Uma mistura explosiva

Quando tragédias, como a que ocorreu ontem em Santo André, acontecem, os céticos gostam de perguntar: "Onde está Deus?" A fé religiosa é questionada - pra não dizer ridicularizada - e os postulados da fé cristã são postos à prova por uma série de argumentos a favor da ideia de que estamos aqui sozinhos e, portanto, precisamos nos virar como pudermos, sem fé, sem esperança, sem Deus. Aindão serão investigadas as causas da explosão da loja que vendia e, segundo suspeita-se, fabricava clandestinamente fogos de artifício num bairro residencial do ABC. Mas uma coisa é certa: a tragédia que matou pelo menos duas pessoas e deixou feridas ou desabrigadas outras dezenas delas foi provocada por uma mistura explosiva de negligência, irregularidades, corrupção e descaso das autoridades. Se havia, à vista de todos e há tanto tempo, um estabelecimento comercial que funcionava como loja e fábrica de material explosivo e que punha em risco a vida de centenas de vizinhos, clientes e transeuntes, é porque havia: um comerciante inescrupuloso, consumidores irresponsáveis, fiscais corruptos e autoridades incompetentes e omissas. Cada peça desta engrenagem assassina foi posta e mantida no seu devido lugar por seres humanos como você e eu, e a máquina toda vinha funcionando muito bem lubrificada pelo pecado de uma sociedade que vive como se Deus estivesse morto. Certamente, há uma série de perguntas muito pertinentes a serem feitas num momento como este, a começar da mais importante delas: Onde está o homem? Até onde a ganância, o descaso e a irresponsabilidade humana nos levarão? De nada adianta, numa hora assim, erguer os punhos contra Deus, como quem diz: "Onde o Senhor está?" Parece-me muito mais conveniente ouvir de Deus aquela velha pergunta feita no Jardim do Éden: "Adão, onde VOCÊ está?"
Escrito por Léo Barbosa às 09h31
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Verdadeira adoração

Discute-se muito em que consiste a verdadeira adoração. Na verdade, a maioria das discussões se dá no campo da forma, do estilo, do ritmo e da linguagem utilizada nos louvores entoados no culto público. Mas o cerne da questão não está relacionado a estes assuntos. Em se tratando do tema adoração, o que realmente tem importância para Deus é a qualidade dos adoradores. Numa conversa com uma mulher samaritana, Jesus disse que o Pai procura adoradores. O tema da conversa entre os dois foi justamente a adoração. A mulher estava preocupadíssima com as questões exteriores que circundam o assunto. Ela queria saber qual a forma, o local e a tradição religiosa que melhor propiciavam a verdadeira adoração. Neste aspecto, ela se parece muito com os religiosos do nosso tempo. Eles estão sempre dispostos a travar discussões intermináveis sobre quais ritmos, instrumentos, lugares, expressões corporais e trajes podem ou não podem estar presentes no culto a Deus. Ao responder às perguntas da mulher samaritana, Jesus redirecionou-a para aquilo que realmente importa para Deus: o estado do coração. É no coração, e não no palco, que acontece a verdadeira adoração. É o coração que Deus sonda, à procura de verdadeiros adoradores. A teologia da adoração apresentada por Jesus à mulher samaritana dizia basicamente uma coisa: "Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24). As implicações do que Jesus disse são bastante óbvias. Primeira: para Deus, a adoração é muito mais interior que exterior. Ela existe essencialmente no coração do indivíduo que se aproxima de Deus. Adorar Deus "em espírito" significa basicamente adorá-lo interiormente. Noutra ocasião, Jesus criticou duramente a adoração que é só exterior. Citando o profeta Isaías, Ele disse: "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". O resultado de tal incoerência é este: "Em vão me adoram" (Mateus 15.8-9). Segunda: para Deus, a adoração tem muito mais a ver com o modo como se vive, do que com a forma como se canta. Aliás, nossas canções e orações só fazem sentido, quando acompanhadas por um tipo de vida que agrada a Deus. Se a nossa vida não glorifica a Deus, nosso culto certamente não o fará. Adorar a Deus "em verdade" está relacionado a isso. É preciso adorá-lo inspirado e alicerçado na verdade da sua Palavra, mas também é preciso adorá-lo em obediência a ela. Temos de viver e andar na verdade, para que a nossa adoração faça sentido. As verdades que cantamos precisam ser demonstradas na prática em nosso viver diário. Só verdadeiros adoradores podem produzir verdadeira adoração. Adorar a Deus tem de ser, antes e acima de tudo, uma atitude interior e coerente com nosso estilo de vida. Se não entendermos isso, aquilo que nós gostamos de chamar "adoração", Deus continuará chamando "encenação". Vamos continuar cantando, levantando as mãos, batendo palmas e sacudindo o corpo. Mas, para Deus, isso será mera coreografia.
Escrito por Léo Barbosa às 08h13
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Não existe evangelho sem cruz

