V - Quase todo sofrimento pode ser diminuído

Por que Deus permite que tragédias aconteçam? Qual o propósito divino para o sofrimento humano? O que Deus deseja ensinar aos seus filhos, por meio da dor? Estas e outras tantas perguntas a respeito dos infortúnios da vida têm estimulado a produção de inúmeras teorias (e "teologias") a respeito da problemática do sofrimento. Contudo, creio sinceramente que estas não são as perguntas mais importantes que se deve fazer ante a dor e a aflição alheia. Muito mais pertinente do que todas as questões acima, a pergunte que devemos responder é: "O que nós podemos fazer por quem sofre?"
Ao longo do último mês, assisti a inúmeras reportagens sobre o acidente envolvendo o vôo 3054 da TAM. Mas uma delas chamou minha atenção mais do que todas as outras. Dentro da área isolada, uma jovem com roupas comuns providenciava socorro às vítimas, correndo entre os bombeiros e policiais. Patrícia Siqueira é uma comissária de bordo que mora ao lado do terminal de cargas atingido pelo Airbus da TAM. Ela viu, da janela do seu apartamento, o momento da grande explosão. Enquanto todas as testemunhas da tragédia só conseguiam se perguntar: "o que é isto?" ou "por que isto foi acontecer?", a jovem agiu. "Foi tempo de eu dizer: 'minha nossa!', aí eu calcei o meu tênis, peguei minha luva e fui pra lá", descreveu ela. Poucos minutos depois, já estava envolvida no resgate. Patrícia foi responsável direta por encontrar o poço do elevador do prédio em chamas, o que possibilitou que os bombeiros salvassem algumas das pessoas que trabalhavam no prédio. Em meio a toda aquela tragédia, envolvendo dezenas de vítimas fatais e centenas de expectadores estupefatos, uma pessoa comum decidiu descruzar os braços e intervir, na tentativa de diminuir a dor de outrem.
Não é todos os que um Airbus da TAM invade o prédio dos nossos vizinhos. Mas todos os dias esbarramos em pessoas aflitas e desesperadas, que clamam (às vezes, silenciosamente) por socorro, esperando que alguém se incomode e decida intervir em suas histórias. Enquanto boa parte dos cristãos fica se debatendo em questões teológicas e filosóficas sobre a experiência, as causas e os propósitos do sofrimento humano, Deus e o mundo esperam que pelo menos alguns de nós simplesmente calcem seus tênis, peguem suas luvas e "corram para lá", ao encontro daqueles que sofrem, enquanto os experts no assunto "correm de lá", a fim de desenvolver novas teorias a respeito da dor. Que tipo de pessoa você tem sido?
Escrito por Léo Barbosa às 10h11
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