previnem contra o materialismo cristão propagado pelos pastores modernos.

Em primeiro lugar, Jesus ensina que devemos confiar em Deus e depender totalmente da Sua providência. Afinal, Ele sabe o que realmente precisamos e sempre está pronto para suprir as nossas reais necessidades. É das Suas mãos que vem o "pão nosso". Em segundo lugar, Jesus queria nos ensinar a lição da solidariedade ou da caridade. O pão que Suas mãos derramam sobre nossas vidas é "nosso". Ou seja, quando Deus generosamente nos abastece, Sua provisão deve ser repartida com aqueles que ainda não tiveram suas necessidades básicas supridas. Em Cristo, o pão que vem dos céus não é "seu" nem "meu", mas "nosso".

Além disso, a expressão "pão nosso de cada dia" constrange-nos à modéstia. Jesus não ensinou seus discípulos pedir luxo nem a buscar coisas supérfluas ou extravagantes. O pão sempre foi, entre todos os alimentos, o mais comum e também um dos mais baratos. Não há nenhuma recomendação bíblica para que oremos pedindo BMWs, sapatos de cromo alemão e coisas do gênero. Pelo contrário, exigir que Deus aja como um gênio da lâmpada, realizando os nossos mais excêntricos desejos é uma prática absolutamente antibíblica, para não dizer diabólica.



Escrito por Léo Barbosa às 22h54
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Um amor sem limites

Deus não se surpreende com os nossos pecados. Não estou dizendo que Deus não se incomode ou não se entristeça com eles, apenas que eles de modo algum o pegam de surpresa. O personagem bíblico que melhor nos ajuda a compreender isso, é o grande rei Davi. No Salmo 139.16, ele diz: "Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir".

Não havia nada a nosso respeito - no passado, no presente ou no futuro - que Deus não soubesse bem, muito antes de virmos ao mundo. Isto é, bem antes de Ele nos chamar para viver a maravilhosa aventura da vida cristã, Deus já conhecia de antemão todas as decisões - acertadas ou não - que tomaríamos até o último dia de nossas vidas.

Davi sabia exatamente sobre o que ele estava falando. Desde muito jovem, quando era apenas um humilde pastor que cuidava das ovelhas do seu pai, Davi soube que havia sido escolhido por Deus para ser o sucessor de Saul, no trono de Israel. Segundo o testemunho do próprio Deus, Davi era um homem segundo o Seu coração. Isto é, era alguém de quem o Senhor se agradava profundamente.

Os anos que se seguiram e a primeira metade do glorioso reinado de Davi não deixaram dúvidas de que ele era mesmo esse homem. A devoção, a sinceridade, a lealdade, o temor do Senhor e a coragem que ele demonstrou, fizeram dele o maior de todos os reis que Israel conhecera. No entanto, perto dos cinqüenta anos de idade, após vinte anos no trono, o grande rei cometeu duas das maiores tolices que alguém em sua posição jamais poderia cometer. Manteve relações sexuais com a esposa de um dos mais fiéis valentes do seu exército e, ao descobrir que a deixara grávida, articulou um plano sórdido para assassinar seu marido e, então, arrastá-la para o seu harém.

Imagino que a família real e todos os súditos do seu reino tenham ficado excepcionalmente surpresos quando ouviram os primeiros boatos sobre aquilo que Davi tinha feito. No entanto, seus pecados não surpreenderam a Deus. Na verdade, antes mesmo que Davi tivesse a chance de cometê-los, Deus já sabia exatamente quais seriam os seus pecados. E, mesmo assim, o Senhor ousou escolhê-lo como rei. Em seguida, fez uma aliança perpétua com ele, a qual se cumprirá cabalmente na definitiva instauração do reino dos céus na terra, que acontecerá por ocasião da segunda vinda de Cristo.

Deus nunca é pego de surpresa. Todas as histórias chocantes de homens e mulheres que pecaram contra Ele - na Bíblia ou fora dela - podem deixar qualquer expectador chocado, menos o Senhor. Pois não há nada sobre o homem que Ele desconheça. Não há nenhum pecado nosso que Ele não tenha contemplado, antes mesmo de nos chamar para Si.

