II - Todo mundo sofre

Alguém já disse que "viver é sofrer". Concordo que esta é uma visão um tanto caolha da vida. Mas a verdade é que todos nós já começamos a vida levando umas boas palmadas e aprendendo a chorar. De lá pra cá, o sofrimento insiste em nos acompanhar o tempo todo, por onde formos. Ricos ou pobres, brancos ou negros, homens ou mulheres, jovens ou velhos, cristãos ou ateus, uma hora ou outra, todos são sacudidos pelas dores, angústias ou desapontamentos da vida. Nascer dói. Crescer também dói. Envelhecer, mais ainda. E se despedir desta vida, certamente, envolve alguma agonia.

O apóstolo Paulo chega a dizer que toda a natureza criada sofre continuamente e, até que ela seja "libertada da escravidão da decadência em que se encontra" (Romanos 8.21), as coisas continuarão exatamente assim. Sofrer não é privilégio dos homens. Todos os seres criados sofrem, incluindo as plantas, os pássaros, os montes e os peixes. Quer saber como nós, cristãos, ficamos nessa história? Ele diz: "E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8.23).

A teologia triunfalista que promete uma vida sem sofrimentos a todos os que crêem em Jesus erra, por negar o que a própria Bíblia diz sobre o assunto. Aqueles que amam e temem a Deus também sofrem. Exemplos disso estão em toda a Bíblia, desde Abel, assassinado injustamente pelo próprio irmão, passando por Jó, José do Egito, os profetas do Antigo Testamento, os discípulos de Jesus e, por fim, Ele próprio - o Deus-Encarnado, que foi preso, humilhado, torturado e morto, sem culpa e sem merecimento. Há outros exemplos em toda a História do Cristianismo. Homens e mulheres fiéis a Deus que foram perseguidos, exilados, açoitados, atirados às feras, queimados vivos e crucificados, formando uma imensa nuvem de testemunhas, a nos lembrar solenemente que fé e sofrimento andam juntos, muitas vezes. "Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles" (Hebreus 11.35-38).

Viver não é sofrer. Mas o sofrimento é parte importante da vida de qualquer ser humano. Todo mundo sofre. Uns mais, outros menos. E isso é como uma "roleta-russa", que pode pegar qualquer um, em qualquer tempo. Agora, cá entre nós, por que é que conosco teria de ser diferente?



Escrito por Léo Barbosa às 15h16
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I - O sofrimento é problema nosso

A vida é injusta. Deus, não. Todo tipo de sofrimento está direta ou indiretamente relacionado a alguma espécie de mal ou de injustiça - elementos quase onipresentes em nossa vida. Isso pode ser comprovado em qualquer dimensão do sofrimento. Na dimensão física (dor, doenças, defeitos congênitos, morte), o sofrimento é apresentado como resultado direto da "Queda", isto é, do pecado dos nossos primeiros pais - Adão e Eva - no Jardim do Éden. Na dimensão relacional (mágoa, ressentimento, traição, abuso, desafeto), o sofrimento é resultado de relações interpessoais comprometidas pelas atitudes pecaminosas dos envolvidos. Na dimensão social (fome, miséria, corrupção, racismo, violência, guerras), o sofrimento é um reflexo superlativo do pecado individual dos membros de uma sociedade. Na dimensão espiritual (sentimento de culpa, medo da morte, falta de propósito, opressão demoníaca, perdição eterna, alguns tipos de depressão), o sofrimento nada mais é que a conseqüência natural do abismo que separa o homem do seu Criador, que o faz sentir-se desconectado da vida e impedido de desfrutar plenamente de todos os benefícios e privilégios de estar vivo.

Todas as dimensões do sofrimento relacionadas acima fazem parte de uma série ininterrupta daquilo que a teologia cristã chama de conseqüências da "Queda". A rebelião de Adão e Eva, que deliberadamente se desviaram do caminho da vontade de Deus, deflagrou um processo de "adoecimento cósmico", que interferiu drasticamente na harmonia da Criação, afetando diretamente o bem estar da unidade ecológica da natureza - o ecossistema.

Rebelados, Adão e Eva colheram para si os primeiros efeitos do pecado, como a culpa, o medo, a dor física, a inimizade com a natureza e com os semelhantes, a dor inconsolável do luto e, por fim, a própria morte. Todos estes elementos agem simultaneamente como causa e efeito, em uma cadeia interminável e indestrutível de eventos que, em efeito dominó, desarranjam a vida de qualquer ser humano. Além disso, ao procriar, o primeiro casal reproduziu seres humanos conformes a sua espécie, isto é, homens e mulheres em cuja existência finita o pecado original também deixou sua marca indelével. Igualmente culpados. Igualmente condenáveis.

Em vista disso, culpar Deus pelo sofrimento humano (incluindo o nosso) é desconsiderar a História - aquela registrada na Bíblia Sagrada, a partir do capítulo 3 de Gênesis; e a nossa própria história, sistematicamente desordenada pelos nossos próprios pecados e pelos pecados dos que vivem à nossa volta. Pecados estes que fazem da vida uma vida injusta - mas que não era para ser assim, segundo a vontade do Deus Justo, Bom e Perfeito, que Criou todas as coisas para serem igualmente justas, boas e perfeitas eternamente.



Escrito por Léo Barbosa às 07h16
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Introdução - A teologia do sofrimento

"Por que sofremos?" De todas as perguntas que os homens se fazem, ao longo da vida, esta talvez seja a que mais suscita emoções. Isso porque o sofrimento é uma daquelas experiências universais, que mais dia menos dia todos enfrentaremos. Respondê-la, portanto, está longe de ser uma tarefa fácil. Porém, ao contrário do que afirmam os críticos da fé cristã, este é um assunto que a Bíblia jamais evitou. Aliás, estou convencido de que as únicas respostas plausíveis à questão do sofrimento humano - especialmente o sofrimento injusto - são aquelas oferecidas pelas Escrituras, de onde milhões de cristãos, ao longo de quase vinte séculos de História, procuraram extrair uma "teologia do sofrimento" que fosse capaz de orientar, consolar e renovar a esperança daqueles que conhecem na prática as inumeráveis faces da dor.

Em vista disso, eu gostaria de convidá-lo a uma peregrinação pelos caminhos da revelação bíblica, a fim de explorarmos o que os seus autores têm a dizer sobre o padecimento humano, e de desenvolvermos a nossa própria "teologia do sofrimento", onde poderemos ancorar a nossa fé, sempre que formos sacudidos pelas tempestades da vida. Você é meu convidado para ler os próximos artigos, onde eu vou procurar trazer - de modo bíblico e sucinto - As Dez Lições Sobre o Sofrimento, conforme eu tenho aprendido nas páginas das Escrituras.



Escrito por Léo Barbosa às 06h41
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