A morte do João Hélio e o pecado do Homem

A morte do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, que foi arrastado por cerca de sete quilômetros, preso ao cinto de segurança do carro da família, durante um assalto no Rio de Janeiro, no começo do mês, chocou os cidadãos e as autoridades do país inteiro. Os assaltantes dirigiram em alta velocidade por três bairros do subúrbio do Rio, fazendo ziguezague, na tentativa de se desvencilhar do menino, que não conseguiu desatar o cinto de segurança.
Esta não foi a primeira e, certamente, não será a última tragédia patrocinada pela violência e pela impunidade que se instalaram em nossa sociedade. Só para relembrarmos: no final do ano passado oito pessoas morreram em um ataque a um ônibus, em que, após assaltarem os passageiros, cerca de quinze bandidos atearam fogo ao veículo, impedindo que as pessoas descessem. Em novembro de 2005, outras cinco pessoas morreram em outro ataque a um ônibus na periferia do Rio de Janeiro, entre elas um bebê de apenas um ano. Em São Paulo, bandidos amarraram e atearam fogo em quatro pessoas, presas dentro de um veículo, no município de Bragança Paulista. Entre elas também havia uma criança, com cinco anos de idade.
Enquanto todos os veículos de informação do país noticiavam a morte do João Hélio, representantes de diversos segmentos da sociedade discutiam medidas que possam impedir que os criminosos continuem agindo com tanta crueldade e frieza. Entre as propostas que tramitam hoje no Legislativo, há aquelas que visam diminuir a maioridade penal para 16 anos ou emancipar automaticamente os adolescentes que praticarem crimes hediondos, para que estes sejam julgados pela justiça comum, como adultos.
Sem entrar na infindável discussão sobre a legitimidade ou a eficácia destas propostas, eu gostaria de refletir sobre aquele que, segundo a Bíblia, é o verdadeiro "x" da questão: o pecado do Homem. "Qualquer plano para melhorar a sociedade, que ignore o problema do pecado está fadado ao fracasso". Do ponto de vista bíblico, esta afirmação do escritor Warren W. Wiersbe é incontestável. A menos que a sociedade, como um todo, e os cidadãos, individualmente, se dêem conta de que o coração do problema da sociedade é o problema do coração dos seres humanos que a compõem, continuaremos patinando sobre as nossas suposições e indignações, sem nos mover um milímetro sequer em direção à ordem.
Segundo o profeta Jeremias, que viveu cerca de 2.600 anos atrás: "O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável" (Jr 17.9). Incurável, é claro, do ponto de vista humano. Nenhuma mudança no código penal ou no sistema carcerário pode remediar nosso mal. Nem mesmo uma redistribuição de renda justa ou o livre acesso à saúde e à educação poderiam fazê-lo. O problema do homem é o pecado, e para o pecado só existe um remédio: a graça disponível a todos por meio da fé na morte substitutiva de Jesus Cristo, na cruz do calvário. Só quando somos reconciliados com Deus, por meio da fé no sacrifício do Seu Filho, é que recebemos uma nova vida dentro de nós (a vida do Espírito Santo), que nos põe dentro de um processo de santificação (uma espécie de higienização moral, social e espiritual), que nos capacita a construir o tipo de vida que Deus sempre desejou para nós. Um tipo de vida alicerçada sobre a justiça, a verdade, a fraternidade, a caridade e a paz. Enquanto insistirmos em resolver nossos problemas sozinhos, vamos continuar contando os corpos dos nossos "joões hélios", pobres vítimas do egoísmo e da maldade que habitam o coração dos homens. De todos os homens, diga-se de passagem.
Escrito por Léo Barbosa às 15h12
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Quando Deus diz NÃO

Se você é uma pessoa normal (e eu quero acreditar que seja), já deve ter sentido na pele a frustração de uma oração não respondida. Talvez, você a tenha feito em um momento dramático da sua vida, num corredor de hospital ou antes de uma entrevista de emprego e, apesar da imensa vontade de ver o seu pedido atendido e da fé de que Deus responderia com um belo e amigável "sim", o que você ouviu foi um sonoro e doloroso "não".
Não sou ingênuo o bastante para acreditar que existam respostas fáceis para perguntas do tipo: "Por que Deus não curou meu filho?" ou "Por que Deus não livrou minha família da tragédia?" Mas estou convicto de que, mesmo quando diz "não" às nossas orações, Ele demonstra o Seu amor e o Seu cuidado por nós, e continua escrevendo a nossa história, conforme os Seus eternos e sublimes propósitos.
Certamente, não somos os primeiros nem seremos os últimos a ouvir Deus dizer "não". Ao que me parece, esta é uma daquelas experiências amargas que, cedo ou tarde, acabam encontrando toda pessoa que ousa recorrer a Deus nos momentos difíceis da vida. A lista de pessoas que tiveram suas expectativas frustradas por um Deus que diz "não" é infindável e inclui verdadeiros heróis da fé. Abraão, por exemplo, pediu a Deus que livrasse as cidades de Sodoma e Gomorra do justo juízo divino. Deus disse "não". Moisés tinha certeza absoluta de que, depois de quarenta anos de peregrinação no deserto, entraria com o povo de Deus na Terra Prometida. Deus lhe disse "não". O profeta Jonas esperava que Deus aplicasse o mais rigoroso castigo aos cruéis cidadãos da cidade de Nínive, capital de um reino inimigo de Israel. Mas Deus também disse "não". O próprio apóstolo Paulo, o maior de todos os personagens da História da Igreja Cristã, admitiu ter orado em vão para que Deus o livrasse de um tormento pessoal o qual ele chamou de "espinho na carne" e "mensageiro de Satanás". Por três vezes ele orou, mas a resposta de Deus foi "não".
Mas, de todos os exemplos que se pode mencionar, o mais forte e significativo para nós, sem dúvida alguma, é o de Jesus, o Filho de Deus. Às vésperas de sua prisão e crucificação, Jesus foi assaltado por um sentimento de agonia desesperadora, à qual ele chamou de "tristeza mortal". Afligido pela sombra da cruz e pela aproximação do juízo ao qual se submeteria, em nosso lugar, Jesus orou por três vezes, dizendo: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice". Nosso Senhor sabia que, dali algumas horas, a ira de Deus seria desencadeada contra ele e a sua comunhão eterna com o Pai seria temporariamente interrompida. Era isso que o fazia tremer. Por outro lado, sua morte na cruz era o único remédio viável para o pecado e a culpa dos homens a quem Deus tanto amava e queria salvar. E, por mais dolorosa e dramática que a crucificação tenha sido - tanto para o Filho quanto para o Pai - o "não" de Deus à oração de Jesus se constituiu na maior de todas as demonstrações do amor e do cuidado divinos, movidos contínua e incondicionalmente em favor daqueles que ousam continuar amando a Deus, mesmo quando Ele não está disposto a dizer "sim" a todas as nossas vontades.
Escrito por Léo Barbosa às 10h45
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