Se, por um lado, esta consciência produz em nós um certo grau de temor ou constrangimento, por outro, também nos oferece segurança. Pois que Deus seria capaz de amar incondicionalmente aqueles a quem Ele sabia que, mais tarde, o iriam trair? Que rei seria apaixonado o bastante para se entregar à morte mais cruel de todas, a fim de salvar a pele de pessoas que nem ao menos seriam capazes de demonstrar a justa gratidão por isso? Apenas uma Pessoa agiria assim. Aquele a respeito de quem a Bíblia diz: "Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). Aquele cujo amor não encontra limites, quando se trata de nos alcançar, perdoar e restaurar definitiva e eternamente.



Escrito por Léo Barbosa às 03h44
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Fugindo da tentação

A queda não é um momento, mas um processo. Pecados não acontecem por acidente. Quando um homem tem de se esconder no guarda-roupa de uma mulher casada, por medo de ser encontrado pelo marido dela, ele sabe exatamente quais foram todos os passos que o conduziram até ali. Se ele tiver a chance de se explicar, poderá detalhar como foram as primeiras trocas de olhares, as longas conversas ao telefone, os almoços despretensiosos, os rápidos encontros secretos, as juras de amor sussurradas ao ouvido, etc. etc. etc. Antes de se enfiar naquele desconfortável e escuro guarda-roupa, aquele amante tomou uma série de decisões, que o fizeram avançar em direção ao adultério.

É exatamente assim que acontece com todas as modalidades de pecado, não apenas com os de natureza sexual. Todos os atos pecaminosos que cometemos são premeditados. Geralmente, percorremos um longo caminho até ele, seduzidos pela mentira de que poderemos escapar das suas conseqüências.

A Bíblia diz que "cada um, porém, é tentado pelo seu próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte" (Tiago 1.14,15). Em suma, a queda sempre segue os mesmos passos: o estímulo exterior da tentação, a reação interior da imaginação, a elaboração de um plano que desencadeia todo o processo, a consumação do ato e, finalmente, as conseqüências inevitáveis geradas por ele.

Sendo assim, de nada adianta tentar resistir ao pecado, depois de já termos percorrido os primeiros estágios da queda. Aqueles que desejam sinceramente lutar contra o pecado precisam, logo no início, interromper o processo que conduz a ele. É preciso ter uma atitude correta diante da tentação, antes que pecar se torne praticamente inevitável. Pois, sem sombra de dúvidas, esta é a única estratégia suficientemente eficaz para nos desviar das trágicas conseqüências geradas pela desobediência a Deus.



Escrito por Léo Barbosa às 17h38
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Uma homenagem aos pais

Ser pai deve ser como tocar o segundo violino em uma grande orquestra sinfônica. Não existe harmonia sem ele, mas dificilmente ele será aplaudido por isso. Afinal, ser pai é ter de se conformar com o segundo lugar, desde o início.

Já na gestação, parece que os papais vão, aos poucos, ficando pra trás. Suas mulheres se tornam mamães nove meses antes de eles se tornarem papais. E o que é pior, só elas são capazes de sentir aquele pequeno ser se desenvolvendo, se virando e "chutando" do lado de dentro de suas barrigas. Não há ciência no mundo que possa comunicar aos pais as deliciosas e inesquecíveis sensações da maternidade.

E quando o bebê nasce, então? Todas as atenções são da mamãe. "Como foi a gestação? Foi parto normal? Você está se recuperando bem?". Nitidamente perdido, o papai vai ter de tirar os biscoitos amanteigados da embalagem, colocar os refrigerantes na mesa, procurar pelos últimos guardanapos e ainda por cima correr para atender às demandas da mais nova rainha do lar.

Bem mais tarde, ele vai ser o último a saber quando o seu bebezinho - que nem será mais tão bebezinho assim - arrumar uma encrenca daquelas na escola, tirar uma nota baixa no colégio ou se apaixonar pela primeira vez. Ah! O papai vai estar sempre uma ou duas semanas atrasado.

No final, quando os seus filhos já estiverem casados ou morarem longe de casa, inevitavelmente, eles vão acabar dizendo: "Vamos visitar minha mãe". E os pais, obviamente, vão se sentir meros coadjuvantes nos tradicionais almoços de família.

