Nós e a nossa velha paródia religiosa

Se a nossa vida não for um culto a Deus, pode esquecer, o culto que oferecemos a Ele não terá valor algum! Não é de hoje que as pessoas religiosas tentam compensar (ou camuflar) uma vida de impiedade, mentira e desobediência a Deus, com um culto muito bem produzido. Como se o teatro e a coreografia que fazemos nos palcos da nossa falsa religiosidade fossem aplacar a justa ira de Deus contra a nossa vida de pecado.
Se a nossa vida não agradar a Deus, os nossos sermões mais inflamados, as nossas melhores músicas e todas as pirotecnias que usamos em nossas igrejas também não irão agradá-lo. Ao contrário do homem, Deus não se deixa impressionar com a eloqüência, os talentos e as habilidades musicais de simples mortais, como você e eu. Se ainda existe alguma coisa capaz de causar boa impressão em Deus, é uma vida totalmente consagrada a Ele, de alguém que vive a verdade que prega e que pratica aquilo que declara em canções.
Certa ocasião, Deus usou o profeta Isaías para expor a paródia religiosa patrocinada pelos hebreus, muitos séculos antes de Cristo. Sua acusação era simples: "Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são" (Is 1.6). Isto é, para onde quer que Deus olhasse, o seu povo estava contaminado com todos os pecados praticados entre os pagãos. Contudo, suas "festas religiosas" prosseguiam a todo vapor. Continuavam queimando incenso, oferecendo sacrifícios, cantando salmos, ostentando roupas sacerdotais e entregando grãos e azeites no templo de Deus. Eles supunham que Deus ficaria muito animado com seus cultos glamourosos, independente de como conduzissem suas vidas. O problema é que Deus está muito mais interessado em ser honrado por meio da vida dos seus filhos, do que por meio das suas programações religiosas. Depois de expor seus pecados, Deus disse solenemente: "Parem de trazer ofertas inúteis (...) eu as odeio (...) não as suporto mais!" (Is 1.13,14).
A principal acusação que Deus apresentou contra o povo de Israel, no Antigo Testamento, me parece muito apropriada aos cristãos modernos, em pleno século 21: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Is 29.13). Não temos nenhuma dificuldade de ostentar nossa espiritualidade artificial nas noites de domingo, sob o olhar atento da nossa "família espiritual".
Nosso problema começa, quando o culto termina, as luzes da igreja se apagam e somos arremessados novamente para dentro das nossas vidas desprovidas de qualquer piedade. Quando desligamos os holofotes da nossa paródia religiosa, Deus olha para a nossa vida, procurando vestígios de uma conduta que honre o Seu nome entre os homens. E o que Ele encontra, na maioria das vezes, é uma triste realidade que não faz lembrar, nem de longe, a fé que tão ardentemente professamos no palco do nosso teatro dominical.
Meu desejo é que a mensagem divina nos conduza ao arrependimento e nos converta dos nossos descaminhos religiosos. Enquanto isso não acontece, que subam as cortinas e acendam os holofotes. Afinal, o nosso show não pode parar. Ou será que pode?
Escrito por Léo Barbosa às 10h28
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Que Evangelho é esse que aparece na TV?

Você pode até discordar de mim, mas quer saber minha opinião? Atualmente, não existe ninguém pregando o Evangelho na televisão. Eu sei, eu sei. Há uma porção de televangelistas, pastores, bispos, apóstolos e missionários engravatados, uns simpáticos, outros nem tanto, sacudindo suas Bíblias enormes e dizendo como a religião pode tornar a vida das pessoas mais fácil, próspera e "abençoada". Mas daí a dizer que o Evangelho está sendo pregado, são outros quinhentos.
Que Evangelho é esse, que confunde salvação com saúde e dinheiro no bolso? Que Evangelho é esse que, ao invés de denunciar o pecado, estimula as nossas piores ambições, alimenta o incontrolável egoísmo do nosso coração, e encoraja nossa busca desmedida por felicidade e prazer? Que Evangelho é esse, que anuncia o céu na terra e que vende a eternidade por uns trocados?
Já vaguei de canal em canal, zapeando todos os programas religiosos disponíveis na TV aberta. Já assisti aos telecultos de todas essas igrejas eletrônicas que invadem a grade de programação dos canais de TV, madrugada adentro. Mas em minha "peregrinação espiritual", não consegui encontrar sequer vestígios do Evangelho - aquela velha História, que há muito não é contada.
O Evangelho é a História do Deus Criador, que fez o homem à sua imagem e semelhança, para glorificá-lo e desfrutar dele eternamente. É a História do homem que se rebelou contra Deus e que, por esta razão, sofre as nefastas conseqüências de sua rebelião. Do homem que carrega a mancha do pecado, que compromete tudo quanto ele pensa, sente e faz, e que torna sua dívida para com Deus maior, a cada segundo. O Evangelho é a História do Deus que se despiu de sua glória celestial, assumiu a forma humana, se fez escravo e se fez maldito, morrendo em uma cruz, para redimir o homem do seu pecado, reconciliá-lo com o céu, e devolver-lhe gratuitamente o direito de viver plena e eternamente para Deus.
Este Evangelho exige do homem uma única resposta - a fé. Não o dinheiro nem os bens, mas a fé. Uma fé que se traduz em fidelidade, compromisso, abandono do pecado, submissão ao senhorio de Jesus Cristo, amor a Deus e ao próximo, proclamação da graça aos perdidos, renúncia aos prazeres e riquezas do mundo e disposição para sofrer por amor a Cristo. É sobre este Evangelho que as almas sonâmbulas, que passam suas madrugadas insones segurando o controle da TV, precisam ouvir. Mas como eles vão ouvir, se não há quem pregue? E como pregarão, se o que dá ibope mesmo são aquelas adocicadas mensagens de auto-ajuda, travestidas de cristianismo, que inflam o ego dos telespectadores e enchem os bolsos dos telepastores?
Quer saber de uma coisa? Em vez de perder tempo com os gurus eletrônicos desta religião-show, que nada tem a ver com o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo, vou desligar a TV e apanhar minha boa e velha Bíblia, para ouvir a voz daquele que sabe exatamente onde eu estou em minha jornada espiritual e do que eu preciso para me aproximar mais da sua vontade. E chega de teleculto!
Escrito por Léo Barbosa às 01h56
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