IV - Boa parte dos nossos sofrimentos poderia ser evitada

Das cento e setenta e seis pessoas que estavam a bordo do vôo 3054 da TAM, que partiu de Porto Alegre (RS) com destino a Congonhas, na Capital Paulista, no final da tarde de ontem, ninguém sobreviveu. Todos os passageiros e tripulantes morreram no interior da aeronave, que derrapou na pista de pouso, atravessou a Avenida Washington Luis, que fica ao lado do aeroporto, bateu em um prédio da TAM Express e foi engolida pelo fogo, provocando um incêndio de grandes proporções, que envolveu o avião, o prédio e um posto de gasolina que fica ao lado. Além das pessoas que estavam no avião, pelo menos outras doze pessoas que estavam em terra também morreram.
É bem provável que longos meses se passem, até que seja anunciado o laudo com as causas do desastre. Mas uma coisa é certa: o acidente e a imensurável cadeia de sofrimentos por ele desencadeados poderiam ser evitados. A maior tragédia aérea da história da aviação brasileira certamente tem os seus culpados.
A bem da verdade, aliás, diariamente nos deparamos com algum tipo de sofrimento que poderia (e deveria) ter sido evitado. Exemplos disso são os males produzidos pela violência, a miséria proveniente da exploração dos pobres, as doenças provocadas pelo abuso do álcool e das drogas, as aflições que resultam do pecado, os problemas ocasionados por decisões precipitadas e as conseqüências da negligência e irresponsabilidade das autoridades.
Se os homens se esquivassem do pecado e se debruçassem sobre as Escrituras com mais freqüência, boa parte dos sofrimentos que experimentamos ao longo da nossa vida simplesmente não existiria. O apóstolo Paulo, autor de treze dos vinte e sete livros do Novo Testamento, apresentou a problemática toda da seguinte forma: "o que o homem semear, isso também colherá" (Gálatas 6.7). Esta inevitável "lei da semeadura" se aplica a quase tudo na vida. No final das contas, se investigarmos diligentemente as aflições dos homens, descobriremos que boa parte delas se encaixa perfeitamente nesta lei espiritual. E, caso levássemos isso um pouco mais a sério, infligiríamos muito menos sofrimento a nós mesmos e às pessoas que, direta ou indiretamente, acabam sendo vitimadas pela pecaminosidade das nossas ações e omissões cotidianas.
Escrito por Léo Barbosa às 00h20
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III - Deus também sofre

Ninguém precisa de um Deus que não saiba o que é padecer. A Bíblia diz que o Criador de tudo o que existe sabe. "O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal (...) e isso cortou-lhe o coração" (Gênesis 6.5,6).
O Deus da Bíblia nunca se manteve indiferente à dor, às alegrias ou aos desgostos de suas criaturas. Um dos retratos mais fortes de Deus na Escritura Sagrada é o de um pai amoroso, que traz no peito um coração dilacerado. Depois de pecar, Adão e Eva se tornaram reprodutores de seres humanos caídos, "à sua semelhança, conforme a sua imagem" (Gênesis 5.3). E, assim como o primeiro pai, os descendentes de Adão também pecaram, fazendo com que se multiplicassem a impiedade, a injustiça e o sofrimento na terra. Segundo a Bíblia, Deus não se manteve impassível, ao contrário, o seu coração foi rasgado em pedaços por causa da maldade do homem.
Séculos mais tarde, o profeta Isaías viu - por revelação - o Messias na cruz, o servo de Deus sofredor, "desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento (...) foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades". Conforme ele diz, "o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós" (Isaías 53.3-6). No Novo Testamento, estas palavras se convertem em imagens explícitas do sofrimento divino. O Cristo da cruz é a expressão máxima da angústia e da dor infligidas a Deus por causa do pecado do homem.
Disso podemos depreender que o Deus a quem alçamos a voz, das profundezas do nosso sofrimento, é Alguém que sabe do que estamos falando, que conhece o que estamos sentindo. É um Deus para quem os nossos lamentos são muito mais que palavras, um Deus que se deixa atingir em cheio pela dor de uma pobre viúva ou de uma mulher despedaçada pelos seus próprios pecados. Só um Deus assim pode ser capaz de consolar corações inconsoláveis e amenizar a aflição de quem já não suporta sofrer sozinho. Esse é o Deus que encontramos nas piores horas da vida. Um Deus incapaz de omitir socorro. Um Deus acerca de quem podemos ter uma certeza: "tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados" (Hebreus 2.18).
Escrito por Léo Barbosa às 15h07
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