De vez em quando, ser pai vai significar apenas: pagar as contas, apagar as luzes e ficar ali, de vigia, cuidando pra que nada de ruim aconteça à sua prole. E mesmo que ele se esforce ao máximo e dê tudo de si para honrar cada uma das suas inumeráveis responsabilidades de pai, ninguém nem se dará conta disso, pois para todos ele não terá feito nada além do que mandam as suas obrigações.

A esses homens incríveis, que fazem tanto, mas aparecem tão pouco, os meus mais sinceros votos de FELIZ DIA DOS PAIS! Que a graça provedora, o amor protetor e a luz orientadora do nosso Pai Celestial sejam sempre refletidos no caráter e na conduta de cada um dos papais que clicarem por aqui!



Escrito por Léo Barbosa às 02h59
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Fé demais não cheira bem

Sempre que eu estou com insônia ou com vontade de me distrair um pouco, dou uma estacionada num daqueles programas religiosos, que passam na TV, lá pelas tantas da noite. A diversão é garantida! Bastam alguns minutos em frente à telinha, para o telespectador se deliciar com algumas das "pérolas teológicas" proferidas pelos telegurus que animam a madrugada da TV aberta.

Um dia desses, um dos famosos representantes do espiritualismo eletrônico definiu muito bem o tipo de fé professada pelos seus pares religiosos. Segundo ele, "fé é a capacidade mental de transformar em verdade tudo aquilo em que decidimos acreditar". Para ilustrar o modelo de fé acerca do qual ele estava falando, o dito cujo contou a história de um velhinho, perto de oitenta anos, que andava deprimido por não ter praticamente mais nenhum dos seus dentes. De repente (foi aí que a "fé" começou a agir), o velhinho se lembrou de que, quando era criança, também havia trocado sua dentição. Agora, ele só precisava reativar a fé, para repetir a experiência do passado.

A associação que o pobre banguela fez foi muito simples. Ele lembrou que, quando lhe nasceram novamente os dentes, sua mãe o obrigava a tomar mingau todas as manhãs. Ele não teve dúvidas, passou imediatamente a preparar o próprio mingau e tomá-lo, pela fé, todos os dias. Segundo o teleguro, não deu outra, o fiel foi agraciado com uma terceira dentição! "Isso é que é fé!", gritava o líder religioso, enquanto o auditório reagia com aplausos e apupos ao seu testemunho, sem pé nem cabeça.

Infelizmente, esse é o tipo de "fé" estimulado pela maioria dos telepastores que fazem sucesso no cenário nacional. Com testemunhos como esses, os gurus espirituais da nossa geração têm ensinado os seus fiéis a emitir cheques-sem-fundo, abandonar tratamentos médicos, começar novos empreendimentos e até se casar, "pela fé". O problema é que as atitudes que os ensinos desses espertalhões acabam produzindo não têm absolutamente nada a ver com a fé bíblica. Na verdade, elas não passam de pensamento positivo, transtornos obsessivos compulsivos ou, em alguns casos, verdadeiros desvios de caráter e de personalidade. Esse tipo de fé jamais é encorajado na Escritura, e não encontra nenhum respaldo nas experiências dos personagens bíblicos.

A fé apresentada na Bíblia repousa sobre a "palavra de Cristo" (Romanos 10.17), e não sobre a expectativa infundada daqueles que não têm compromisso nenhum com ela. Do ponto de vista bíblico, fé não é a crença infantil de que as coisas simplesmente darão certo no final. Ao contrário, a verdadeira fé é a capacidade de permanecer fiel àquilo em que se crê, mesmo quando tudo dá errado, e as coisas não saem como planejamos.

Como diz o escritor Max Lucado: "Fé é a crença de que Deus é real e bom. Fé não é uma experiência mística, nem uma visão à meia-noite (...) é uma escolha para crer que aquele que fez tudo, não abandonou sua criação e ainda envia luz às trevas". Ou, nas palavras da escritora Vickey Banks: "Fé não é apenas uma questão de desejar muito o que queremos. Fé é confiar que Deus sabe e faz o que é melhor". Trocando em miúdos, a fé não garante um sorriso cheio de dentes, mas nos oferece motivos mais do que suficientes para sorrir, com ou sem eles.