Um falso evangelho tem ameaçado a teologia e o testemunho da igreja evangélica brasileira nas duas últimas décadas. As “boas novas” desse evangelho não dizem respeito à reconciliação com Deus e com o próximo, à redenção da alma ou à vida regenerada que glorifica Cristo. Tal evangelho faz tudo girar em torno do homem e de suas supostas necessidades e substitui o anseio pela glória celestial por um desejo insaciável pela glória deste mundo, que se resume em riqueza, prazer, poder e sucesso. O problema fundamental desse falso evangelho é a ausência da cruz. A cruz está no centro da mensagem cristã. Ela é prenunciada em todo o Antigo Testamento, desde a maldição proferida por Deus contra a serpente (Gn 3.15) e do primeiro animal morto no Éden (Gn 3.21). Ela é encenada nos rituais de expiação prescritos em Levítico e pode-se vislumbrá-la nas profecias de Isaías acerca do Messias sofredor (Is 53). A realidade e os efeitos da cruz são dramatizados nas celebrações da ceia e do batismo. Ela foi o assunto da conversa entre Jesus, Moisés e Elias, no monte da transfiguração (Lc 9.31). E era sobre o Cristo da cruz que o apóstolo Paulo pregava e escrevia incansavelmente (1Co 1.23; 2.2). A cruz de Cristo é também a nossa. Jesus disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Vivemos em um “mundo que não diz não a nada”, como disse Francis Schaeffer. Mas somos convocados a dizer não a nós mesmos e a tomar a nossa própria cruz. Carregar a cruz é meter-se num caminho só de ida, rumo à própria morte. Seguir Jesus é entregar-se completamente aos seus cuidados. É deixar que ele decida o que é melhor para nós o tempo todo. É morrer para o mundo, ao invés de esperar conforto e popularidade. A cruz é o único caminho para a glória. Ela não é a última palavra sobre a vida de um cristão, assim como não foi a última palavra sobre a vida de Cristo. Depois da cruz e dos sofrimentos por ela infligidos, Cristo foi ressuscitado e exaltado (Fp 2.9). De igual modo, os sofrimentos dos cristãos “não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8.18). Por isso, tomar a cruz não é abrir mão da felicidade, mas é recusar-se a trocar a verdadeira felicidade, pelas imitações baratas de um mundo sem Deus. Sem cruz não há cristianismo nem salvação. Não existe evangelho sem cruz. Portanto, qualquer ensino que ofereça a glória sem anunciar a cruz deve ser “amaldiçoado” (Gl 1.8-9). Qualquer tentativa de afastar-nos da cruz deve ser reconhecida imediatamente como uma estratégia de Satanás para impedir-nos de desfrutar a maravilhosa salvação, disponível ao homem unicamente por meio da cruz de Cristo (Mc 8.31-33). Siga-me no Twitter: http://twitter.com/leodasede
Escrito por Léo Barbosa às 22h51
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