Escrito por Léo Barbosa às 12h24
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A arte de carregar geladeiras

Ao sair de casa, logo pela manhã, o morador do 104 percebeu que o vizinho, do 105, enfrentava dificuldades para passar com a sua geladeira pela porta da frente do seu apartamento. Ele olhava de um lado e de outro, media os espaços com a trena, e punha-se a empurrar aquele trambolho, tomando muito cuidado para não arranhar os batentes da porta. Muito prestativo, o morador do 104 pôs-se a ajudar o vizinho. Passados mais de dez minutos, nada de a geladeira sair do lugar. Depois 15, 20... quase 25 minutos... e nada.

- O senhor vai me desculpando, mas eu já estou atrasado para o trabalho e... pra falar a verdade, acho que vai ser impossível colocar essa geladeira aí dentro mesmo.

- O quê??? Mas eu estou tentando colocá-la pra fora do apartamento, e não pra dentro!!!

Mais dia, menos dia, todo relacionamento tem de passar por mudanças. Coisas têm de ser arrastadas, rotinas precisam ser repensadas, expectativas têm de ser recalibradas, antigos planos precisam ser avaliados e novos projetos abraçados. Funciona assim na família, na empresa, na igreja e, inclusive, no relacionamento a dois.

Nem preciso dizer quão difícil é para nós, seres humanos, ter de lidar com essas mudanças. Temos a tendência de preferir problemas conhecidos, a soluções muito inovadoras. Sentimo-nos ameaçados pelas mudanças, pelo simples fato de termos nos acostumado às "coisas como elas são", por piores que elas pareçam ser.

Pois bem. Se as mudanças já são por demais complicadas, elas tendem a ser muito mais difíceis e contraproducentes, quando não investimos tempo suficiente para trocar idéias ou impressões, identificar necessidades, estabelecer alvos, acordar prioridades, elaborar estratégias e dividir responsabilidades. Quando não fazemos isso, corremos o risco de descobrir que cada uma das partes envolvidas está "empurrando a geladeira" para o lado errado. E isso, depois de todos terem desperdiçado seu tempo, exaurido seus recursos e se esgotado física e emocionalmente. Antes que isso aconteça, faça um balanço cuidadoso dos seus relacionamentos e entre em sintonia com as pessoas diretamente envolvidas. A receita nem é tão difícil assim. Você só precisa fazer três coisas: conversar, conversar e... adivinhe: CONVERSAR.



Escrito por Léo Barbosa às 02h18
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Escaps

Eu sou do tempo em que não era preciso muita sofisticação para divertir uma criança. Estilingues, pipas, amarelinhas, palitos, peões, tabuleiros de damas e mesas de futebol-de-botão eram mais do que suficientes para proporcionar longas horas de divertimento para as crianças e de sossego para os adultos. Uma das brincadeiras infantis que mais viravam a cabeça da minha geração eram as bolinhas de gude. Teco, teco, teco. Não precisávamos de muita coisa, apenas uma rua de terra batida, alguns buracos no chão e uma sacola de bolinhas de vidro de todas as cores e tamanhos.

Mas, como tudo na vida, nem sempre as coisas davam certo. Às vezes, depois de nos prepararmos ao máximo para uma boa jogada, algo saía errado e a bolinha seguia teimosamente na direção oposta àquela que havíamos planejado. Aí não tínhamos outra opção, a não ser evocar a única palavrinha mágica, capaz de nos salvar a pele: "escaps". Era só dizer "escaps" - depois de um erro grosseiro - que, como num passe de mágica, a bolinha voltava para a nossa mão e nós tínhamos uma segunda chance.

Ah, se a vida fosse assim! Como seria bom se, depois de uma palavra mal colocada, um gesto impensado ou um humilhante deslize moral, pudéssemos simplesmente repetir a nossa palavra mágica: "Escaps". Aí, tudo voltaria à estaca zero, e nós teríamos a nossa segunda chance. Mas, infelizmente,não é assim que as coisas funcionam. Não podemos, simplesmente, desdizer nossas bobagens, desfazer nossa tolices ou limpar a sujeira do nosso currículo. Não existem palavras mágicas que façam o tempo voltar, para tentarmos de novo. O tempo é implacável, e as conseqüências daquilo que fizemos são quase sempre inevitáveis.

Contudo, como observou o escritor William Barclay: "Em Jesus, há o evangelho da segunda chance. Ele sempre estava profundamente interessado em quem as pessoas poderiam vir a ser, não apenas em quem as pessoas haviam sido". Nele, isto é, em Cristo, todos nós recebemos o direito de começar de novo, do zero. Mesmo depois dos piores erros, a maravilhosa graça de Deus faz com que a "bola" volte para as nossas mãos, e tenhamos a chance de reconstruir a relação com o nosso Pai de Amor. Por causa da cruz de Cristo, podemos erguer a voz aos céus e, das profundezas das nossas piores culpas, podemos pedir perdão, com a certeza de que a nossa oração terá alcançado os ouvidos de um Deus Benevolente, capaz de apagar todas as nossas dívidas e nos trazer de volta, em Seus firmes e ternos braços, onde finalmente encontramos o tão sonhado "escaps".



Escrito por Léo Barbosa às 02h40
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Um amor de verdade

Não é de hoje que a palavra amor se tornou uma espécie de curinga no parco vocabulário que usamos cotidianamente. Dizemos: "Eu amo chocolate!" Ou então: "Amei aquela bolsa!" Alguns, inclusive, chegam ao cúmulo de dizer: "Mesmo na segundona, eu sempre vou amar o Corinthians!"

O resultado da vulgarização do termo amor é que, hoje em dia, existe uma inumerável quantidade de definições para ele. Há pessoas que, em nome do amor, são capazes de agredir ou matar qualquer um que se coloque no caminho do seu "amor desmedido". Outras, se envolvem em tórridos romances extraconjugais, e passam a chamar o adultério de "amor verdadeiro". Há até aqueles que, arrastados por seus instintos sexuais mais sórdidos, se entregam a práticas antibíblicas, como a pedofilia e o homossexualismo, acreditando serem elas expressões legítimas do amor.

Nesse oceano de equívocos e confusões a respeito do assunto, é cada vez mais necessário nos aconselharmos com a Bíblia, e rememorarmos como ela define a palavra amor. Em 1Coríntios 13.1-7, por exemplo, o apóstolo Paulo apresenta a mais bela de todas as descrições do verdadeiro amor. Segundo ele, "o amor é paciente". Isto é, o verdadeiro amor tem uma infinita capacidade de suportar dificuldades e desconfortos. E isso, obviamente, não tem tanto a ver com o que gostamos ou deixamos de gostar. Nem tem a ver com os nossos sentimentos. Mas diz respeito, única e exclusivamente, ao compromisso que firmamos com quem decidimos amar, plena e incondicionalmente.

Paulo também diz que "o amor é bondoso". Ou seja, o verdadeiro amor não exibe apenas uma bondade de palavras, mas de ações, mesmo quando é humilhado, rejeitado ou mal tratado. Muitas pessoas admitem ter dificuldade de dizer que amam. Mas a experiência já deixou mais do que comprovado que é muito mais fácil falar em amor, do que demonstrar amor de fato. No entanto, como diria William Shakespeare, o dramaturgo e poeta inglês: "Quem não demonstra o amor, não ama".

Portanto, na próxima vez que você for usar a palavra amor em uma de suas despretensiosas conversas, lembre-se de que aquele sentimento ao qual você está pretendendo se referir, muito provavelmente, seja bem inferior àquilo que a Bíblia descreve como sendo o sublime e verdadeiro amor. O amor que não inveja, não se orgulha, não maltrata jamais, não procura seus próprios interesses, não se irrita facilmente, não insiste em guardar rancor e não se alegra com a injustiça. Ao contrário disso, o verdadeiro amor está sempre disposto a sofrer voluntariamente, crer incondicionalmente, esperar mansamente e suportar firmemente todas as oscilações do humor, da paixão, do orçamento ou da saúde, como um soldado que resiste bravamente e que, no grosso da batalha, não fraqueja nem se rende! A uma atitude assim, poderíamos chamar, sem dúvida alguma, de "um amor de verdade"!



Escrito por Léo Barbosa às 23h40
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